Qualidade reconhecida do trigo mineiro é um dos fatores que assegura compradores para o grão - Crédito: ANTONIO COSTA

A qualidade diferenciada do trigo produzido em Minas Gerais vem contribuindo para que a demanda pelo produto seja impulsionada e para a sustentação dos preços em patamares rentáveis.

O trigo mineiro chega ao mercado antes da safra do Sul do País, período de oferta baixa e preços melhores. Estes fatores são importantes para que a liberação da cota anual para importação de 750 mil toneladas de trigo a tarifa zero no Brasil, anunciada esta semana, não impacte de forma negativa na formação dos preços do trigo mineiro.

A produção estadual, na safra, 2018/19, ficou em 200 mil toneladas, queda de 30% frente ao ano anterior. O consumo de trigo em Minas em grãos está em torno de 1 milhão de toneladas ao ano.

De acordo com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a liberação da cota de importação de trigo foi aprovada em reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) realizada na última terça-feira. A liberação de 750 mil toneladas anuais, a taxas zero e sem prazo determinado, foi um compromisso assumido junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A cota de importação vale para todos os países, menos para os quais o Brasil já possui acordo comercial que estabeleça o livre comércio para o produto, como a Argentina, por exemplo. A quota representa 6% do consumo brasileiro em 2018.

Segundo o presidente da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (Atriemg), Eduardo Elias Abrahim, a importação não deve prejudicar a cotação do trigo mineiro. Por ser de alta qualidade, o produto mineiro tem alta demanda no mercado interno. Além disso, o trigo chega ao mercado no período de entressafra dos principais produtores, que são o Paraná e o Rio Grande do Sul, o que já garante uma melhor remuneração.

“Não vejo nenhum risco na formação de preços para o produtor mineiro. A liberação da cota tem o objetivo de balizar os preços, segurando uma possível alta dos valores em função de uma menor produção”, explicou.

O consumo nacional de trigo gira em torno de 12 milhões de toneladas e a estimativa é que a produção nacional não atinja 50% do volume consumido, o que torna as importações necessárias.

“Este ano, ainda não sabemos ao certo de quanto será nossa produção, mas haverá uma queda, em função das chuvas no Rio Grande do Sul, que estão comprometendo o volume e, principalmente, a qualidade. O estabelecimento da cota de importação tem como objetivo balizar os preços do mercado, que são definidos pelo Paraná, maior produtor do trigo em grão no País, e pela Argentina, que é nosso principal fornecedor”.

Ainda segundo Abrahim, a tendência é de que as importações de trigo pela cota venham dos Estados Unidos e do Canadá. Além de balizar o mercado, ela estimula a importação de trigo de outros países além da Argentina e tem o objetivo de garantir a oferta do produto.

“O estabelecimento de cotas também é uma questão política, já que o governo está negociando vários acordos envolvendo o comércio”, disse.

Produção em Minas – Na safra 2018/19, a produção de trigo, em Minas Gerais, somou 200 mil toneladas, queda de 30% frente ao volume colhido na safra anterior. A redução ocorreu em função de altas temperaturas, doenças e chuvas. Mesmo com a retração, a produção de trigo no Estado é lucrativa. Com qualidade alta, equivalente ao trigo canadense, a demanda é elevada e o preço médio pago pela tonelada ficou em torno de R$ 900 neste ciclo produtivo.

De acordo com o presidente da Atriemg, a produção de trigo tem espaço para crescer significativamente no Estado. A expansão é impedida pela alta tributação em relação ao mercado de São Paulo, maior consumidor e melhor mercado para o trigo mineiro. O consumo de trigo no Estado chega a 1 milhão de toneladas ao ano.

“Nós temos condições de, em dois ou três anos, ampliar a produção de Minas. Mas, para que isso ocorra, é preciso comercializar com o mercado de São Paulo. Hoje, o trigo vendido de Minas para São Paulo é taxado em 12%, e o que vem de lá para nosso Estado é taxado em 2%. Vamos pleitear junto ao governo do Estado que essa taxa seja equalizada. Caso ocorra a equalização da taxa, em dois ou três anos, a produção pode chegar a 500 mil toneladas”, destacou.