A indústria da construção de Minas manteve o indicador de queda da atividade em setembro, mas o índice registrou ligeira melhora em relação ao mês anterior. Segundo a Sondagem da Indústria da Construção, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o nível de atividade ficou em 49,8 pontos, aproximando-se da linha de 50 pontos, que separa recuo de crescimento. Frente a agosto (49,5), houve melhora de 0,3. O índice avançou 2,3 pontos em relação a setembro de 2017 e foi o maior para o mês desde 2012 (52,7). A analista de estudos econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, avaliou que o cenário aponta para uma evolução gradual do segmento, ainda que a atividade esteja em nível baixo.

Segundo a sondagem, o indicador de atividade em relação à usual ficou em 32,2 pontos em setembro, com alta de 3,7 pontos em relação a agosto (28,5). É o melhor indicador para o mês desde 2014. “Apesar de a atividade estar ainda abaixo do usual, esse índice também melhorou um pouco”, disse Daniela Muniz. O índice relativo a número de empregados ficou em 45,8 pontos em setembro, com queda de 1,4 ponto no comparativo com agosto (47,2). Na relação com setembro de 2017, houve queda de 0,9 ponto.

Quanto às expectativas para os próximos seis meses, os índices mostram desaceleração da atividade. Segundo Daniela Muniz, a pesquisa foi realizada entre 1º e 11 de outubro, ou seja, antes do resultado das eleições. Dessa forma, os empresários estavam receosos devido ao cenário indefinido.

Com relação à evolução do nível de atividade nos próximos seis meses, o indicador ficou em 46,1 pontos em outubro. Houve estabilidade em relação a setembro. É esperada queda na compra de insumos e matérias-primas, com indicador de 45,4 pontos em outubro, com queda de 0,3 ponto no comparativo com setembro.

O indicador de novos empreendimentos e serviços registrou 46,5 pontos em outubro, com pequeno avanço de 0,2 ponto em relação a setembro. Já o índice de evolução do número de empregados avançou 0,2 ponto em relação a setembro e marcou 44 pontos em outubro.

De acordo com o levantamento, a intenção de investimento está em baixa, com o índice marcando 26,5 pontos, recuo de 1,5 ponto frente a setembro (28). O indicador acumula queda de 7,8 pontos em 2018. Segundo Daniela Muniz, a baixa intenção de investimento também reflete a incerteza política e econômica. “O empresário só investe em ambiente já conhecido”, argumentou.

Finanças – O índice de satisfação com a margem de lucro operacional ficou em 34,4 pontos no terceiro trimestre do ano, mostrando descontentamento por parte do empresariado. Mas o índice registrou aumento de 5,3 pontos no comparativo com o trimestre anterior e de 5,8 pontos frente ao terceiro trimestre de 2017.

Quanto à satisfação com a situação financeira, o índice registrou 38,2 pontos no terceiro trimestre, com alta de 3,7 pontos em relação ao segundo trimestre e de 2,5 pontos na comparação com igual período de 2017.

O índice que avalia o acesso ao crédito marcou 28,1 pontos no terceiro trimestre, mostrando dificuldade. O indicador avançou 2,3 pontos em relação ao segundo trimestre de 2018 e 0,3 ponto frente ao terceiro trimestre de 2017. “Chama atenção o acesso ao crédito continuar muito baixo mesmo com taxa de Selic tendo recuado. Historicamente, no Brasil o custo de crédito é elevado”, ressaltou a analista da Fiemg.

Pelo novo trimestre consecutivo, a demanda insuficiente apareceu como principal problema enfrentado pelo setor, sendo citada por 41,9% dos entrevistados. “A demanda insuficiente tem ligação com os investimentos públicos e privados estarem muito deprimidos nos últimos anos”, explicou Daniela Muniz.

Em seguida, aparecem a elevada carga tributária (32,6%) e falta de capital de giro (30,2%). A logística de transporte, que no trimestre anterior ficou com 9,5%, neste trimestre não foi citada. Isso mostra que a dificuldade estava ligada à greve dos caminhoneiros.