Crédito: Guilherme Kardel

Representantes do setor siderúrgico nacional e internacional se reúnem em Brasília para a 30ª edição do Congresso Aço Brasil. Entre os assuntos a serem debatidos hoje estarão a situação e perspectivas da indústria mundial do aço, competitividade e abertura comercial e o papel da indústria de transformação no desenvolvimento nacional.

Serão abordados, ainda, temas como a importância da gestão operacional de risco, os drivers de consumo do setor, o modelo econômico do capitalismo consciente e o futuro da indústria brasileira do aço sob a ótica dos CEOs das principais siderúrgicas instaladas no País.

Durante a abertura do evento, realizada ontem, o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil (Aço Brasil) e presidente da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), Sergio Leite, destacou que o principal objetivo do evento será debater medidas que possibilitem a retomada do crescimento econômico do Brasil e o desenvolvimento sustentável da indústria nacional.

Nesse sentido, o executivo ressaltou que o governo vem tomando algumas medidas importantes no que se refere à retomada da competitividade do parque fabril brasileiro, mas que o caminho até a recuperação dos patamares de participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) da década de 1980, por exemplo, ainda é longo.

“Desde 1985 vemos essa participação somente diminuir. E, no ano passado, chegamos a uma participação de 11,3%. Não é de hoje que vem ocorrendo este processo de desindustrialização”, ressaltou.

Reformas estruturantes – Leite citou ainda as reformas estruturantes como parte fundamental desta recuperação, destacando a tributária, cuja proposta ainda será enviada ao Congresso pelo governo. Falou também sobre a Medida Provisória da Liberdade Econômica e outras medidas.

“Estamos otimistas com as discussões em curso, tanto no governo quanto no Congresso. Não é de hoje que chamamos atenção para a necessidade de se reduzir custos e simplificar os processos no setor industrial. Por isso, sanar essas amarras competitivas do País deve preceder a abertura de mercado anunciada pelo governo. Caso contrário, haverá risco de agravamento do processo de desindustrialização”, alertou.

Além disso, o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil aproveitou a presença do ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do ministro de Estado de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na abertura do congresso, para, em nome do setor industrial, solicitar medidas que viabilizem maior participação da indústria nacional no suprimento de bens no setor de óleo e gás e projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que, consciente da situação do setor industrial brasileiro, o governo tem voltado sua atenção para possibilidades e formas de superar tais obstáculos. E que estratégias e ações precisam ser discutidas com representantes do setor.

“O Congresso funcionará como importante instrumento para reunirmos informações e traçarmos diretrizes”, destacou.

Ele afirmou também que, desde que assumiu a gestão da pasta, tem adotado iniciativas para sanar gargalos estruturais do País, como os elevados custos de energia elétrica e gás natural, por exemplo.

“Há ainda as questões referentes à exploração do petróleo e a maior segurança na atividade de mineração”, completou.

Já o ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, lembrou que o Brasil esteve muito perto do abismo nos anos passados e que o governo trabalha para que as reformas sejam realizadas no menor prazo possível.

“Durante décadas, íamos a outros países e nos questionávamos porque eles conseguiam e nós não. E, mesmo diante todos os fatores adversos, ouvimos de investidores internacionais que o Brasil é o País do presente e do futuro no quesito oportunidade. É neste ponto que estamos trabalhando e entregando os resultados que a sociedade tanto almeja e merece”, finalizou.

* A repórter viajou a convite do Aço Brasil