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A expectativa de aprovação da reforma da Previdência, os juros menores e a inflação estabilizada estão contribuindo para o aumento do otimismo dos empresários da indústria da construção em Minas Gerais, porém, o índice de confiança ainda continua baixo em função do desempenho econômico. De acordo com a Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais, em junho, foi verificada queda menos intensa da atividade e do número de empregados.

O índice de atividade da construção registrou 48,1 pontos em junho, crescimento de 5,2 pontos em relação a maio (42,9 pontos). Com o resultado, o indicador ficou mais próximo da linha de 50 pontos – fronteira entre queda e aumento – e apontou redução menos acentuada da atividade. O índice, que acumulou elevação de 6,2 pontos no primeiro semestre de 2019, ficou 5,4 pontos superior a junho de 2018 e foi o mais alto para o mês em cinco anos.

Alta também foi verificada no indicador de evolução do número de empregados, que aumentou 4,4 pontos em junho (47,1 pontos), na comparação com maio (42,7 pontos). O resultado, que permanece abaixo de 50 pontos desde julho de 2014, apontou recuo do emprego. Contudo, o indicador avançou 6,7 pontos em relação a junho de 2018 (40,4 pontos) e foi o mais elevado para o mês em cinco anos. Adicionalmente, acumulou expansão de 7,0 pontos no primeiro semestre de 2019.

O indicador de atividade em relação à usual aumentou 6,2 pontos entre maio (26,9 pontos) e junho (33,1 pontos), recuperando parte da queda de 7,0 pontos observada no mês anterior. O índice continuou inferior a 50 pontos, o que mostra que a atividade foi abaixo da habitual para o mês. Entretanto, o indicador cresceu 5,4 pontos frente a junho de 2018 (27,7 pontos).

De acordo com o economista e coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, na pesquisa, que mede o nível de confiança dos empresários, foi observada melhora nos índices.

“Observamos que, em junho, o otimismo do empresário ainda ficou abaixo de 50 pontos, mas está melhorando, tanto em nível de atividade quanto no número de empregados. Houve uma melhora, uma menor insatisfação do setor”, afirma.

Ainda segundo Furletti, o cenário macroeconômico atual é muito diferente do passado e alguns fatores estão contribuindo para a melhoria da confiança do empresário, como a reforma da Previdência, a reforma tributária sendo engatilhada, a aprovação da MP da Liberdade Econômica, os anúncios de privatizações, os juros baixos e a inflação controlada.

Momento de mudança – “Todos esses fatores conspiram para um ambiente de negócios melhor e, isso, impacta positivamente na opinião do empresário. Gosto de utilizar uma metáfora interessante. É como se o Brasil fosse um caranguejo afundado na lama – porque estamos vindo de uma recessão grande – e caminhando de lado, mas está mudando a carapaça. Então, quando vemos privatizações, medidas para incentivar a liberdade econômica, reformas estruturais acontecendo, juros baixo e inflação controlada, quando esse caranguejo sair da lama, ele terá uma nova cor. Esse sentimento está contribuindo para a melhora da confiança”, explicou.

De acordo com a pesquisa, os empresários da construção esperam crescimento do nível de atividade nos próximos seis meses, conforme índice de 55,1 pontos em julho. Esse foi o nono mês seguido em que o indicador ficou acima de 50 pontos. O índice avançou 1,7 ponto frente a junho (53,4 pontos) – o segundo aumento mensal consecutivo – e foi o mais elevado para o mês em sete anos.

O indicador de evolução do número de empregados mostrou, pelo oitavo mês seguido, expectativa de elevação das contratações, com 55,4 pontos em julho. O índice avançou 1,6 ponto em relação a junho (53,8 pontos) e 9,9 pontos frente a julho de 2018 (45,5 pontos), e também foi o mais elevado para o mês em sete anos.

Em relação à perspectiva de expansão da atividade, os empresários esperam crescimento das compras de insumos e matérias-primas, com indicador de 55,1 pontos em julho. O índice aumentou 2,9 pontos na comparação com junho (52,2 pontos).

Investimentos – Alta também foi verificada na expectativa de investimentos, porém, o índice continua muito abaixo dos 50 pontos. Após dois meses de queda, o indicador de intenção de investimento – em compras de máquinas e equipamentos, pesquisa e desenvolvimento, inovação de produto ou processo – avançou 2,8 pontos entre junho (34,4 pontos) e julho (37,2 pontos). O índice ficou 13,1 pontos acima do observado em julho de 2018.

País registra melhora em julho

Brasília – Os indicadores de atividade e de emprego na indústria da construção alcançaram, em julho, o maior valor dos últimos seis anos, informou, na sexta-feira (23), a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A Sondagem Indústria da Construção mostra que o índice de nível de atividade aumentou 0,2 ponto frente a junho e ficou em 48,4 pontos em julho. O índice de número de empregados teve leve alta de 0,1 ponto e foi para 47,3 pontos. No entanto, os dois indicadores continuam abaixo dos 50 pontos, o que mostra queda da atividade e do emprego, observa a pesquisa.

“Entretanto a queda é cada vez menos intensa e menos disseminada no setor. Os níveis de atividade e emprego melhoraram gradativamente desde o começo deste ano”, diz o levantamento.

De acordo com a pesquisa, o nível de utilização da capacidade operacional ficou em 57% em julho, mesmo patamar registrado em junho e 5 pontos percentuais acima da média histórica. Isso significa que o setor operou com 43% do pessoal, das máquinas e dos equipamentos parados no mês passado. A ociosidade é menor nas grandes empresas, segmento em que a média de utilização da capacidade instalada alcançou 59%. Nas pequenas empresas, o nível de utilização da capacidade instalada foi de 51% e, nas médias, de 57%.

Segundo a CNI, com a elevada ociosidade, a disposição dos empresários para fazer investimentos diminuiu. O índice de intenção de investimentos caiu 3,5 pontos em agosto na comparação com julho e ficou em 33,1 pontos, praticamente o mesmo patamar de maio, e 0,6 ponto abaixo da média histórica. O indicador varia de zero a cem pontos.

Quanto maior o valor, maior é a disposição para fazer investimentos.

Previsão – O Índice de Confiança do Empresário da Construção (Icei-Construção) ficou estável em 58,8 pontos em agosto e se mantém acima da média histórica de 53,3 pontos.

O Icei-Construção varia de zero a cem pontos. Quando está acima dos 50 pontos, mostra que os empresários estão confiantes. (ABr)