Médico Sem Fila vai abrir sua quarta unidade nesta semana - Divulgação

Existentes no Brasil há mais de três décadas, as clínicas de saúde populares tomaram impulso nos últimos cinco anos principalmente pela crise econômica que retirou boa parte do poder de compra dos consumidores e fez com que muita gente não pudesse mais pagar pelos planos de saúde.

Para atender uma faixa de público que não conseguia mais utilizar ao atendimento particular e ainda resistia a recorrer ao sistema público, as clínicas populares se organizaram, melhoraram a gestão, passaram a ostentar estruturas grandiosas e fizeram do binômio preço e localização um grande diferencial.

O desafio agora é tirar o peso pejorativo da palavra “popular”, para dar a ela o real significado: acessível à população. Muitas já viraram franquia e o mercado mineiro é uma grande praça para esse modelo de atendimento e negócio.

Instalada em confortáveis 1.500 metros quadrados em um dos pontos comerciais mais disputados de Belo Horizonte – a Praça Raul Soares, entre o hipercentro e a região Oeste, a Especialmed foi inaugurada em abril de 2017. Em relação ao ano de inauguração, a clínica praticamente triplicou a quantidade de atendimentos, passando de 7.316 para 21.399 serviços efetivados. Os sinais em 2019 são de um crescimento igualmente importante. Em janeiro foram registrados 20% mais atendimentos do que no mesmo mês do ano passado.

De acordo com um dos sócios administradores da Especialmed, Rodrigo Azevedo Lage, antes de começar o negócio, os sócios estudaram o mercado e os modelos existentes e resolveram apostar em um formato próprio. Hoje a clínica oferece 25 especialidades, exames e em breve vai lançar um coworking para especialidades não-médicas, como psicologia e nutrição, entre outras. São 45 médicos trabalhando na unidade atualmente.

“Decidimos que teríamos um atendimento humanizado, marcado pela agilidade e comodidade. Todo atendimento deve ser realizado no prazo máximo de uma semana a partir da marcação. Se um paciente liga na segunda-feira, deve ser atendido até na quinta-feira, no máximo. O sentido da palavra ‘popular’ para nós é dar acesso a todos, sem qualquer distinção.

Acreditamos que podemos ter um lucro menor por atendimento e ganhar no volume, garantindo a qualidade”, explica Lage.

A Especialmed realiza mais de 2 mil atendimentos particulares por mês e tem como principal público mulheres acima de 45 anos de idade. A expectativa é que até o fim do ano seja formatado o modelo de franquia que será comercializado a partir de 2020.

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Consolidação – Passado o “boom” das clínicas, a tendência é que o mercado passe por um processo natural de depuração, expulsando os players menos profissionalizados. Com a primeira clínica inaugurada em outubro de 2015, a Médico Sem Fila chega à quarta unidade essa semana, sendo três no hipercentro e uma na região do Barreiro. Com mais de 30 especialidades, a rede aposta em locais de grande concentração de pessoas e planeja um ciclo de expansão pela Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

“As clínicas populares não cresceram só pela evasão dos planos de saúde. Mesmo no auge, eles nunca alcançaram a marca de 35% da população atendida. Fomos impulsionados pela incapacidade do sistema público atender toda a população. A Constituição de 1988 colocou a saúde como direito de todos e dever do Estado, mas mesmo com todos os esforços, ele não consegue oferecer um serviço de qualidade universal. Entendemos que o cidadão precisa ter autonomia sobre como quer cuidar da sua saúde e para isso é preciso acesso garantido, com um valor que seja acessível para a maioria”, destaca o fundador da Médico Sem Fila, Thiago Caixeta.