Índice de preços da FAO para o adoçante teve variação positiva de 5,8% no último mês - Crédito: Wagner Abrahao Jr

Roma – Os preços globais de alimentos subiram pela primeira vez em cinco meses em outubro, impulsionados por saltos nas cotações do açúcar e de cereais, disse a agência de alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) ontem.

O índice de preços de alimentos da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), que mede as variações mensais de uma cesta de cereais, oleaginosas, laticínios, carne e açúcar, teve média de 172,7 pontos em outubro, alta de 1,7% ante o mês anterior e de 6% na comparação anual.

A FAO também estimou que a produção mundial de cereais em 2019 será de 2,704 bilhões de toneladas, número levemente inferior ao de sua projeção anterior.

O índice de preços da FAO para o açúcar saltou 5,8% ante os níveis de setembro, muito em função das expectativas de menor oferta no ano, considerando as previsões de grandes recuos na produção de Índia e Tailândia.

Já o índice de preço dos cereais avançou 4,2%, com os valores de exportação de trigo e milho subindo devido às perspectivas de safras reduzidas em diversos importantes países produtores e à robusta atividade comercial. Em contraste, os preços do arroz caíram, afetados pela demanda fraca e pela expectativa de uma safra abundante da variedade basmati.

O índice de preços do óleo vegetal aumentou em 0,5%, atingindo seu maior nível em mais de um ano, enquanto o índice das carnes avançou 0,9%, guiado pela maior demanda por exportações, especialmente da China.

Por outro lado, o índice de preços de laticínios recuou 0,7% em outubro, uma vez que cotações mais baixas para o queijo compensaram aumentos nos valores do leite em pó desnatado e integral, disse a FAO. (Reuters)

Produção de carne suína na China deve recuar 20%

Paris – A peste suína africana irá reduzir a produção de carne suína da China, maior produtora global, em ao menos 20% em 2019, disse a agência de alimentos da Organização das Nações Unidas ontem, que dobrou uma projeção feita há seis meses.

A doença tem dizimado o rebanho suíno chinês desde agosto do ano passado, pressionando os preços da carne de porco no país para máximas recorde e ao mesmo tempo redefinindo os mercados globais de carne e ração.

Com o vírus se alastrando também por países vizinhos, como Vietnã, Laos, Mongólia e Camboja, a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) da ONU espera que a produção global de carne suína caia 8,5% neste ano, para 110,5 milhões de toneladas (tonelada equivalente carcaça).

Em maio, a FAO havia projetado que a produção chinesa de carne de porco cairia ao menos 10%.

A queda na produção asiática de carne suína deverá impactar o uso de milho e oleaginosas para produção de ração, acrescentou a FAO.

“O comércio mundial de carne e derivados está previsto em 36 milhões de toneladas em 2019, um aumento de 6,7% em relação a 2018, impulsionado principalmente pelo aumento das importações da China devido ao aperto doméstico causado por perdas de produção relacionadas à peste suína”, afirmou a FAO.

As importações de carne da China devem aumentar em cerca de 2 milhões de toneladas, ou cerca de 35%, este ano, com o aumento das compras em todas as categorias de carne.

Por outro lado, espera-se que vários países importem menos carne, incluindo os Estados Unidos e Angola. (Reuters)