Stefan Salej*

Com a eleição inédita de um governador do Estado de Minas com mais de 70% dos votos populares, estamos vivendo uma situação inesperada e ao mesmo tempo auspiciosa e perigosa.

Simples, o Estado tem agora um líder, um maestro ungido nas urnas, que tem imenso apoio popular e a responsabilidade também excepcional de cumprir aquilo para o que foi eleito. E a essa realidade, a classe política de Minas, sempre mais preocupada ou com o regionalismo microcósmico ou com interesses próprios, mais do que com os do Estado, deve simplesmente se submeter, porque isso é do seu melhor interesse.

A calamitosa situação de Minas, com dívida de 90 bilhões de reais e déficit corrente no orçamento de 5,9 bilhões de reais, foi brutalmente condenada, junto com os que ajudaram a chegar a essa situação, nas urnas. E agora, para sairmos dela, ou vamos quebrar aquela máxima do nosso querido escritor Otto Lara Resende, de que mineiro só é solidário no câncer (e olha lá), ou vamos retroceder em termos econômicos e sociais 50 anos.

O novo governo não tem maioria de deputados estaduais, não tem maioria de deputados federais. Mas, tem maioria de votos da população e um objetivo crítico a realizar: colocar Minas em ordem para ter ordem.

Então, só com a união de todas, absolutamente todas as forças nesse tsunami de desgraça que está nos matando, e que, na falta de pagamento dos salários do funcionalismo e transferências para as prefeituras tem a sua cara mais visível, pode-se sair da crise. Se os políticos, inclusive do atual governo, não entenderem isso e continuarem como estão fazendo durante a transição, com uma oposição irresponsável, é porque lhes interessa mais a guarita da sua ideologia do que os interesses de Minas. Hoje os erros do passado não devem servir para construir uma acusação, mas uma construção de soluções e lições que nos ajudem a sair da crise.

Essa adesão à vontade popular de mudança deve valer também para os empresários, incluindo os fazendeiros. Não é hora de reivindicações, reclamações e pedidos de benefícios, é hora de colaboração, cooperação, projetos conjuntos.

O mesmo vale para os sindicatos e agremiações dos trabalhadores. Que a corda está arrebentando do lado mais fraco, não há dúvida. E que se pode ficar sem corda e cair no precipício se não reforçar a corda, também é verdade. Preocupações críticas com a calça jeans do novo governador e sua maneira de ser são mesquinhas, idiotas e demonstram que seus críticos insistem em não enxergar a essência dos problemas.

Os intelectuais, universidades e também fornecedores do Estado, alguns por ele generosamente compensados nas concessões e negócios, em especial na área de construção, terão que rever seu modo de agir porque, se não tem para a maioria, não pode ter para a minoria.

Não no final, sobrou se devemos ter ou não nesse processo de recuperação, de reviver de Minas, ajuda de fora. Toda ajuda para reverter o processo é bem-vinda. Tem que primeiro sim aproveitar os valores que existem no Estado, mas os de fora podem trazer visão mais ampla, sem arrestas e com novas perspectivas.

Maestro nós temos. Agora falta a partitura, um plano consensual que possa resolver a crise e iniciar a fase de mais emprego, desenvolvimento social e econômico sustentável e respeitando as melhores tradições mineiras.

* Ex-presidente do Sebrae Minas e da Fiemg – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais