Complexos de energia solar da Alsol terão capacidade instalada de 75 megawatts-pico voltada para a geração distribuída - Crédito: Divulgação/Alsol

Minas Gerais segue atraindo investimentos vultosos em energia solar. Depois de a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Mori Energia anunciarem investimentos da ordem de R$ 600 milhões na construção de fazendas solares no Estado, agora a Alsol Energias Renováveis, empresa do Grupo Energisa, acaba de anunciar outros R$ 300 milhões na implantação de sistemas fotovoltaicos em cidades mineiras.

De acordo com o presidente da Alsol, Geraldo Mota, o projeto prevê a implantação de 15 fazendas com potência de 5 Megawatts-pico (MWp) cada, totalizando 75 MWp de potência instalada, todas voltadas para o segmento de geração distribuída. Três empreendimentos serão entregues até o fim do ano.

“São projetos que já se encontram em processo de implantação e que disponibilizarão energia mais em conta para clientes da baixa e média tensão, nos segmentos industrial e comercial, com descontos que podem chegar até 26% da tarifa, dependendo do ramo de atividade, do perfil de consumo e do plano contratado”, explicou. Sobre o fornecimento para clientes residenciais, o executivo disse que ainda não está no radar da empresa.

Além disso, produtos já comerciais de armazenamento de energia e mobilidade elétrica também serão disponibilizados a partir de 2020, que contam hoje com mais de 2 MW de potência utilizando baterias de lítio.

Os descontos serão oferecidos preferencialmente às empresas associadas à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio de parceria firmada com a entidade. Segundo Mota, no caso, a geração solar distribuída permitirá que empresários economizem sem fazer investimentos em infraestrutura.

O convênio será celebrado no dia 23 de outubro, no Minas Trend, evento da indústria da moda em Belo Horizonte. A Alsol terá um estande no local para apresentar o serviço e fechar negócio com as empresas interessadas.

“Trata-se de um produto desenvolvido especialmente para a Fiemg, visando oferecer alternativas para as indústrias mineiras, sejam elas clientes de baixa ou de média tensão”, ressaltou.

Modelo – O presidente da Alsol explicou que, com este modelo de negócio, empresas não precisam ter os custos relativos ao investimento em placas solares ou dispor de espaços adequados à captação de luz do sol. Elas podem participar de consórcios para alugar uma cota de uma usina solar, dimensionada de acordo com o histórico de consumo.

“A Alsol é pioneira no Brasil em tecnologia de geração fotovoltaica. Agora, todas as indústrias mineiras podem contratar o serviço, desde que estejam na área de concessão da Energia ou da própria Cemig. Esse benefício funcionará como mais um diferencial competitivo para as empresas”, concluiu.

Enel demonstra interesse na Cemig

São Paulo – A multinacional de energia Enel, que em 2018 adquiriu a AES Eletropaulo, tem a intenção de comprar as distribuidoras estaduais Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Light (Rio de Janeiro) e GDF (Distrito Federal), segundo o principal executivo da empresa, Francesco Starace.

A Enel, que possui distribuidoras também no Ceará, Rio de Janeiro e Goiás, está de olho em concessionárias que teriam sinergias com suas operações e sobre as quais há expectativa de privatização ou mudança de controle, como a Light, que atua na região metropolitana do Rio, e a CEB, estatal de Brasília.

“Esse não é um mercado no qual você pode decidir: ‘quero comprar’. Alguém tem que estar vendendo, tem que achar uma combinação. Não sei o que haverá em 2020 no mercado no Brasil, pode ser a Light ou algo mais, mas estaremos olhando. Pode ser Brasília. Vamos olhar todo tipo de potenciais oportunidades”, disse Starace a jornalistas em evento da Enel em São Paulo.

Os italianos fecharam a compra por R$ 2,2 bilhões em 2016 da antiga Celg-D, de Goiás, que era controlada pela estatal Eletrobras, na primeira privatização em anos no setor de distribuição de eletricidade do Brasil.

Em 2018, o grupo voltou às compras e adquiriu o controle da Eletropaulo junto à norte-americana AES e outros acionistas, após uma oferta pública que movimentou R$ 5,5 bilhões por 73% da empresa.

Segundo Starace, a integração da ex-Eletropaulo junto à Enel tem sido mais rápida do que o esperado inicialmente, o que possibilitará à companhia voltar a avaliar negócios no setor no próximo ano.

A Enel também pretende em 2020 avançar em sua estratégia para a distribuidora paulista com um plano para digitalização das redes da elétrica que fornece energia na região metropolitana de São Paulo, região mais rica do país.

“Quando nós olhamos para a Eletropaulo, nós tínhamos claramente em mente que esse seria o lugar perfeito para desenvolver essa experiência que temos de transformação digital”, afirmou.

Starace disse que o movimento deverá começar com substituições de medidores dos consumidores por equipamentos mais modernos e digitais e que aguarda a certificação desses equipamentos e conversas com o regulador para anunciar o plano.

Na Europa, a Enel já está trocando a segunda geração de medidores inteligentes de energia – na Itália, são 33 milhões de equipamentos, e a companhia consegue substituir 18 milhões deles por ano.

Starace não antecipou investimentos previstos no plano e nem quantos medidores estariam envolvidos, ou o prazo previsto para a implementação. A área de concessão da Enel São Paulo tem cerca de 7 milhões de unidades consumidoras.

Em paralelo, a Enel também pretende seguir investindo fortemente em fontes renováveis no Brasil, onde possui atualmente cerca de 2 gigawatts em parques eólicos e solares em implementação, além de 2,4 gigawatts em ativos de geração já operacionais. (Folhapress/Reuters)