Dados da ANA apontam que déficit de abastecimento no País recuou de 8,1% para 4,2% - Crédito: Veronica Manevy/Imprensa MG

Abrir a torneira de casa e ter água disponível para consumo diariamente não é a realidade de todos os brasileiros. Apesar de um menor déficit no abastecimento de água, ele continua concentrado na população com menor renda e ainda há lugares que enfrentam a intermitência de acesso aos recursos hídricos. As informações são da Agência Nacional de Águas (ANA) e apontam para um cenário ainda mais preocupante e desafiador em relação ao esgotamento sanitário.

Com oito metas principais, monitoradas por 11 indicadores, o ODS 6 trata de questões como o acesso ao saneamento e higiene, tratamento e reciclagem da água, eficiência no uso da água e abastecimento, gestão integrada dos recursos hídricos, proteção dos ecossistemas relacionados à água e participação das comunidades locais na gestão da água e saneamento.

Considerando o caráter transversal da água, o ODS está integrado a demais objetivos como o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 7 (Energia Limpa e Acessível), o ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global) e o ODS 14 (Vida na Água). Como contribuição ao ODS 6, a Agência Nacional de Águas (ANA) calculou indicadores que compreendem séries históricas em diferentes recortes espaciais para agregar ao processo de monitoramento das metas do ODS.

Segundo o levantamento da ANA, entre 2007 e 2015, o déficit de abastecimento no Brasil diminuiu de 8,1% da população global do País para 4,2%. A distribuição desse déficit se concentra, em geral, na população com menor renda, sendo que em média 40% da população não atendida estão na faixa de renda de até um salário mínimo. Entre aqueles com acesso à rede pública de abastecimento de água em 2017, os dados apontam que somente 86,7% dos domicílios tinham água diariamente.

Para o especialista em geoprocessamento da ANA, Marcus Fuckner, o indicador deve avaliar não somente a conexão da população a uma fonte segura de abastecimento de água, mas também se existe disponibilidade contínua do recurso ao longo do tempo.

“O percentual de pessoas sem acesso à água diariamente é alto e essa intermitência é consequência, principalmente, das crises hídricas dos últimos anos que impactaram no esgotamento de algumas fontes hídricas, na implantação de racionamento, rodízios ou até mesmo corte de água em algumas cidades e regiões”, explica.

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Panorama estadual – Em Minas, dados da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) mostram que a média de perda de água distribuída no âmbito de atuação da empresa, entre janeiro e maio de 2019, foi de 40,38%. Essa perda é composta por consumos não autorizados como fraudes e ligações clandestinas, imprecisões de medição, vazamentos em redes e extravasamentos de reservatórios. Uma vez que houve redução dos vazamentos e extravasamentos em função das ações adotadas pela Copasa, a companhia avalia que o principal componente no índice de perda total está atribuído às ligações irregulares.

Para combater as perdas aparentes, a Copasa informa que atua de forma contínua na inspeção e manutenção dos sistemas de abastecimento de água como redes de distribuição, reservatórios, caixas de manobra, válvulas e nas ligações/ramais prediais, fazendo a substituição de hidrômetros para melhorar a qualidade da medição. De maneira localizada são feitas ainda adequações de pressão nas redes por meio de setorizações e instalação de válvulas redutoras de pressão e substituição de redes e ramais.