Entre os destaques da inflação em setembro está a queda de 16,17% nos preços do tomate - CREDITO:ALISSON J. SILVA

Rio – Os preços dos alimentos recuaram mais uma vez e ajudaram a derrubar a inflação de setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou o mês em queda de 0,04%, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O grupo alimentação e bebidas cai 0,43%, o segundo recuo seguido, e foi o principal fator que contribuiu para a queda do índice geral. Também contribuiu a redução de 0,76% nos preços de artigos de residência, mas com menos peso no IPCA, apesar do recuo ter sido maior.

Dentro do grupo alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio ficou 0,70% mais barata, o quinto mês consecutivo de queda. Os destaques foram tomate (-16,17%), batata-inglesa (-8,42%), cebola (-9,89%) e frutas (-1,79%).

No grupo de artigos de residência, o destaque foi a queda de 2,26% nos preços de eletrodomésticos e equipamentos.

Já o grupo saúde e cuidados pessoais subiu 0,58%, enquanto vestuário sub

Os grupos habitação, transportes, educação e comunicação variaram pouco e não tiveram influência no IPCA.

Com o resultado de setembro, a inflação no ano acumula alta de 2,49%. Já nos últimos 12 meses Nos últimos 12 meses, ficou em 2,89%, bem abaixo dos 3,43% registrados em agosto.

Dos 16 locais pesquisados pelo IBGE, 10 registraram deflação em setembro. O principal deles foi São Luís (MA), com queda de 0,22%, principalmente devido à queda da energia elétrica na cidade, que chegou a 6,97%.

Goiânia, por sua vez, teve a maior variação positiva: 0,41%. De acordo com o IBGE, a inflação na capital de Goiás se deu por causa da alta no preço da gasolina, que chegou a 2,80%.

Julia Passabom, economista do Itaú que analisa indicadores de inflação, viu com bons olhos a queda nos preços. “Foi abaixo do que esperávamos. Tínhamos uma previsão alta de 0,01%, mas a inflação para baixo é uma surpresa boa e com essa composição melhor ainda. Parte da surpresa que tivemos foram de itens que compõem o núcleo da inflação, como setores de serviços e industriais, que rodam tranquilos”, afirmou.

Luca Klein, analista da 4E Consultoria responsável pela inflação, também fez a análise com base nos dados dos núcleos. “A média anualizada dos núcleos desacelerou pelo segundo mês consecutivo (1,11% ante 2,96%). No acumulado em 12 meses, a média dos núcleos marcou 3,18%, mantendo a tendência de desaceleração observada desde abril (3,95%). Na mesma métrica, chama atenção a desaceleração dos itens administrados, que ficou em 2,87% e marcou o menor valor desde janeiro de 2014 (2,13%)”, disse.

Com a deflação de setembro, tanto Passabom quanto Luca Klein, analista da 4E Consultoria, revisaram a projeção da inflação para o fim do ano. A 4E reduziu a previsão de 3,9% para 3,6%. O Itaú ainda não anunciou o novo índice, mas deve ficar abaixo dos 3,4% atuais.

“Com a leitura de hoje e as nossas transições para os próximos meses, temos previsão de baixa”, apontou Passabom.

“Desta forma, o ano de 2020 também foi revisado, porém com a tendência de uma recuperação da atividade econômica mais robusta em conjunto aos maiores estímulos monetários, a inflação do ano deve ser maior do que a do ano vigente, estimamos 4,4% ante 4,6%”, acrescentou Klein.

INPC – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação da cesta de compras de famílias com renda até cinco salários mínimos, teve deflação (queda de preços) de 0,05% em setembro. É a menor taxa para o mês desde 1998 (-0,31%).

Em agosto, o INPC havia registrado inflação de 0,12%. Com o resultado de setembro, o índice acumula 2,63% no ano e 2,92% em 12 meses.

Em setembro, o INPC anotou queda de preços mais acentuada que o IPCA, que é o índice de preços oficial e que teve deflação de 0,04%. Apesar disso, em 12 meses, o INPC acumula inflação mais alta que o IPCA (2,89%).

Em setembro, os alimentos tiveram queda de preços de 0,42%, enquanto os produtos não alimentícios registraram inflação de 0,11%. (ABr/Folhapress)

Guedes fala em redução dos juros

São Paulo – O cenário de inflação baixa mostra que o país pode reduzir juros, afirmou ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, após divulgação de deflação no mês de setembro.

“(Dado da inflação) mostra que está tudo sob controle, isso é bom. Inflação baixa quer dizer que o Brasil tem condições de baixar juros”, disse o ministro.

“O que está acontecendo é que a economia está começando a crescer e com a inflação baixa”, acrescentou.

O BC cortou a Selic para 5,50% ao ano no mês passado e sinalizou espaço para novo afrouxamento, o que fez economistas ajustarem suas apostas recentemente. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 29 e 30 de outubro.

Pacto – Questionado sobre os próximos passos do governo, Guedes reiterou ontem que, após a votação da reforma da Previdência no Senado, o pacto federativo entrará em pauta.

“Próxima fase é o pacto federativo, reforma administrativa é um capítulo desse plano maior que é o pacto federativo”, disse ele, em breve fala. (Reuters)