Com assistência técnica e de gestão, produtividade média é de 4.632 litros de leite por hectare/ano - Foto: Bento Viana/Divulgação

O acesso à assistência técnica e o controle gerencial das unidades produtoras de leite são ferramentas essenciais para que as fazendas se tornem competitivas e consigam superar períodos de preços baixos pagos pelo produto no mercado. Em Minas Gerais, os pecuaristas de leite que participam do Programa Balde Cheio têm obtido resultados positivos, que vão desde a ampliação da produtividade do rebanho até a melhor condição financeira para manter os investimentos constantes na melhoria de estruturas e da genética dos bovinos.

Há 12 anos sendo executado no Estado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o Balde Cheio tem técnicos para orientar os produtores sobre a importância de uma boa gestão da propriedade, na tomada de decisões, solucionando gargalos e otimizando as unidades produtoras.

O coordenador do Programa Balde Cheio na Faemg, Wallisson Lara Fonseca, explica que, com a melhoria da gestão e o controle eficiente dos recursos e dos custos de produção, as unidades se tornam eficientes e, a cada ano, o produtor consegue ampliar os recursos destinados a investimentos.

“Já observamos que os produtores investem cerca de 30% da renda bruta na atividade ao ano. Este recurso é voltado para a aplicação de tecnologias, melhoramento da estrutura, da genética, do manejo, na melhoria das pastagens e na alimentação mais balanceada dos animais. O produtor fica mais competitivo, o que é importante para que ele mantenha o bom desempenho mesmo em épocas de crise, como nos períodos de queda nos preços do leite ou de aumento dos custos de produção”.

O projeto está presente em todas as regiões do Estado e, a cada ano, é ampliado o número de municípios e de produtores participantes. Segundo os últimos dados, somente em 2017 foram atendidos cerca de 2.500 produtores, distribuídos em 330 municípios. Para 2018, a expectativa é ampliar o projeto para 340 municípios e atender, pelo menos, 2.550 pecuaristas.

“É um trabalho árduo, mas que traz resultados muito positivos para os produtores. Os técnicos do Balde Cheio trabalham junto ao produtor orientando na gestão da atividade dentro da porteira, mensurando os custos de produção, as técnicas empregadas, auxiliando nas tomadas de decisões e definindo ações conforme os dados levantados nas propriedades. Dessa forma, as decisões se tornam mais assertivas e os gargalos são solucionados”, explicou Fonseca.

Participam do projeto produtores de todos os portes. As unidades atendidas têm, em média, 50 hectares, mas variam de 1 hectare até 770 hectares. Entre os participantes, a média de captação diária está em 395 litros por propriedade. Vale destacar que 22% dos pecuaristas produzem mais de 500 litros de leite ao dia.

O auxílio técnico e o monitoramento constante das unidades permitem que os indicadores zootécnicos – que mensuram a saúde do rebanho, manejo, estruturação, entre outros pontos – fiquem muito próximos aos níveis ideais. Nas propriedades atendidas pelo Balde Cheio, o índice de vacas por lactação, por exemplo, está em média a 77%, sendo o ideal 83,33%.

“Esse indicador mostra que a atividade que está rodando perfeitamente. Com pastagem adequada, saúde do rebanho em perfeitas condições e alcançando eficiência produtiva”, explicou Fonseca.

Produtividade – Com a garantia da saúde do rebanho e a estrutura adequada, um dos principais resultados alcançados é no aumento da produtividade, fator que torna o produtor mais competitivo. De acordo com Fonseca, a produtividade média registrada nas fazendas participantes do Balde Cheio está em 4.632 litros de leite por hectare ao ano.

“É um volume muito interessante quando comparado com os principais players mundiais como a Argentina (4.500), o Uruguai (4.300) e a Nova Zelândia (4.100). O volume também está acima da média nacional, que gira em torno de 1.500 litros de leite por hectare ao ano. Esse resultado comprova que a metodologia é eficiente e importante para o melhor desempenho dos produtores rurais. Com uma produtividade alta, o negócio se torna sustentável, favorecendo o aumento da renda e a sucessão familiar”.