Instituição mineira sediou encontro com agências e bancos de fomento da América Latina nos dias 19 e 20 de setembro - Crédito: Gustavo Baxter / NITRO

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) trabalha junto a agências e bancos de desenvolvimento do Brasil, da América Latina e europeus não apenas para buscar recursos para o Estado, como também para trazer a inteligência dessas instituições em áreas estratégicas como inovação, novos instrumentos financeiros, economia digital, fintechs e estruturação de projetos para os municípios. “O 1Oº Encontro de Economistas-Chefes dos Bancos de Desenvolvimento da América Latina”, realizado nos dias 19 e 20, na sede do BDMG, em Belo Horizonte, contribui para renovar e ampliar essas parcerias.

Segundo o presidente do BDMG, Sergio Gusmão Suchodolski, uma das prioridades é a estruturação de projetos para os municípios, especialmente em regiões com maior demanda de investimentos, como Norte e Jequitinhonha. Destaque para Mariana (Central) e Brumadinho (RMBH), que nos últimos quatro anos sofreram fortes impactos socioambientais e econômicos em decorrência de desastres na área de mineração. O banco já desenvolveu uma linha de financiamento para Mariana e prepara outra, para Brumadinho, a ser anunciada em breve.

“Estive nesta semana em Washington (EUA) conversando com o IFC (International Finance Corporation), com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial e tivemos conversas que evoluíram muito bem”, sinaliza Gusmão. Segundo ele, a expectativa é aprofundar esses entendimentos para captação de recursos e também para buscar inteligência em áreas como a de novos instrumentos financeiros e de estruturação de projetos para municípios.

“Às vezes a gente tem os recursos para os municípios, mas não tem um projeto bem desenhado. Hoje temos uma área no banco importante, que reformulamos, para atendimento aos municípios, que inclui a reestruturação de projetos, e que terá efeito prático muito grande”, projeta.

Perfil – Segundo Gusmão, o perfil da nova administração do BDMG é técnico, com uma diretoria que conhece os desafios de operar em um ambiente em desenvolvimento e com uma economia muito diversa.

“Há regiões para as quais precisamos ter muita atenção, como Norte de Minas e Jequitinhonha. É um Estado que teve duas tragédias recentes na mineração. E o banco já tem um papel importante em Mariana, com uma linha de crédito que lançamos em maio. E em Brumadinho também. Estamos participando do Comitê Pró-Brumadinho, do Estado, fazendo propostas e podendo estruturar projetos para o município”

A preocupação do BDMG é justificada. Segundo Gusmão, tanto Mariana, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, quanto Brumadinho, que sofreu forte impacto socioambiental e econômico com a ruptura da barragem de Córrego de Feijão, em janeiro deste ano, precisam se reinventar, diversificar as atividades econômicas e preparar o ambiente local para o futuro.

Crédito para explorar o potencial das cidades

Para Mariana, o BDMG já conta com linha específica, aberta a empreendedores de todos os portes, como os pequenos, individuais, até os médios e grandes. “Em Mariana há grande potencial turístico, e mesmo Brumadinho, que tem o Inhotim, que atrai pessoas do mundo inteiro, há potencial para empreendedores locais desenvolveram os seus negócios”, afirmou o presidente da instituição financeira, Sergio Gusmão Suchodolski.

Gusmão informou que, nesses municípios “há também espaço para instalação de empresas médias e maiores que já estiveram aqui conversando conosco. Existe uma vasta gama de oportunidades de investimentos para essas regiões, que vão diversificar a economia e dar oportunidade para empreendedores e dar futuro para essas regiões”. Segundo ele, há interesse, inclusive, na estruturação de projetos para a área de infraestrutura, ligando rodovias.

A linha de financiamento do BDMG para Mariana já está à disposição dos interessados e a de Brumadinho ainda está em fase de elaboração. “Estamos fazendo o desenho dessa linha. Estamos prontos para fazer o trabalho e já entregamos concretamente um leque bastante variado de ações que a gente pode trabalhar”, anuncia. Segundo ele, não há uma previsão objetiva para o lançamento dessa linha, mas a expectativa é de que ocorra em breve. “Ainda há conversas no Comitê Pró-Brumadinho”, explica.

Diversifica Mariana – O Fundo Diversifica Mariana foi lançado em maio, pelo BDMG, em parceria com a Fundação Renova, o Indi, a Câmara Municipal de Mariana e a Prefeitura de Mariana. Com um aporte de R$ 55 milhões da Fundação Renova para equalização de taxas de juros, o fundo tem como objetivo atrair empresas de diversos segmentos da economia para o município e região e, assim, diminuir sua dependência da atividade minerária. A estimativa do Indi é de que o potencial de atração de investimentos pode alcançar R$ 400 milhões.

Outras ações – Durante o evento realizado no BDMG, o presidente do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), Juan Notaro, comunicou parceria com o BDMG para viabilizar projetos em municípios de Minas.

De acordo com Gusmão, em agosto já foi assinado um memorando de entendimentos entre BDMG e Fonplata e que, no momento, a fase é de discussão técnica. “Ainda não definimos quais municípios serão beneficiados, mas em breve isso será definido, após assinatura do contrato, que deve ocorrer no início do ano que vem”, sinalizou.

Enquanto isso, argumentou, “vale lembrar que temos um edital para os municípios, da ordem de R$ 200 milhões, que lançamos em maio e que proporcionará aos municípios do Estado resgatarem a capacidade de investimento em varias linhas distintas”.

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