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O comércio e o turismo de Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais, vêm reagindo, aos poucos, às perdas provocadas pelo risco de rompimento da barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, da Vale. Para estimular as negociações e a visitação na cidade, foi lançada, em junho, a campanha “Barão é Muito Mais”. Com a realização de eventos e campanha de valorização da cidade, a movimentação tem aumentado, mas ainda está abaixo do normal.

De acordo com o diretor da Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Barão de Cocais (Aciabac), Bruno Quintão, o lançamento da campanha “Barão é Muito Mais” tem gerado resultados positivos. Através da campanha foi criada uma marca que vem sendo utilizada pelos comerciantes da cidade para estimular o comércio e o turismo.

Também foi desenvolvida uma linha de produtos, voltados principalmente para os turistas, com a logomarca da campanha, que incluem camisas, chaveiros, eco bag entre outros.

A iniciativa é considerada fundamental para a retomada econômica do município, uma vez que empresários ainda enfrentam perdas próximas a 30% ou maiores, dependendo da região onde a atividade comercial é desenvolvida e o setor de atuação.

“Diante dos problemas enfrentados pelo risco de rompimento da barragem, resolvemos lançar a campanha para estimular a atividade econômica no município. Apesar da marca pertencer à Aciabac, não restringimos o uso somente aos nossos associados. A marca vem sendo usada em diversas iniciativas que buscam a retomada do município”, explicou Quintão.

Ainda segundo Quintão, o comércio da cidade vem reagindo devido a vários eventos realizados, como o estímulo ao turismo esporte e de aventuras. Também tem sido evidenciada a culinária tradicional e eventos culturais com a participação de artistas locais.
Porém, alguns empresários e produtores rurais tiveram a atividade inviabilizada por estarem em áreas consideradas de risco e continuam acumulando prejuízos.

“A visitação ao município vem aos poucos retomando, mas ainda temos muitas pessoas com prejuízos porque tiveram que abandonar os negócios ou mudaram de local. Estas pessoas ainda estão buscando soluções junto à Vale. Entre os afetados estão produtores rurais, comerciantes e pessoas que viviam da atividade turística. Além disso, muitos potenciais visitantes deixam de visitar a cidade por medo ou por não saber onde pode ocorrer acidente em caso de rompimento da barragem”, disse.

Mineradora – Em resposta ao questionamento de como estão sendo assistidas as pessoas que tiveram a atividade econômica inviabilizada pela possibilidade de rompimento da barragem, a Vale, em nota, explicou “que o Termo de Compromisso, assinado com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais em 5 de abril de 2019, também abrange os produtores rurais. Os atingidos que tenham interesse na solução consensual para indenização por danos materiais e morais, em razão da evacuação da barragem Sul Superior, podem procurar o escritório da Vale, situado rua José de Paula, 104, 2º andar, bairro Vila Regina, que funciona de segunda a sexta-feira, de 9h às 18h. Os interessados devem estar acompanhados pela Defensoria Pública ou por advogados. A Vale ressalta que, embora tenha criado esta via direta de negociação consensual, caberá ao atingido optar pelo meio mais adequado para buscar seus direitos”.

Para evitar danos maiores, caso ocorra o rompimento da barragem, a Vale está investindo na construção de um muro para a contenção dos rejeitos. Segundo Quintão, as obras têm atraído profissionais para a cidade, o que também tem ajudado na recuperação do comércio.

“O risco da barragem não mudou, continua no nível três, mas as pessoas não podem parar a vida. O comércio e o turismo estão funcionando e estamos adaptando a cidade, exemplo disso, são algumas agências bancárias que estavam em áreas de risco e agora estão mudando para áreas seguras”.