A sirene é a tecnologia regularmente usada em todas as empresas que lidam com algum tipo de barragem mas, ela tem uma abordagem pouca qualificada, afirma Frederico Ribas - Crédito: Elderth Theza

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai investir até R$ 2 milhões em um edital de Pesquisa e Desenvolvimento (PeD) para a criação de um dispositivo digital que substitua as sirenes de alerta em caso de emergência com barragens. O edital, lançado oficialmente no dia 9, na sede da companhia, é destinado a empresas, startups, universidades e centros de pesquisas que tenham competência na área de TI, principalmente nas tecnologias de internet das coisas (IoT) e georreferenciamento.

O gerente de inovação tecnológica e alternativas energéticas da Cemig, Frederico Ribas, explica que o edital se encaixa no programa de PeD da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo ele, a proposta surgiu da necessidade de trazer mais inteligência ao atual sistema de alerta das comunidades no entorno de barragens.

“A sirene é a tecnologia regularmente usada em todas as empresas que lidam com algum tipo de barragem. Mas, ela tem uma abordagem pouca qualificada, pois não tem inteligência para notificar as comunidades de forma diferente, de acordo com a distância e zona de risco, por exemplo. Hoje, a sirene toca e impacta a todos igualmente, independente da situação de risco de cada residência”, explica.

Além disso, o gerente afirma que essas sirenes têm alto custo de aquisição, que pode chegar a até R$ 1 milhão, além dos gastos com manutenção.

“Como elas são usadas raramente acabam sendo alvo de vandalismo: equipamentos como painéis fotovoltaicos e bateria que fazem parte de sua estrutura são constantemente furtados”, explica. Ribas ainda cita pesquisas que apontam a baixa efetividade das sirenes em casos práticos de alerta.

“E foi a partir desse contexto que nos questionamos: será que não conseguimos criar uma solução de baixo custo, com georreferenciamento, que permita um alerta individualizado por residência e que ainda tenha uma estética adequada?”, relata.

O gerente explica que o design é importante porque a ideia é que o dispositivo fique na casa das pessoas. Entre as propostas nesse sentido estão relógios de parede e peças decorativas que incorporem o dispositivo de alerta.

De acordo com Ribas, o edital é destinado a qualquer empresa, startup, universidade ou centro de pesquisa que tenha competência para desenvolver o dispositivo. Ele afirma que a companhia tem um orçamento para esse projeto que gira em torno de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. A proposta selecionada deverá ser executada e implementada em um projeto-piloto em até dois anos.

Entre os critérios de seleção está o grau de escalabilidade da solução, que precisará ser replicada em muitas casas; a segurança cibernética; os benefícios para a população e a inteligência embarcada.

“Também vejo com bons olhos as propostas que vierem de instituições híbridas, que têm uma integração de expertises e que englobam todas as demandas desse projeto, como conhecimento de IoT, georreferenciamento e design”, afirma.