Aprendizes em processo de formação no CIEE/MG - Crédito: Fernando Beiral

O Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG), em parceria com a Fundação Roberto Marinho (FRM), lançou, em evento realizado na quinta-feira passada em Belo Horizonte, o programa Aprendiz Legal. Na oportunidade, o jornalista Sidney Rezende proferiu palestra sobre o cenário do mercado de trabalho para os jovens e o primeiro emprego. A instituição já beneficia cerca de 500 jovens e o objetivo é chegar em 2023 com 10 mil beneficiados.

O CIEE/MG, como instituição qualificadora, é responsável pela adoção da metodologia do Aprendiz Legal em todo o território mineiro. A iniciativa possibilita aos jovens de 14 a 24 anos formação qualificada e inserção ao mercado de trabalho através de convênios com empresas parceiras.

Durante o lançamento do programa, o diretor-presidente do CIEE/MG, Sebastião Alvino Colomarte, ressaltou que o objetivo é estender o Aprendiz Legal para todas as regiões do Estado. Atualmente, além de Belo Horizonte, os cursos para qualificação de aprendizes estão presentes nas cidades de Contagem, Montes Claros e Sete Lagoas.

Para o superintendente-executivo do CIEE/MG, Antônio Carlos Dias Athayde, o programa, além de sua ação social, possibilita preparar a futura geração para os novos desafios a serem enfrentados pelo mercado de trabalho. “Tanto a escola como a empresa têm a função educadora e devem transmitir às novas gerações o conceito de responsabilidade e ética”, observou.

Qualidade – Conforme o coordenador de Relações Institucionais da Fundação Roberto Marinho, Marcelo Bentes, a metodologia do programa Aprendiz Legal busca oferecer qualificação profissional de qualidade aos jovens e o Estado de Minas Gerais não poderia ficar de fora desse processo, uma vez que tem um enorme espaço para beneficiar os jovens com este programa.

“Ao abrir espaço para os jovens aprendizes as empresas estão ajudando a evitar a evasão escolar, além de fazer girar a roda da economia, colaborando para o crescimento do País”, disse Bentes.

Em Minas Gerais, existe um potencial de contratação de pelo menos 97 mil jovens, sendo que cerca de 44 mil estão atuando como aprendizes, ou seja 45%, menos da metade. O Brasil tem hoje cerca de 444,1 mil, segundo dados do Boletim da Aprendizagem 2018, diante de um potencial de contratação de jovens entre 14 e 24 anos de 955 mil pessoas. No Estado, a ideia é abrir novos cursos de qualificação para atender, por exemplo, o pujante setor de agronegócio do Estado

“Manter os jovens na escola e oferecer a eles o primeiro emprego, via Lei da Aprendizagem, é essencial. Não podemos deixar nenhum jovem sem educação, sem qualificação profissional, sem acesso ao mundo do trabalho e, sobretudo, sem perspectiva de vida. Os jovens precisam ter assegurado seu direito à inclusão qualificada no mundo do trabalho”, afirmou Bentes.

Em seu depoimento Izabelle Caroline Cruz Alves, do Departamento Pessoal da Rádio Itatiaia, disse que hoje são cinco aprendizes atuando nas diversas áreas de emissora. Além disso, vários funcionários da empresa foram admitidos após passarem pelo programa.

Dalila Gomes Delcor, natural de Coronel Fabriciano (Vale do Aço), mora há um em Belo Horizonte e há seis meses está na empresa Condomínio do Hotel e Spa Tosanine, sendo participante do Aprendiz Legal pelo CIEE/MG.

Em seu depoimento, agradeceu às empresas que abrem as portas para os jovens. Ela, no entanto, pediu paciência para os empresários no trato dos adolescentes, “que são meios ansiosos”. “Este programa nos oferece a chance do primeiro emprego e nos ajuda a moldar nosso caráter. Como aprendizes, teremos a oportunidade de crescer junto com a empresa e, no futuro, até ocupar aposições importantes na mesma”, ressaltou.

Oportunidade do primeiro emprego – O programa Aprendiz Legal oferece aulas nas unidades do CIEE/MG e encaminha os jovens, durante e após o período de formação teórica, para as empresas, onde eles têm a oportunidade de conseguir, na maioria das vezes, seu primeiro emprego com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas.

O programa tem como apoio a Lei da Aprendizagem (10.097/2000), que determina que as empresas de médio e grande portes destinem de 5% a 15% de suas vagas à contratação de pessoas com idade entre 14 e 24 anos, na condição de aprendizes.

O contrato de trabalho pode durar até dois anos e, durante esse período, o jovem é capacitado na instituição formadora e na empresa, combinando formação teórica e prática. A legislação combate também o trabalho infantil e a evasão escolar, uma vez que, para entrar no programa, é preciso estar matriculado na educação básica. Já as empresas têm a chance de aprender com jovens e formar futuros quadros de profissionais alinhados com sua cultura coorporativa.