Pedro Guimarães e Rubem Novaes assumiram as presidências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, respectivamente - Valter Campanato/Abr

Brasília – O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que tomou posse ontem, afirmou que os juros do crédito habitacional para classe média serão de mercado, e que as taxas não subirão no programa habitacional Minha casa, minha vida para “quem é pobre”.

Questionado se os custos do financiamento à casa própria serão elevados, ele respondeu que “depende”. “Juro não vai subir para Minha casa, minha vida…Juro de Minha casa, minha vida é para quem é pobre”, disse.

Atualmente, o programa habitacional atende famílias com renda mensal bruta de até R$ 1,8 mil na faixa 1, em que não há incidência de juros e o subsídio pode chegar a 90% do valor do imóvel, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Também subsidiadas, embora em menor grau, a faixa 1.5 está voltada para famílias que ganham até R$ 2.600, com juros de 5% ao ano, e a 2 destina-se a famílias com renda de até R$ 4 mil, cobrando juros de 6% a 7% ao ano. Na faixa 3, contudo, a renda familiar bruta mensal pode ser de até R$ 9 mil e os juros cobrados são de 8,16% ao ano, também segundo o ministério.

“Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú. Na Caixa Econômica Federal, vai pagar juros maior que Minha casa, minha vida, certamente, e vai ser juros que vai ser de mercado. Caixa vai respeitar acima de tudo mercado. Lei da oferta e da demanda”, completou o presidente da Caixa sem dar detalhes.

Guimarães afirmou ainda que o banco vai vender carteiras de crédito imobiliário e que a Caixa “vai passar a ser uma originadora imobiliária, mais do que reter crédito no balanço”. Segundo ele, o objetivo é que a Caixa, nos próximos dez anos, passe a originar 70% do crédito imobiliário, mas venda uma parte relevante, que pode chegar a 100 bilhões de reais.

Segundo o presidente da Caixa, a securitização irá permitir que a Caixa expanda o crédito num cenário em que os recursos do FGTS e da poupança têm limites.

O executivo também afirmou que o banco pode fazer até três aberturas de capital de unidades neste ano, com a área de seguridade sendo a mais adiantada. Ele mencionou como alvos de abertura, além de seguridade, as áreas de cartões, operações de loterias e gestão de fundos.

A operação com a asset management da Caixa é a que demandará mais tempo, porque será necessário criar uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM), o que demanda autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse Guimarães.

Os recursos levantados nas operações ajudarão a Caixa a pagar à União a dívida de R$ 40 bilhões que possui em IHCDs (Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida).

“Eu tenho quatro anos para fazer esse pagamento e o farei. As operações (de abertura da capital) já estão adiantadas, nós faremos ao menos duas esse ano, talvez três. Mas pelo menos duas é meu compromisso com o ministro (da Economia) Paulo Guedes”, afirmou o presidente da Caixa, acrescentando que uma delas deverá ocorrer ainda no primeiro semestre.

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Loterias – Em discurso na transmissão de posse, ele exemplificou que a Caixa Seguridade pode dobrar sua lucratividade dois anos depois de sua oferta inicial de ações (IPO) na bolsa.

Guimarães pontuou ainda que a Caixa entrará no mercado de cartões consignados, com a meta de atingir 20 milhões de cartões consignados em quatro anos, e que cogita parceria com Banco do Brasil para operar microcrédito.

Guimarães voltou a dizer que o banco público dará foco aos empréstimos a pequenas e médias empresas e que, para as grandes, vê o mercado de capitais como alternativa satisfatória para provimento de financiamento.

Em relação à infraestrutura, o novo presidente da Caixa disse que o banco irá priorizar projetos que sejam rentáveis para a instituição e também benéficos para a sociedade.”Não vai ter financiamento de construir pontes que ligam nada a lugar nenhum”, afirmou. (Reuters)