Entre os fatores que animaram os investidores está a decisão da China de isentar alguns produtos dos Estados Unidos - Crédito: REUTERS/Aly Song

São Paulo – O principal índice da bolsa paulista subiu ontem, anulando a queda da véspera, em meio a um cenário mais favorável no exterior, com Petrobras reduzindo a alta do Ibovespa e papéis de empresas de comércio eletrônico em sessão de recuperação.

O Ibovespa avançou 0,4%, a 103.445,60 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 16,5 bilhões.

Na máxima do dia, o índice chegou a superar os 104 mil pontos, mas teve os ganhos reduzidos após declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando que considera aliviar sanções contra o Irã. Os preços do petróleo em Nova York caíram 2,49%. As ações da Petrobras recuaram.

Trump também repercutiu a decisão da China de isentar alguns produtos dos EUA de suas tarifas, antes de reunião entre autoridades de segundo escalão dos dois países planejada para ainda este mês.

Há também a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) reduza as taxas de juros e retome um programa de compra de ativos para estimular a economia da região.

Aqui, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode enviar à Câmara nos próximos dias o texto da reforma tributária.

A sessão ainda contou com anúncio de demissão do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, em meio à demora na formatação final da reforma tributária e polêmica sobre a criação de um novo imposto sobre transações financeiras no moldes da CPMF.

Destaques – Magazine Luiza ganhou 6,46%, com papéis de comércio eletrônico recuperando-se de fortes perdas da véspera após lançamento do Amazon Prime ao Brasil. B2W subiu 3,26% e Via Varejo avançou 2,95%. Em Nova York, Mercado Livre subiu 2,1 em Nova York%.

Petrobras PN e Petrobras ON perderam 0,85% e 1,77%, respectivamente, seguindo os preços do petróleo no exterior, que mudaram de viés após Donald Trump sinalizar que pode aliviar as sanções impostas sobre o Irã.

B3 avançou 1,44%, após divulgar dados operacionais de agosto na véspera. Para o BTG Pactual, os números corroboram a tese de que o terceiro trimestre será forte. Após o fechamento do pregão a companhia anunciou que teve uma decisão desfavorável no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) relativa à incorporação da Bovespa e que vai recorrer à Justiça.

MRV saltou 9,02%, após perder 13,86% em setembro até a véspera, em sessão de alta do setor imobiliário, após o jornal o Estado de S. Paulo publicar que o governo usará o FGTS para bancar todo o subsídio do Minha Casa, minha vida, medida que tem potencial de destravar R$ 26,2 bilhões em investimentos no programa habitacional.

Banco BTG Pactual valorizou-se 4,16%, no segundo dia de alta, após perder 13,7% nos primeiros pregões do mês. No setor, Itaú Unibanco PN cedeu 0,45% e Bradesco PN perdeu 0,44%.

Vale perdeu 0,6%, em dia negativo para ações de mineradoras e siderúrgicas, com Gerdau PN caindo 2,14% e CSN perdendo 3,08%. Usiminas PNA teve declínio de 0,84%.

Processo – A B3 informou ontem que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) acatou recurso da Procuradoria Geral da Fazenda em caso bilionário em que a empresa é acusada de ter amortizado irregularmente o ágio gerado pela incorporação da Bovespa Holding, em 2008.

Com a decisão do Carf, emitida ontem, a B3 afirmou que vai recorrer à Justiça para reverter a decisão. Segundo a operadora da bolsa de valores, o valor atualizado do processo até o final de junho é de R$ 2,7 bilhões. (Reuters)

Dólar tem a segunda queda consecutiva

São Paulo – O dólar encerrou em queda contra o real ontem, marcando sua segunda sessão consecutiva de perdas, influenciado por bons sinais sobre a economia brasileira e à espera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu nesta quinta-feira.

O dólar à vista teve queda de 0,76%, a R$ 4,0644 na venda. Na B3, o dólar futuro recuava 0,37%, a R$ 4,0710.

Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, o movimento da moeda pode ser explicado por algumas correções de posições no mercado, somadas ao alívio dos investidores diante de dados positivos sobre as vendas no varejo doméstico.

O volume de vendas no varejo cresceu 1% em julho sobre junho, com ajuste sazonal, mostraram nesta quarta-feira dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o melhor desempenho para o mês desde 2013. Em julho daquele ano, as vendas haviam aumentado 2,7%.

“Nós vemos alguns sinais de melhora na atividade interna e, apesar de não ter um fato único de grande repercussão, quando somamos todas as notícias, temos um real valorizado”, disse Campos Neto, da Tendências.

Ontem, a notícia de que o relator da reforma da Previdência, Tasso Jereissati (PSDB-CE), vai retirar do texto da PEC da reforma da Previdência qualquer trecho que possa forçá-lo a retornar à Câmara dos Deputados também ajudava a pressionar o dólar contra a moeda brasileira.

A influência do ambiente doméstico fez com que o real se descolasse da tendência de seus pares emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, que se desvalorizavam contra a moeda norte-americana. O índice do dólar, que compara o dólar contra uma cesta de moedas, subia 0,31%, a 98,633.

Na cena externa, as atenções agora se voltam para o Banco Central Europeu (BCE), com foco nos possíveis novos estímulos que poderão ser anunciados na reunião de política monetária agendada esta quinta-feira. As medidas podem incluir cortes de juros e a retomada de compras mensais de ativos. (Reuters)