Crédito: AMINTAS VIDAL

AMINTAS VIDAL*

Apesar de usada à revelia para justificar diferença de preços entre carros de um mesmo segmento, a palavra premium, originalmente, distinguia carros luxuosos e de qualidade superior. No Brasil, Audi, BMW e Mercedes-Benz são alguns exemplos de marcas que ostentam essa fama.

Este é um mercado de pequeno volume em vendas e o preço das unidades é que viabiliza o negócio. Contudo, no fechamento de 2018, a BMW registrou 2.981 emplacamentos do Série 3 na versão 320i (29,18% de participação no segmento de sedans grandes) e 288 unidades na versão 328i (mais 2,82% das vendas desta categoria).

Com exatos 32% do total, o Série 3 fechou o ano passado com uma liderança folgada sobre o Volkswagen Passat (1.474 unidades e 14,43% de participação) e o Mercedes-Benz CLA (1.209 unidades e 11,83% de participação), segundo e terceiro colocados entre os sedans grandes.

Neste ano, até o fechamento de agosto, as versões 320i e a nova 330i, substituta da 228i, já venderam 787 e 775 unidades, respectivamente. Estes números somados representam 30,41% do total do segmento. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

330i M Sport – DC Auto recebeu o BMW Série 3 330i M Sport para avaliação. Essa versão tem preço sugerido de R$ 269,95 mil com pintura sólida. A unidade avaliada tinha pintura metálica na nova cor azul Portimao, que eleva a etiqueta em R$ 1,99 mil.

Esta versão foi a primeira Série 3 da sétima geração a desembarcar no Brasil. Em medidas, ela ganhou 41 mm no entre-eixos, 43 mm na bitola dianteira e 21 mm na traseira. Ela está 76 mm mais comprida, 16 mm mais larga e 6 mm mais alta que a sexta geração.

Em relação à 328i M Sport da sexta geração, praticamente todo o design externo e interno foi renovado neste modelo 2020. Nas laterais, novos vincos, elevados acima e curvos abaixo, conferiram dinâmica e robustez ao mesmo tempo, assim como as formas pronunciadas do capô e da tampa do porta-malas.

O para-choque dianteiro ganhou aberturas maiores e desenho mais robusto, enquanto o traseiro, também mais encorpado, recebeu extrator em preto com dupla saída de escapamentos.

Os faróis foram ampliados, recortados em duas partes e permanecem encostados na grade central em “duplo rim” que está mais ampla e avançada que nunca. Finalizando, as lanternas estão mais estreitas, compridas e têm luzes em LED. As rodas de 19 polegadas continuam com cinco raios duplos, porém, com desenho mais angulado e menor espessura em cada raio.

Interior – O design interno está mais horizontal, simétrico e menos volumoso. As partes dos painéis, portas e console central ganharam desenho mais geométrico, assim como as saídas de ar, as maçanetas e os botões de comando.

O sistema multimídia está posicionado mais baixo e próximo às mãos, alinhado com o painel de instrumentos que, agora, é 100% digital. O volante é novo, assim como os bancos e o desenho das partes que compõe o seu revestimento.

Os principais equipamentos do BMW 330i M Sport são: ar-condicionado digital de três zonas, direção esportiva variável, BMW Live Cockpit Professional (painel de instrumentos com tela 12,3 polegadas conjugada à central multimídia com tela de 10,25 polegads), head up display (projeção de informações no para brisa), Parking Assistant Plus com Surround View (assistente de estacionamento com visualização externa virtual) e Driving Assistant Professional (auxílios de condução semiautônoma).

Também estão presentes: faróis BMW Laserlight com comutação automática dos fachos alto e baixo, chave presencial e abertura e fechamento automático do porta-malas, sistema de som surround Harman Kardon com 16 alto-falantes, pneus run-flat, revestimento em couro Vernasca, entre outros.

M Sport – O pacote M Sport diferencia os seguintes itens: os para-choques e as soleiras das portas, os freios, o acerto das suspensões, o design do volante e dos cintos de segurança, as rodas de 19 polegadas, os bancos dianteiros esportivos e o revestimento do teto.

Todos os BMW 330 são equipados com o motor 2.0 turbo com injeção direta e movido à gasolina. O bloco é de quatro cilindros em linha e o cabeçote conta com duplo comando de válvulas tracionado por corrente com variação de abertura na admissão e na exaustão.

Ele fica em posição longitudinal, acoplado a um câmbio automático de 8 marchas com conversor de torque e tração traseira por eixo cardam. Sua taxa de compressão é de 10,2 /1, a potência atinge 258 cv as 5.000 rpm e seu torque máximo é de 40,8 kgmf à partir das 1.550 rpm. A versão acelera de 0 aos 100 km/h em 5,8 segundos e a velocidade máxima é de 250 km/h.

