Na cultura do algodão o objetivo do vazio sanitário é controlar o Bicudo-do-algodoeiro - Crédito: Divulgação

Para reduzir a incidência de pragas e, consequentemente, os prejuízos, será realizado, em Minas Gerais o vazio sanitário do algodão e do feijão. De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), durante o vazio sanitário fica proibida a manutenção de plantas das culturas no campo.

A medida é considerada fundamental para reduzir a incidência de pragas quando ocorrer o plantio e desenvolvimento da cultura. No caso do feijão, o vazio sanitário começou na sexta-feira (20) e vai até 20 de outubro. Já no algodão são dois períodos de vazio sanitário, um que começou dia 20 de setembro e vai até 20 de novembro e o segundo que será de 30 de outubro a 30 de dezembro, em áreas irrigadas e abaixo de 600 metros de altitude.

De acordo com o gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, Nataniel Nogueira, o vazio sanitário é uma medida de manejo que serve para diminuir a população de patógenos durante a entressafra das culturas.

“A medida é adotada para que, quando chegar o período de safra, a população de pragas esteja em volume reduzido, uma vez que não terá o ambiente para se reproduzir”, disse.

Na cultura do algodão o objetivo é controlar o Bicudo-do-algodoeiro. A praga é a principal que acomete as lavouras, causando perdas de produtividade e provoca alto custo com a necessidade de mais pulverização para tentar controlar a infestação.

“Para o controle do Bicudo-do-algodoeiro a recomendação é de um vazio sanitário de 60 dias, período em que todas as plantas de algodão devem ser eliminadas para que não exista ambiente de reprodução da praga. Quando presente na cultura, a praga fura a flor do algodão e se instala, destruindo a flor e causando queda na produção. O controle de praga também é uma economia para o produtor, que vai gastar menos com insumos. Quando a infestação diminui, o número de aplicação de agrotóxico é menor, assim como o uso da mão de obra”.

De acordo com as informações do IMA, o vazio sanitário do algodão vale para as plantações de todo o Estado e é realizado desde 2009 por um prazo de 60 dias, iniciando em 20 de setembro e prosseguindo até 20 de novembro. A produção mineira de algodão se concentra nas regiões do Triângulo, Alto Paranaíba, Noroeste e Norte. A segunda etapa, nas propriedades com áreas irrigadas localizadas abaixo de 600 metros de altitude, o vazio sanitário do algodão acontece de 30 de outubro a 30 de dezembro.

Safra – O controle da praga é fundamental para a maior produtividade no Estado. Na safra 2018/19 foi observada expansão de 70% na produção de algodão em caroço, que somou 168,7 mil toneladas. A área de plantio cresceu 68%, com o uso de 42 mil hectares. A produtividade, 4 toneladas por hectare, ficou 1,3% maior. Somente a produção de algodão em pluma chegou a 67,5 mil toneladas, crescimento de 70,1%. A produtividade ficou 1,3% superior, com o rendimento médio de 1,6 tonelada por hectare.

Feijão – Na cultura do feijão, o gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, Nataniel Nogueira, explica que o objetivo do vazio sanitário é controlar a população da mosca- branca, que transmite o vírus do mosaico dourado.

“A praga causa o desfolhe das plantas e, consequentemente, a morte. O prejuízo é grande para o produtor”, explicou.

De acordo com os dados do IMA, o vazio sanitário para o feijão foi adotado no Estado em 2013 e é realizado simultaneamente com o Distrito Federal e Goiás, que fazem fronteira com o Estado, o que potencializa os resultados positivos da medida.

O manejo sanitário dura 30 dias, com início em 20 de setembro e encerramento em 20 de outubro. É realizado somente na região Noroeste de Minas, nos municípios de Arinos, Bonfinópolis de Minas, Brasilândia de Minas, Buritis, Cabeceira Grande, Chapada Gaúcha, Dom Bosco, Formoso, Guarda-Mor, João Pinheiro, Lagoa Grande, Natalândia, Paracatu, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Urucuia e Vazante.

A decisão de estabelecer o vazio para a região especifica é da Câmara Técnica de Defesa Agropecuária, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e atende a reivindicação dos produtores locais. Isso porque a região é um importante polo produtor e os agricultores querem se prevenir contra a presença da praga do mosaico dourado nas lavouras.

Este ano, serão realizadas 122 fiscalizações, sendo 45 na cultura do algodão e 77 na produção de feijão. Durante as fiscalizações do IMA, caso sejam encontradas plantas vivas de algodão e feijão, o produtor será notificado e terá 10 dias para eliminar as plantas. Após este período, os fiscais voltam à propriedade e caso encontrem plantas vivas das espécies é feito um auto de infração.

“O produtor está muito mais consciente da importância de se respeitar o período do vazio sanitário. A cada ano, o número de infrações é menor. Em 2018, das 57 fiscalizações feitas no feijão, em apenas cinco foram achadas plantas vivas, que foram eliminadas. No caso do algodão, das 26 fiscalizações, foram notificados sete produtos, que também exterminaram as plantas no período de 10 dias. O produtor sabe que é uma forma de fazer um controle eficiente e de custo zero”.