Segundo a organização do seminário, são esperados, ao todo, 200 participantes, entre produtores de cachaça, empresas e apreciadores - Crédito: Carlos Alberto / Imprensa - MG

Com o objetivo de atualizar os produtores e demais profissionais do setor da cachaça artesanal, será realizada, nos dias 13 e 14 de novembro, a segunda edição do Seminário Mineiro da Cachaça.

O evento, que ocorrerá em Belo Horizonte, também é visto como importante oportunidade para discutir o mercado, qualidade, regulamentação da atividade e a certificação da cachaça.

De acordo com a diretora de Agroindústria e Cooperativismo da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Renata De Paoli, a programação é ampla e terá painéis voltados para a divulgação de tendências, mercado da cachaça, marketing e legislação.

Ao todo, são esperados 200 participantes entre produtores, apreciadores, empresários, empresas e instituições ligadas ao setor.

“A programação foi estruturada em painéis que terão como objetivo mostrar as tendências, a valorização, a inovação e as necessidades do mercado de bebidas. Vamos abordar também a cachaça como patrimônio cultural, a legislação ambiental, mercado, marketing e competitividade. Além disso, teremos um painel onde vamos mostrar a importância da gastronomia para a divulgação do produto”, explicou Renata.

O evento também terá divulgação de pesquisas desenvolvidas em universidades e que são voltadas para o setor.

Certificação – Outro assunto que será abordado é a certificação da bebida, através do programa Certifica Minas Cachaça. Dentre as vantagens proporcionadas pela certificação estão a agregação de valor e a garantia da qualidade e sanidade do produto, questões fundamentais para que o produto se destaque no mercado. Hoje, no Estado, quatro estabelecimentos, responsáveis por oito marcas, estão certificados.

“A produção de cachaça que é certificada atende a diversos critérios de qualidade, sanidade e, também, assegura que a produção é sustentável, respeita o meio ambiente e as questões sociais. Muitos consumidores já buscam no mercado por estes produtos certificados”.

O diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima, explica que eventos como o seminário são extremamente importantes por levar informações relevantes aos produtores da cachaça.

“Minas Gerais é um Estado importante na produção da cachaça. Durante o evento, serão apresentados informações, os desafios que o setor vem enfrentado e as oportunidades. A cachaça precisa ser enxergada, primeiro, como nacional, que é produzida de norte a sul do País, e a cachaça precisa ser vista, também, como um vetor de geração de empregos e renda. Uma melhor informação ao produtor de cachaça é extremamente importante para que o setor possa evoluir e os produtores se beneficiarem, cada vez mais, desse setor”, explicou Lima.

Entidades defendem formalização

O melhor desempenho da atividade também depende da maior regulamentação dos alambiques. De acordo com o diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima , as últimas informações disponíveis sobre o número de produtores (Censo Agropecuário 2017), mostram que no País existiam 11.023 produtores de cachaça.

Já os dados do Anuário da Cachaça, divulgado pelo Mapa, apontam que apenas 1.382 estabelecimentos, no Brasil, são registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A informalidade do setor é muito grande, ficando superior a 85% no País.

Em Minas Gerais, conforme o Censo, são 5.510 estabelecimentos e o Anuário da Cachaça identificou que apenas 525 são registrados. Ou seja, 90% dos produtores estão na ilegalidade.

“A falta de registro é uma questão muito grave, que precisa ser equacionada. A ilegalidade precisa ser combatida de forma que se possa inserir os produtores informais no mercado legal. É preciso mostrar aos produtores as vantagens de se operar no mercado legal”, disse Lima.

Para a executiva sindical do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas), Tatiana Santos, o seminário também será uma oportunidade para que os produtores sejam conscientizados em relação à importância de regulamentar a produção.

Um dos principais pontos que limitavam a regulamentação dos alambiques, a alta carga tributária, foi resolvido com a inclusão da cachaça no Simples Nacional em 2018, o que deve favorecer a maior regulamentação das unidades.

“Em 2018, nós tivemos, em Minas Gerais, quase 80% das cachaçarias regulares que entraram com o Simples Nacional, ou seja, fazendo com que elas pudessem ter mais competitividade no mercado. A produção de cachaça sofre muito com as altas cargas tributárias, então a entrada no Simples facilitou muito a regularização”, afirma.

Ainda segundo Tatiana, a atuação incisiva do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) na realização de fiscalizações tanto de produtores quanto dos pontos de venda para fomentar o comércio da cachaça legalizada também tem contribuído para inibir o produto clandestino e incentivar a regularização dos alambiques.

“As entidades representativas do setor vêm trabalhando de várias formas para esclarecer as dúvidas e contribuir para que os produtores regularizem a fabricação da cachaça. O setor precisa crescer e se desenvolver de uma forma correta e legal. O Simples, na parte tributária, reduz muito as taxas, e a questão de fiscalização mais incisiva também estimula a regularização”, explicou Tatiana Santos.