O volume de moagem de cana nas usinas mineiras aumentou 7% em relação à safra anterior | Crédito: Divulgação

O consumo de etanol hidratado, em Minas Gerais, segue em crescimento. De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no acumulado de janeiro a setembro deste ano, foram comercializados 2,3 bilhões de litro do biocombustível, o que representa um avanço significativo de 37,2% quando comparado com igual período do ano anterior.

Em setembro, foi registrado o consumo recorde de etanol no Estado para o período, somando 271,9 milhões de litros, um avanço de 13,29%, frente aos 240,7 milhões de litros de etanol hidratado comercializado em setembro de 2018.

A tendência é de que o consumo continue em alta, principalmente, em função dos preços mais competitivos em relação aos demais combustíveis.

De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o momento é positivo para a comercialização do biocombustível e, pela segunda vez na história, a litragem comercializada de etanol hidratado (271,9 milhões de litros) superou a de gasolina, que em setembro foi de 260 milhões de litros.

“Quando transformamos em energia, o etanol hidratado atingiu a maior participação da história no ciclo otto (uso de etanol e gasolina) do Estado, respondendo por 42%. O aumento do consumo de etanol se deve, principalmente, aos preços mais competitivos do etanol frente a gasolina. O fato do etanol mais barato para o consumidor tem permitido um crescimento do mercado de combustível no Estado. Em 2018, o consumo de combustível (gasolina e etanol) caiu cerca de 5% e, este ano, estamos crescendo 4,1%”, destacou.

Ainda segundo Campos, apesar da crise econômica, o setor sucroenergético tem contribuído para o aumento do consumo de combustível. “Com certeza, o etanol, devido aos preços, favoreceu esse retorno do mercado”.

Safra – Em relação à safra, as usinas mineiras moeram, até a primeira quinzena de outubro, 59,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 7% superior ao registrado no mesmo período da safra 2018/19, quando já haviam sido esmagadas 55,2 milhões de toneladas de cana.

Ao todo, já foram processados 89% do total de cana a ser esmagada na safra 2019/20, que será de 66,5 milhões de toneladas. A produção acumulada de açúcar totalizou, no período, 2,8 milhões de toneladas, 1% maior em comparação com o mesmo período da safra passada.

Já a produção de etanol total cresceu 9% em relação à safra anterior, com 3,1 bilhões de litros produzidos até a primeira quinzena de outubro. A produção de anidro somou 921 milhões de litros, alta de 21%. Com elevação de 5%, a produção de etanol hidratado está em 2,1 bilhões de litros. Este ano, a safra será mais alcooleira, com 64% da cana destinada ao etanol, contra 62% da safra anterior.

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Segmento busca inclusão de mulheres na atividade

O setor sucroenergético de Minas Gerais deu um passo à frente para maior inclusão de mulheres e implementação de políticas de igualdade com os homens nas empresas. O grupo Coruripe (com quatro unidades no Estado), Delta Sucroenergia (com três unidades), Agropéu, Bioenergética Aroreira, Jatiboca, Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap) e Adecoagro (uma unidade no Estado) assinaram, na última semana, a Declaração dos Princípios do Empoderamento das Mulheres da Organização das Nações Unidas (ONU), durante a Conferência Internacional Datagro.

“A adesão à declaração é uma forma de apoiar o movimento de maior inserção e igualdade entre mulheres e homens no setor e uma das mais importantes iniciativas, diante do baixo percentual de trabalhadoras, uma média de 9,1%”, afirma o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos. Ele cita que isso tende a mudar, pois várias iniciativas já vêm ocorrendo neste sentido, como os esforços do Grupo Coruripe e Bevap.

De acordo com Mário Lorencatto, da Coruripe, desde que assumiu o grupo, em janeiro do ano passado, tomou a iniciativa de aumentar a diversidade feminina, ou como diz “aproveitar mais o talento das mulheres na empresa”. Segundo ele, vem ocorrendo investimento em capacitação a fim de que elas possam ter um progresso em sua carreira, além de dar preferência à contratação feminina.

“Queremos ter mais mulheres tanto na área operacional quanto na gestão do negócio. É um desafio que temos que alcançar”, afirmou. A empresa já conta com iniciativas como a “Semana da Mulher”, quando as colaboradoras assumem as diretorias, e políticas de melhoria do ambiente de trabalho, facilitando a incorporação das mulheres. “Estamos trabalhando neste caminho, porque isso é o correto e o melhor para o negócio”, ressalta Lorencatto.

O CEO da Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap), Gabriel Sustaita, ressalta que a adesão à declaração foi uma forma de formalizar o que a empresa já vem fazendo de empoderamento feminino, que já resultou em um índice de 19% de mulheres na empresa, mais do que o dobro do apurado no setor. “Nossos melhores motoristas de cana são mulheres, idem para as plantadoras e líderes agrícolas”, afirma. (Com informações da Siamig)