Telescópio de Horizonte de Eventos (EHT)/Fundação Nacional de Ciência dos EUA/Divulgação via REUTERS

CESAR VANUCCI *

“Creio que fazemos parte de alguma coisa.” (Charles Fort, autor do “Livro dos Danados”)

Apoderados de justificada euforia, cientistas de altíssima qualificação, engajados num esforço de cooperação internacional, acabam de trazer a público, pela vez primeira, a imagem de um “super buraco negro”.

Apontado como um ponto de massa colossal, onde se confundem o tempo e o espaço, o corpo celeste fotografado em cenas de tirar o fôlego constitui, no entendimento dos especialistas, espetacular confirmação da teoria einsteiniana da relatividade geral.

Tema danado de complexo para mentes privilegiadas, mas que tem se aprestado, na hora presente, em ambientes intoxicados pelo obscurantismo cultural, a reinterpretações ridículas e hilariantes.

O “buraco negro” é um dos muitos fenômenos desnorteantes, repletos de fascínio, existentes na infinita vastidão cósmica. Revelado no início do século XX por Albert Einstein e explicado, com mais detalhes, nos anos 70, por Stephen Hawking, é uma concentração massiva de matéria comprimida em “pequena área”, gerando um campo gravitacional que engole tudo à volta, inclusive a luz. Uma, da miríade de inexplicabilidades, pode-se dizer também charadas, que integram o projeto da criação. Isso deixa claro o seguinte: os enigmas que circundam a aventura da vida são a perder de vista. Espalham-se por todos os cantos. Fora e dentro deste planeta azul. Acompanham a trajetória humana desde o começo dos tempos. Sugerem, por exemplo, que a história desta pátria comum a todos os seres humanos denominada Terra, composta de três quartos de água, seja dividida em dois tempos distintos. Os tempos conhecidos e os tempos desconhecidos.

Os enigmas “mais próximos” falam, sim, de civilizações anteriores à nossa. Atiçam a imaginação das pessoas, estimulando-as a refletirem um pouco mais sobre a origem, o destino, a vocação da espécie. Egito, México, China, Índia, Camboja, Peru, Guatemala, Bolívia, Tibete exibem, para embevecimento e perplexidade geral, vestígios extraordinários, indecifráveis, insólitos, inexplicáveis de realidades de vida que teriam sido deixadas pra traz, não se sabe bem por quem, nem quando.

Concentremos a atenção, nalguns desses enigmas. Um punhado de informações colhidas por este amigo de vocês, repórter interessado em assuntos ligados ao chamado “Realismo Fantástico”. Fruto de leituras e de visitas a lugares marcados por lendas e mistérios, onde a gente costuma se deparar sempre com mais perguntas a fazer do que com respostas a colher. Isso, por sinal, conduz ao Milan Kundera, autor da “Insustentável leveza do ser”, um belo livro que teve o mérito de inspirar, há tempos, um belo filme. As perguntas sem resposta, lembra-nos o autor, fixam o limite preciso da capacidade humana para conseguir entender o que rola ao redor.

Reporto-me, em seguida, a uma historieta que poderia intitular de “O “Brazil” dos fenícios”. Convido o culto leitorado para uma chegadinha até o fabuloso museu do Vaticano. Este museu é depositário de uma sabedoria que remonta ao fundo dos tempos. Pesquisadores de alta reputação sustentam, com fervorosa convicção, que a liberação, para estudos, da volumosa documentação ali reunida poderia levar estudiosos nos diversos campos da ciência a revelações estonteantes. Revelações que, provavelmente, concorreriam para alterar, de modo visceral, muitos conceitos consolidados da história.

Na mapoteca do museu, o visitante dá de cara, em dado momento, com uma amostra expressiva – que nos toca mais de perto, aos brasileiros – das tais revelações instigantes que se imagina existirem em profusão nos preciosos guardados milenares da instituição. Trata-se de um mapa de, aproximadamente, dois metros de comprimento por metro e meio de largura. O mapa estampa, com absoluta nitidez, os contornos litorâneos brasileiros. Tudo muito preciso, a começar do desenho correspondente a essa maravilha ecológica conhecida em nossos tempos pela denominação de arquipélago de Fernando de Noronha. Só que tem uma coisa pra lá de desconcertante. O mapa é datado de 1506. Isso mesmo! Peraí, teria sido elaborado por ignotos e diligentes cartógrafos apenas seis anos após a chegada das naus de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro? Mais um dado perturbador. O nome “Brazil” (com “z” mesmo) está registrado na peça. Mas como? Na época – não é o que se conta nos livros de história? – ninguém, entre os descobridores, cogitou de dar à imensa e dadivosa terra incorporada aos domínios portugueses tal denominação! Ao enigma junta-se outra inesperada informação. É extraída de um livro que relata coisas que teriam acontecido em tempos sem registros na história dos homens. Os fenícios teriam percorrido com assiduidade, há milênios, estas nossas imensidões territoriais “descobertas” em 1500. Teriam batizado, então, as terras visitadas com o nome “Brazil”. A expressão, em seu idioma, quer dizer “terra do minério de ferro”.

São deveras desconcertantes os enigmas, aqui dentro e lá fora deste planeta azul, que mantêm permanentemente acesa a curiosidade de todos nós, pobres mortais!