Crédito: Charles Silva Duarte

A retomada da economia tem contribuído para a melhoria da confiança dos empresários do setor de material de construção. De acordo com a pesquisa realizada pela Fecomércio-MG, em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco), cerca de 76,8% dos empresários do setor esperam crescimento das vendas nos segundo semestre de 2019, frente ao primeiro.

A análise também mostrou que, no primeiro semestre, 59,9% das empresas do segmento mantiveram o faturamento estável ou apresentaram alta em relação ao segundo semestre de 2018. Do total, 72,2% disseram que a saúde financeira dos estabelecimentos melhorou ou se manteve estável na primeira metade deste ano.

De acordo com o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, o objetivo principal da pesquisa é verificar a expectativa do segmento para as vendas no segundo semestre.

“O que percebemos é que o otimismo se consolida, porque toda perspectiva do varejo sempre se torna mais positiva no segundo semestre. O volume de vendas do varejo tende a ser superior ao primeiro semestre por conta das datas comemorativas, pela injeção de recursos com o pagamento do 13º salário e pela geração de empregos temporários. São fatores que aumentam a demanda”.

Outros fatores que irão contribuir para um resultado melhor ao longo dos próximos meses são a redução das taxas de juros e os saques do FGTS.

“O setor comercializa bens duráveis e semiduráveis, que são produtos de maior valor agregado e os consumidores recorrem ao crédito e parcelamento para adquirir. Por isso, a queda na taxa de juros favorece as vendas”, disse Almeida.

Conforme a pesquisa, a expectativa sobre a situação financeira das empresas também se mostrou mais otimista. Ao todo, 81,6% dos empresários confiam na melhora ou na manutenção da saúde financeira dos negócios para o segundo semestre.

Cautela – Para o presidente do Sindimaco, Júlio Gomes Ferreira, as expectativas são melhores em relação ao desempenho, porém, o mercado ainda está muito cauteloso em relação a novos investimentos.

“A expectativa do segundo semestre é positiva e vamos ter resultados mais favoráveis que os do primeiro semestre do ano. Para os próximos meses, esperamos que os resultados sejam melhores que ano passado, mas não sabemos se isso vai se concretizar. Cada dia acontece algo que pode impactar de forma negativa, como a disparada dos preços do petróleo, por exemplo. Por isso, acredito que no segundo semestre, o setor se manterá estável ao mesmo período do ano passado”.

Ainda segundo Ferreira, outro fator que vem travando o desempenho do setor é a falta de confiança.

“As pessoas estão retraídas, postergando investimentos à espera de uma sinalização mais positiva da economia. Houve uma movimentação com o início da aprovação da reforma da previdência e a sinalização de uma reforma tributária. Mas acreditamos que só em 2020, caso as reformas avancem, teremos resultados melhores”, disse Ferreira.

Estratégia – Ainda segundo Ferreira, é importante que os empresários do setor invistam em formas de atrair o consumidor e consolidar as vendas, o que é feito com a realização de promoções, oferta de produtos de preços mais acessíveis e condições variadas de pagamentos. De acordo com a pesquisa, 53,3% dos empresários farão liquidações e promoções neste semestre.

“As empresas de material têm que se recriar todos os dias, com promoções e estimulando o processo de venda para o consumidor. Os empresários estão fazendo isso com propriedade, o setor vem se movimentando e acreditamos que esse movimento vai reverberar no ano que vem”, disse Ferreira.

Estoque – A pesquisa também mostrou que os empresários encomendam os estoques com o objetivo de oferecer um mix diversificado, inovador e competitivo, hoje um dos principais atributos de valor.

Os investimentos em estoque de mercadorias para as vendas do 2º semestre mantiveram o mesmo volume em relação ao 1º semestre para 47% dos empresários avaliados. Para 20,6% dos estabelecimentos houve um aumento no número de unidades pedidas e para 32,4% o número de pedidos no período reduziu.