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O comércio bilateral Minas-Reino Unido terá um incentivo a mais. A Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil inaugurou ontem sua filial no Estado, a Britcham Minas Gerais, tendo como comitês temáticos preferenciais mineração, tecnologia e infraestrutura.

“Esses três comitês temáticos tratarão da forma mais aprofundada possível esses temas, entendendo as demandas e necessidades das partes envolvidas”, disse o líder da Britcham Minas Gerais, o advogado Alexandre Aroeira Salles. Esses temas serão desenvolvidos a partir da filial mineira, mas com abrangência nacional.

Considerado um dos gargalos para o desenvolvimento de todo o País, a pauta da infraestrutura vem atraindo atenção de investidores internacionais devido a propostas de concessões tanto do governo federal quanto do governo estadual. Presidente da Britcham Brasil, Sérgio Clark reforçou a importância do segmento.

“Estamos mirando nas concessões de portos, rodovias, ferrovias. No escoamento de safras agrícolas, reduzindo o custo Brasil”, disse Clark.

O advogado Alexandre Aroeira Salles ressaltou que, tradicionalmente, o segmento da mineração tem destaque nas relações Minas-Reino Unido, com tecnologia e investimento ingleses no setor. Além disso, ele informou que estão sendo construídas “pontes” para startups, com investimento e crédito. Outro setor de importância na relação comercial, o agronegócio será discutido a partir da Britcham Paraná.

Com 103 anos, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil é a única reconhecida pelos governos britânico e brasileiro. A inauguração da Britcham Minas Gerais foi realizada no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com a presença do vice-governador Paulo Brant; do senador Rodrigo Pacheco (MDB); do presidente do BDMG,

Sergio Gusmão Suchodolski; do cônsul Britânico em Minas, Thomas Nemes, entre outras autoridades. Durante o encontro foi ressaltada a importância de medidas para internacionalização da economia do País como forma de atrair investimento e melhorar a renda da população.

O vice-governador reforçou que a parceria pode beneficiar Minas principalmente nas áreas da tecnologia da informação, segmento que o Reino Unido está avançado, e mineração. Brant considera que iniciativas como essa, que atraem investimentos ao Estado, podem auxiliar na solução da crise financeira do Estado.

“No médio e longo prazo, o único caminho para resolvermos a situação dos Estados é crescendo a economia, atraindo investimentos e aumentando a produtividade”, disse.

Pacheco também acredita que a parceria pode auxiliar Minas a superar seus problemas financeiros.

“Além da contenção de despesa, temos que buscar aumentar a receita, com criação de ambiente de negócio e segurança jurídica, trazendo para cá investimentos estrangeiros, entre eles do Reino Unido”, disse.

Pacheco reforçou a importância das reformas da Previdência e Tributária para atração de investimentos.

Presidente do BDMG, Sérgio Suchodolski informou que, historicamente, o banco tem atuação internacional. Atualmente, a instituição busca diversificar essa atuação, com o novo eixo de desenvolvimento na Ásia, mas mantendo parcerias com países com os quais há ligações históricas, como o Reino Unido.

Para o cônsul Britânico em Minas, Thomas Nemes, a Britcham Minas Gerais é mais uma força gerando oportunidades para empresas mineiras e britânicas, proporcionando laços comerciais mais robustos.

“É um momento de muita satisfação do Consulado Britânico em Minas. Nossa jornada começou há quatro anos, com uma estrutura fixa, com robustez maior do Governo Britânico, para acessar oportunidades, construir laços com Minas no longo prazo, nos diversos campos, seja comércio e investimentos, ciência e inovação, desenvolvimento econômico sustentável”, disse ele, lembrando que o Consulado Britânico chegou a Minas há quatro anos, num momento de crise econômica nacional. “Não chegamos ontem e não vamos embora amanhã”, disse.

Brexit – O líder da Britcham Minas Gerais, Alexandre Aroeira Salles, acredita que, mesmo se o Brexit vigorar, o comércio entre Brasil e Reino Unido será beneficiado. O Brexit é o termo usado para definir a decisão de o Reino Unido deixar a União Europeia.

“O Brexit foi o que mais incentivou o fortalecimento do setor de relações internacionais que estava com menos ênfase por causa da União Europeia. Então, traz oportunidade de relações Brasil-Reino Unido. O Brasil é tido como parceiro prioritário para trocas, investimentos, compras, aquisição de produtos de todos os gêneros e investimentos”, disse.

Caso o Brexit seja barrado, as relações se darão por meio da União Europeia. Tais negociações também serão reforçadas, com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Sérgio Clark também reforça que o Brasil é parceiro preferencial do Reino Unido. “Nos próximos dois anos, teremos cerca de 7 bilhões de libras em investimentos de empresas já instaladas no Brasil, principalmente nas áreas de óleo e gás, tecnologia e energia renovável”, disse.

BDMG fecha acordo com o Fonplata

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), organismo multilateral sediado na Bolívia, acabam de estabelecer um Memorando de Entendimento. A parceria – formalizada pelos respectivos presidentes das instituições, Sergio Gusmão e Juan Notaro Fraga – ocorreu na última quinta-feira (8), durante o encerramento do I Foro de Prefeitos Fonplata: Projetando Municípios Sustentáveis, na sede da Fierj, no Rio de Janeiro. O Memorando de Entendimento objetiva a realização de ações, estudos e análises conjuntas pelas duas instituições, visando a possível estruturação de uma linha de crédito para os municípios de Minas Gerais.

Segundo Gusmão, trata-se de uma oportunidade para atrair recursos de longo prazo aderentes ao desenvolvimento dos municípios.

“Este é o início de uma parceria promissora para fortalecer o apoio aos municípios mineiros no financiamento a diversos projetos de saneamento, smart cities, infraestrutura, sustentabilidade, entre outros”, afirmou.

Além do Brasil, o Fonplata atua na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai e já investiu mais de US$ 1,7 bilhão em financiamentos de projetos de pequeno e médio porte na região.

Estratégia – A parceria com o Fonplata integra a estratégia do BDMG de intensificar o contato com organismos de desenvolvimento internacionais com o objetivo de obter parcerias para investimentos que estimulem e diversifiquem a economia de Minas Gerais.

Nesse sentido, o Banco também assinou, no mês passado, um Memorando de Entendimento com a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

O objetivo é mapear oportunidades de financiamento em Minas Gerais e atrair parceiros para projetos públicos e privados no processo de diversificação das atividades econômicas do Estado. A formatação dos projetos deverá ser consolidada ainda neste semestre. (Da Redação)