CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo DC

Passado o chamado período de lua de mel com o novo governo, o empresariado da construção em Minas está mostrando perda do otimismo e mais cautela. O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (Iceicon), divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), chegou a 49,9 pontos em abril, com recuo de 6,3 pontos em relação a março, quando foi de 56,2 pontos.

É a segunda retração seguida, com queda acumulada de 13 pontos relativa a março e abril. Segundo a analista de estudos econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, nesse cenário, a tendência é de que os investimentos fiquem em compasso de espera.

A analista explica que, logo após as eleições, sob o impacto do chamado período de lua de mel, quando há uma maior boa vontade com o novo governo, os índices de confiança mostraram alta. Entretanto, devido à indefinição sobre a votação das reformas, principalmente a da Previdência, houve um arrefecimento do otimismo.

“Nos primeiros meses do ano, houve calibragem para baixo das expectativas. Houve arrefecimento do otimismo”, explica.

No indicador, a linha de 50 pontos é o valor que separa confiança da falta de confiança. E, segundo a Fiemg, em abril, o índice mostrou empresários cautelosos após cinco meses de resultados apontando confiança, ou seja, acima de 50 pontos.

Daniela Muniz ressalta que os índices de confiança não devem ter alta neste semestre.

“Com a economia em ritmo lento e a perspectiva de que a votação da reforma da Previdência será demorada, os empresários ficarão com receio de investir. É difícil imaginar um cenário no qual a confiança avance no primeiro semestre de 2019. Para tal é necessário um fato que reduza de forma efetiva a incerteza econômica”, disse.

Componentes – A queda na confiança foi registrada nos dois componentes do indicador: o de condições atuais e o de expectativas para os próximos seis meses.

No caso das condições atuais, o recuo foi de 5,3 pontos, passando para 42 pontos em abril, sendo que em março foi de 47,3 pontos. A avaliação sobre a economia brasileira ficou em 41,6 pontos, com retração de 11 pontos em relação a março (52,6). A percepção da economia do Estado ficou em 38,2 pontos, com retração de 8,4 pontos. Já a avaliação sobre as condições da empresa atingiu 43,1 pontos, mostrando queda de 2,7 pontos.

No caso das expectativas, o índice de abril ficou em 53,9 pontos, enquanto o de março era de 60,7 pontos, ou seja, houve recuo de 6,8 pontos na passagem de um mês para o outro. A expectativa quanto à economia brasileira atingiu 54,3 pontos – retração de 7 pontos em relação a março, cujo indicador foi de 61,3 pontos –, sendo que, em relação à economia do Estado, o indicador foi de 47,8 pontos, com queda de 9,1 pontos. No caso da avaliação da empresa, o índice chegou a 56,2 pontos em abril, mostrando recuo de 5,4 pontos frente a março (61,6 pontos).

Vendas de cimento crescem 0,2% no País

São Paulo – Fabricantes de cimento do Brasil tiveram alta de 0,2% nas vendas do insumo em abril, na comparação com o mesmo período do ano passado, para 4,37 milhões de toneladas, informou ontem a associação que representa o setor, Snic. No quadrimestre, as vendas subiram 0,9%, para 17,04 milhões de toneladas.

Na avaliação do presidente da entidade, Paulo Camillo, as vendas de abril ficaram abaixo do crescimento apresentado pelo setor no início do ano. Mas, para maio, o Snic espera uma “expansão mais robusta, já que, no mesmo mês de 2018, tivemos um volume de vendas baixo devido à greve dos caminhoneiros”.

Segundo a entidade, os indicadores econômicos ainda não estão apontando uma trajetória definida, “trazendo incertezas no exercício de projeção de demanda” de cimento no País este ano.

Apesar disso, Camillo afirmou que o Snic manteve a projeção de crescimento de 3% nas vendas de cimento no Brasil este ano. (Reuters)