Entre as três marcas alemãs que dominam a categoria premium, a BMW é que tem o acerto mais esportivo em seus carros e isso começa pelo design e, consequentemente, reflete na ergonomia.

O Série 3 tem uma posição muito baixa dos bancos e, ao assentarem, motorista e passageiro ficam envolvidos pelo console central e apoios dos braços. Apesar da sensação de proteção e de todos os comandos ficarem à mão, algo muito positivo, as pernas ficam muito esticadas, pois não há muita altura entre o piso e o assento.

Para as cabeças, pernas e ombros de quatro adultos existe espaço de sobra, porém, no meio do banco traseiro, mal cabe uma criança, pois o túnel central é muito alto para poder acomoda o eixo cardam.

Para um veículo com vocação esportiva, consumo surpreende positivamente

No interior da Série 3, todas as partes são revestidas por forrações macias ao toque ou são peças construídas em materiais como alumínio, aço ou mesmo em borracha ou plástico, mas tudo muito bem injetado e com encaixes perfeitos.

O revestimento em couro Vernasca pode ser escolhido entre quatro cores para combinar com os predominantes preto e cinza dos emborrachados e das partes em alumínio. Além do padrão em preto, o couro pode vir em bege, caramelo ou café, como nesta unidade avaliada.

Filetes de luzes em LED posicionados nas portas e painéis sofisticam a ambientação. Detalhes do pacote M Sport aplicados nas cores azul e vermelho no cinto de segurança, no emblema do volante e nas soleiras nas portas fazem lembrar que esse veículo luxuoso também é esportivo.

Rodando – Ao pisarmos com vontade no acelerador, o motor acorda rapidamente e empurra os 1.470 kg desta versão sem cerimônia. O som do motor é agradável, principalmente na programação Sport, quando fica mais grave.

Mas apenas nessas horas de maior diversão é possível ouvi-lo. A disponibilidade de oito marchas deixa o motor sempre em baixas rotações e, em estradas, escutamos apenas o contato dos pneus com o asfalto, pois as rodas são grandes e, o perfil deles, muito baixo (225/40 na frente e 255/35 atrás), o que exige uma alta calibragem. A aerodinâmica é exemplar e não se ouve o vento contra a carroceria.

A direção é leve, mas muito direta, como deveria ser em todos os carros. O sedan grande faz curvas como se fosse um compacto. Diversos sistemas de auxilio ajudam ao estacionar, e são quase obrigatórios, pois o carro é longo e largo e a posição baixa do motorista não ajuda na visibilidade.

O destaque da programação é a manobra reversa. Ela memoriza até 50 metros do percurso em uma garagem, por exemplo, e repete a operação em marcha à ré automaticamente, facilitando a saída.

Os recursos mais interessantes são os de auxílio à condução. O monitoramento ativo de permanência em faixas avisa quando se avança sobre as mesmas e corrige a trajetória. O piloto, neste caso, é automático, ou quase. Ele mantém a velocidade determinada ou reduz para a velocidade do carro que segue à frente.

Além disso, esterça a direção em curvas acompanhando as faixas sobre o asfalto, mas por pouco tempo. Um alerta visual na tela de instrumentos e no head-up display, além de um aviso sonoro, determinam que o motorista deve manter as mãos no volante, pois o sistema é apenas auxiliar e, não, autônomo.

Uma característica inerente ao espírito esportivo da Série 3 é a calibração das suspensões, ainda mais com este pacote M Sport. Ela é muito rígida e deixa o carro muito estável em curvas, dando prazer em dirigir de forma esportiva.

Mas isso cobra caro do conforto e, em nossas ruas mal conservadas, a carroceria oscila em frequência muito alta, chegando a cansar em longos percursos nessas condições. Mas o sistema, independente nos dois eixos, mostra suas qualidades em pisos mais esburacados.

Nos impactos mais severos, apesar de percebermos que pneus e amortecedores estão sofrendo, o conjunto consegue isolar a cabine de boa parte das vibrações provenientes destes buracos.

Consumo – Fizemos o nosso teste padronizado de consumo e tivemos uma grata surpresa. Mesmo calibrado para extrair maior potência, o motor foi econômico. Circulamos duas vezes por um mesmo trecho rodoviário de 38,4 km, mantendo velocidade constante de 90 km/h na primeira volta e de 110 km/h na segunda, mas sempre conduzindo economicamente.

Ar-condicionado ligado e regulado na refrigeração média, os vidros fechados e somente o motorista a bordo completam os parâmetros. Na volta mais econômica, registramos 5,9 litros a cada 100 km rodados, uma média de 16,9 km/l. Mantendo 110 km/h, velocidade máxima permitida nas vias, consumimos 7,6 litros para cada 100 km percorridos, ou seja, 13,1 km/l. Na cidade o consumo oscilou entre 6,5 e 8,5 km/l, dependendo da intensidade do tráfego.

*Colaborador
**Essa e outras matérias, no nosso blog