Nos eventos em que apresentamos as artesanais, a percepção muda, se encantam, diz Zulu - Crédito: Divulgação

Exportada para mais de 60 países e segunda bebida alcoólica mais consumida no Brasil, atrás apenas da cerveja, a cachaça é o principal insumo do trabalho do premiado bartender brasileiro Laércio “Zulu”. Eleito melhor bartender de 2016 por uma aclamada revista do setor brasileiro, o profissional se tornou com o tempo um embaixador da legítima bebida brasileira por todo o mundo.

Convidado para participar do BCB Berlin (Feira Internacional de Bar e Bebidas) que acontece entre os dias 7 a 9 de outubro de 2019 no Station Berlin & Kühlhaus, ele mais uma vez leva a cachaça como um dos seus trunfos para agradar os mais sofisticados paladares europeus e mostrar que a bebida típica do Brasil é muito mais que um produto exótico e que tem potencial para representar a identidade brasileira assim como a tequila trabalha para os mexicanos e a uísque para os escoceses, por exemplo.

“Como profissional, trabalho com qualquer tipo de destilado, mas por uma opção, um foco sensorial na cachaça foi se destacando no meu trabalho. Me preparei para isso. Fiz cursos, busquei informação. Como brasileiro e negro a cachaça está na minha história, na minha ancestralidade e eu quero fazer a minha parte na valorização desse produto carregado de cultura que é tão nobre como bebida e ingrediente quanto qualquer outro destilado que exista no mundo”, explica Zulu.

Entre as conquistas e formações do bartender estão os cursos de especialização em cachaça pelo Grupo de Estudos e Degustação de Cachaças (Gedec) e direcionados em destilarias como “Destilaria Maison Leblon – MG”; “Engenho Pequeno – MG” e “Darcio Arvelos – MG”. No exterior, ministrou palestras sobre o destilado brasileiro em Londres (London Cocktail Week 2015 e 2016); Berlin (Bar Convent Berlin 2015) e New Orleans 2019 (Apresentação da Cachaça Avuá Bálsamo em Tales of The Cocktails).

De acordo com dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a bebida gera cerca de 600 mil empregos entre diretos e indiretos. São mais de 30 mil produtores, sendo 98% dele micro e pequenos empresários. São mais de 4 mil rótulos.

Os estados que mais se destacam na produção são: São Paulo, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba. São Paulo é o maior produtor de cachaça de colina e Minas Gerais o maior produtor de cachaça de alambique.

Zulu faz parte da academia (jurado) que escolhe os melhores bares do mundo desde 2014 e acompanha os maiores eventos de bar na Europa desde então – “London Cocktail Week; The World 50 Best Bars e Bar Convent Berlin”.

“Quando comecei a valorizar a cachaça algumas pessoas criticaram. Ainda existe um peso muito grande sobre a bebida, vista como algo menor se comparada aos destilados estrangeiros. Aos poucos as pessoas estão percebendo que isso é uma grande bobagem”, avalia o bartender que continua: “Existem bons e maus produtos em qualquer categoria e a cachaça é uma bebida que os estrangeiros também estão começando a descobrir. Normalmente eles têm acesso às marcas que produzem grandes volumes e exportam e já fazem sucesso. Nos eventos em que apresentamos outras opções, artesanais, a percepção deles muda, se encantam”.