Retorno das chuvas deve contribuir para alta da oferta do leite e continuidade na queda dos preços - Crédito: Eduardo Seidl/Palácio Piratini

Após apresentarem reação em setembro, os preços do leite no campo voltaram a retrair em outubro. De acordo com a pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço pago ao produtor em outubro, referente ao leite captado em setembro, foi de R$ 1,37 por litro na média líquida em Minas Gerais, queda de 1,39% em relação ao mês anterior.

Assim como em Minas Gerais, maior produtor de leite do País, os preços do leite pagos ao produtor também apresentaram queda na média líquida Brasil. Em outubro, o litro foi negociado a R$ 1,36, ligeira retração de 0,68% em relação ao mês anterior.

Segundo os pesquisadores do Cepea, normalmente, a tendência é de que os preços do leite recuem a partir de setembro, quando ocorre aumento da produção no Sul do País e o retorno das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste.

No entanto, em 2019, o movimento de queda dos valores é considerado atípico para o período, uma vez que a retomada da produção está mais lenta que o habitual, em função do atraso das chuvas e também devido às incertezas dos produtores em realizar investimentos de médio e longo prazos.

De acordo com o levantamento do Cepea, de agosto para setembro, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) registrou alta de 2,9%, sendo que a expectativa era de que essa variação fosse substancialmente maior.

Apesar do avanço menor que o esperado na captação, os preços do leite spot – negociado entre indústrias – caíram e as indústrias cederam à pressão de atacadistas para reduzir as cotações dos derivados lácteos.

Em Minas Gerais, por exemplo, o preço do leite spot caiu 6,3% de agosto para setembro, chegando a R$ 1,44 por litro. O UHT e a muçarela se desvalorizaram 2,41% e 3,59%, respectivamente.

Margem pressionada – Mesmo com a queda significativa dos preços dos produtos industrializados, as empresas não conseguiram reduzir, em níveis equivalentes, os preços pagos aos produtores, o que aconteceu em função da oferta ainda baixa no campo e pela demanda elevada pelo leite por parte dos laticínios.

Os pesquisadores do Cepea ressaltam que os preços do leite no campo são influenciados pelos mercados de derivados e spot, mas com atraso de cerca de um mês. Dessa forma, os preços de novembro, referente à captação de outubro, irão depender das negociações de spot e derivados de outubro. O levantamento do Cepea mostra que, no último mês, o mercado de leite spot registrou alta de 1,7% em Minas Gerais, chegando a R$ 1,43 por litro.

Para novembro, a tendência é de novas quedas. O retorno das chuvas em outubro deve favorecer a captação de leite, o que pode ampliar a oferta e impactar de forma negativa nos preços pagos pelo leite. A intensidade da queda vai depender, justamente, da capacidade de crescimento da produção.

Regiões – Em outubro, referente à produção entregue em setembro, foi verificado recuo nos preços do leite em todas as regiões do Estado. Na Zona da Mata mineira, o valor médio líquido pago pelo litro de leite encerrou o período em R$ 1,30, variação negativa de 1,51%.

No Sul e Sudoeste, o preço líquido chegou a R$ 1,39, na média líquida, queda de 2,18%. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) o preço do leite apresentou variação negativa de 2,4% e foi negociado a R$ 1,33, média líquida.

No Vale do Rio Doce, a média líquida do leite ficou em R$ 1,29, recuo de 0,56%. Retração também no Triângulo e Alto Paranaíba, com o litro comercializado a R$ 1,41, preço 1,19% menor.

Controle da mastite é desafio para setor leiteiro

A qualidade do leite é um dos principais desafios enfrentados pelo setor lácteo e pode ser influenciada por fatores como manejo, alimentação, genética, saúde das vacas, além de condições ligadas à obtenção, resfriamento e armazenagem. “Dentre esses, a inflamação da glândula mamária (mastite) representa a principal influência negativa sobre a qualidade e quantidade do leite produzido”, aponta a coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Bovinocultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Cristiane Viana Guimarães Ladeira.

A mastite está entre as enfermidades que mais afetam os rebanhos leiteiros no mundo, causando perdas econômicas para o produtor de leite e para a indústria de laticínios em função da redução da quantidade e do comprometimento da qualidade do leite produzido. A doença pode, inclusive, causar a perda total da capacidade secretora da glândula mamária.

“Os programas de prevenção e controle da mastite são baseados em práticas de manejo na ordenha, com ênfase na desinfecção dos tetos pós-ordenha, utilização correta do equipamento de ordenha, antibioticoterapia terapêutica e profilática e segregação ou descarte de animais persistentemente infectados”, explica Cristiane.

A pesquisadora alerta que a contagem de células somáticas (CCS) do leite total do rebanho é um importante indicativo da prevalência de mastite e da qualidade da composição do leite.

“Rebanhos com baixas CCS apresentam menores perdas na produção e produzem leite com melhor qualidade composicional. Pesquisas demonstram que, nesses rebanhos, há uma redução no uso de antibióticos para tratamento da mastite, o que reduz também o risco de contaminação do leite com resíduos”, afirma Cristiane, que complementa. “O Brasil tem apresentado muitos avanços em relação à qualidade do leite produzido, principalmente após a implementação da legislação para o setor de lácteos”.

A mastite e vários outros fatores que podem influir na qualidade final do leite, como alimentação, nutrição, controle de carrapatos e pastagens, serão abordados por pesquisadores da Epamig, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, hoje e amanhã (7), durante o treinamento “Estratégias para melhoria da qualidade do leite”. O curso, que acontece no Campo Experimental Santa Rita, em Prudente de Morais, é destinado a extensionistas da regional Unaí da Emater-MG. (Com informações da Seapa)