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Maury Bastos *

Que cidade você quer para o futuro? Essa é uma das perguntas que o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (PDDI – RMBH), busca responder. O projeto mira uma mudança na perspectiva social que se formou na capital mineira e seu entorno, fruto de décadas de fluxo crescente de pessoas provenientes de municípios vizinhos. A concentração de serviços e oportunidades de trabalho, saúde, educação e lazer na cidade gerou um aumento na desigualdade socioespacial, com um espalhamento desordenado que reforça o modelo “centro-periferia”, entre outros pontos negativos que afetam a qualidade de vida da população.

Belo Horizonte é a sexta cidade mais populosa do País, com cerca de 2,5 milhões de habitantes, de acordo com dados divulgados no ano passado pelo IBGE. A RMBH, composta por 34 municípios, forma o principal centro político, comercial, financeiro, educacional e cultural do Estado, com um total de 4,8 milhões de pessoas. Nesse cenário, o Plano Diretor coloca luz sobre aspectos importantes para o desenvolvimento da região, propondo soluções e regras que invertem a atual lógica da cidade, investindo na criação de subcentralidades.

Entre as potenciais regiões mapeadas para a implantação desse novo modelo está o Vetor Sul, que abrange a cidade de Nova Lima. Assim como aconteceu com o Vetor Norte, uma centralidade que recebeu nos últimos anos investimentos como a Linha Verde, a instalação da Cidade Administrativa, além de shoppings e universidades, criando novas oportunidades para quem mora na região e diminuindo o fluxo para o Centro, a ideia é que a “centralidade Sul” se desenvolva de forma ampla, planejada, moderna e sustentável, atraindo mais investimentos público-privados e moradores nos próximos anos.

Foi seguindo o tom desse movimento que, em 2014, a CSul deu início a um Masterplano que contempla o desenvolvimento urbano ordenado e a preservação ambiental na região da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. O projeto, que foi classificado como prioritário pelo governo estadual em 2017, ocupa uma área de 27 milhões de metros quadrados, às margens da BR-040, uma das importantes vias de acesso à Belo Horizonte.

O trabalho nasce justamente dessa necessidade de descentralização da atividade comercial, de moradia e de lazer da região central da capital mineira e foi desenvolvido pelo escritório do premiado arquiteto e urbanista Jaime Lerner. Um projeto alinhado às diretrizes do Plano Diretor e ao conceito do novo urbanismo, que reúne as melhores práticas adotadas no mundo dentro do tema, levando em conta pontos como infraestrutura de habitação, lazer, heterogeneidade social e oportunidades de trabalho, atrelados a sustentabilidade, inovação e mobilidade.

Nesses primeiros anos de implantação, já atraímos diversas empresas de biotecnologia e inovação, transformando a região em um novo cluster do segmento no Estado, além de ter firmado parceria com uma universidade que ofertará cursos dedicados à área de saúde. Outros passos importantes já foram dados no Masterplano, contribuindo para melhoraria da qualidade de vida e conveniência dos moradores. Destaco a abertura do Shopping Navegantes, que trouxe para a Lagoa dos Ingleses uma grande rede de farmácia e outra de supermercados, que antes ficavam a mais de 15 km de distância. O novo centro comercial ainda prevê uma variedade de serviços e lazer, como as primeiras salas de cinema da região.

Entre os pontos positivos do desenvolvimento urbano ordenado e, principalmente de um trabalho alinhado ao direcionamento público, está a preocupação ambiental. Quando o crescimento é desordenado e/ou não planejado, são desconsiderados importantes impactos futuros que podem ser negativos a médio e longo prazo. No projeto da CSul, o cuidado com o meio ambiente é uma pauta fundamental. A nova centralidade preserva 99% da área verde da região, que inclui fragmentos de mata atlântica e nascentes, e prevê 92m² de área verde por habitante, número que em Belo Horizonte é de apenas 18m². Um amplo estudo hidrológico também está sendo realizado, gerando dados que vão permitir à empresa e ao governo um conhecimento profundo da realidade hídrica da região.

E, respondendo à pergunta que deu início a este artigo, se até pouco tempo o desenvolvimento econômico e social do Vetor Sul da RMBH (e de Nova Lima) ainda estava muito ligado à exploração mineral da região, com o Plano Diretor vamos caminhando com novas possibilidades para ampliar as oportunidades de futuro de milhares de pessoas. A cidade que queremos para o futuro é completa, moderna, sustentável, funcional e heterogênea.

*Presidente CSul Desenvolvimento Urbano