Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Tilden Santiago *

Em Contagem, os Conselhos em Defesa de Direitos, com representantes do poder público municipal e da sociedade, cumprem na administração de Alex de Freitas e William Barreiro, o dever de casa, visando à democrática participação dos cidadãos contagenses na elaboração e manutenção das políticas públicas. Se bem que os presidentes dos Conselhos e seus assessores, especialmente as assistentes sociais e professores, têm de se desdobrar no telefone para que haja quórum nas plenárias.

Mas o essencial a ser dito é que Contagem resiste (e como!) à tendência do governo Bolsonaro de destruir ou impedir a ação democrática dos Conselhos.

Mas isso não surpreende ninguém por ser o desmonte dos Conselhos, um dos objetivos do governo Bolsonaro, dada a sua incapacidade de percepção do real do povo brasileiro e, sobretudo, graças ao antagonismo que o presidente carrega contra a democracia representativa ou direta e ao ódio que ele fomenta contra a ecologia, cidadania, as ciências, as universidades, ao saber universal, à tolerância, ao humanismo, à pluralidade, à feminilidade. Ele não percebe o belo, o bom, o justo e o ético. É insensível à busca do amor de si mesmo, dos outros, dos mais pobres, do verdadeiro Deus, da natureza, do universo, por Ele criados e a nós entregues – tudo aquilo que escapa à percepção de Edir Macedo, Silvio Santos e outros amigos do “rei”, turiferários do poder.

As Conferências Municipais dos Conselhos são um termômetro da vitalidade dos mesmos, tirando-os da rotina do cotidiano e possibilitando autocrítica, aperfeiçoamento e aprofundamento do papel dos mesmos na sociedade contagense e sua esfera do poder municipal.

Muito saudável o clima de efervescência atual na Casa dos Conselhos, preparando e realizando conferências, o que acontece atualmente com o Consan – Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, que atua em parceria com o CAE – Conselho de Alimentação Escolar de Contagem. E também com o CMASC – Conselho de Assistência Social de Contagem (deste falaremos posteriormente).

O Consan e o CAE trabalham com o foco em três eixos: 1) políticas públicas e acesso à alimentação; 2) desperdícios: avanços, desafios e estratégias para garantia de uma alimentação adequada e 3) agroecologia: sustentabilidade, agricultura urbana e familiar.

Tudo concluído com debates e levantamento de propostas. Sob a liderança das secretárias municipais Luzia Ferreira e Sueli Baliza e do secretário Marcelo Lino e seu adjunto Ricardo Cidadão. Tudo acontece com a presença e atuação destacáveis de Roberto Fiau Silva (superintendente), Glyson Anderson e dos gerentes dos Restaurantes Populares. O CMAUF, sempre presente com a doação de mudas de plantas, inclusive medicinais, por Maria José e Rosângela.

Se nos Conselhos, há uma efervescência de trabalhos, no plano do poder federal, Jair Bolsonaro faz escola semeando a sizânia, nesse esforço de democracia que se desenvolve em todo o País após a Constituição Cidadã, de Ulysses Guimarães. O governador João Dória e a ministra Damares aprenderam bem a lição do planalto. Ele interferindo em Conselhos de participação civil em São Paulo: nas áreas de Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Direitos Humanos (alvos preferidos pelas flechas de Bolsonaro). E ela, Damares, uma cristã evangélica, voluntarista, polêmica e poderosa, desidratando o Conselho de Proteção à Infância. Mas essas são denúncias para outros artigos ou mesmo um livro.

*Jornalista, embaixador e filósofo