Crédito: divulgação

São Paulo – A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em queda ontem, com ações do setor financeiro entre as maiores pressões negativas, em pregão também marcado por expectativas para negociações comerciais entre Estados Unidos e China na semana.
Principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa caiu 1,93%, a 100.572,77 pontos, menor fechamento desde 3 de setembro. O giro financeiro da sessão somou R$ 13,4 bilhões.

No exterior, reportagem de que Pequim estaria cada vez mais relutante a aceitar um acordo comercial amplo buscado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, minou a confiança de investidores a poucos dias de nova rodada de conversas.

As negociações entre os dois gigantes econômicos estão marcadas para começarem na quinta-feira (10). Sinais contraditórios sobre o andamento das conversas têm adicionado volatilidade aos mercados e receios com a desaceleração da economia global.

“Existe grande incerteza em torno do resultado das conversas e os mercados deverão agir prontamente a qualquer novo desenvolvimento”, afirmou a Guide Investimentos.

“A expectativa que predomina é de mais uma semana de volatilidade … principalmente após dados de atividade terem decepcionado na semana passada e reforçado efeitos negativos do embate sobre a economia americana.”

Após o fechamento do pregão, Trump disse que há boa possibilidade de acordo comercial com a China, mas apuração exclusiva da Reuters mostrou que o Departamento Comercial dos EUA vai indicar 28 entidades comerciais e do governo da China em uma lista negra comercial. O departamento confirmou a informação.

Do cenário doméstico, profissionais do mercado financeiro citaram notícia publicada pelo Diário da Amazônia de que o ministro Paulo Guedes deve deixar o governo em fevereiro como fator que ajudou nas perdas. À Reuters, contudo, uma fonte da área econômica do governo negou a informação.

Dados disponibilizados pela B3 mostraram saída líquida de mais de R$ 4,38 bilhões do segmento Bovespa nos três primeiros pregões de outubro, reforçando o viés mais cauteloso no mercado secundário de ações no Brasil.

Uma série de ofertas de ações deve ser precificada neste mês, entre elas a da Vivara, nesta terça-feira (8), da Helbor, no dia 10, do Banco do Brasil, no dia 17, da C&A e do Banco BMG, dia 24.

Destaques – Banco do Brasil ON caiu 3,95%, em meio a uma oferta secundária de ações. No setor, Itaú Unibanco recuou 1,85%, BTG Pactual cedeu 2,18% e Santander Brasil caiu 2,24%.

Bradesco PN cedeu 0,64%, mesmo após o segundo maior banco privado do País anunciar proposta de dividendo extraordinário de R$ 8 bilhões, que será avaliada pelo conselho em reunião do próximo dia 17. “Muito positivo”, afirmou o analista Marcelo Telles, do Credit Suisse.

Eletrobras PNB e Eletrobras ON caíram 6,61% e 7,9%. No fim de semana, a Folha de S.Paulo noticiou que o governo enterrou de vez os planos de injetar R$ 3,5 bilhões para tornar a companhia mais atraente para investidores privados.

Vale ON desvalorizou-se 1,18%, descolada do movimento mais positivo de mineradoras no exterior.

Petrobras PN e Petrobras ON caíram 1,28% e 1,56%, respectivamente, apesar da alta dos preços do petróleo no mercado externo.

Câmbio – O dólar encerrou em alta contra o real, em dia de maior aversão a ativos de risco no exterior, com agentes do mercado monitorando o desenvolvimento das negociações comerciais EUA-China.

A moeda norte-americana fechou em R$ 4,1045, com valorização de 1,15%, maior alta desde 19 de setembro. Na máxima intradia, o dólar chegou a tocar R$ 4,1081 na venda. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,18%, a R$ 4,1125. (Reuters)