Acordo entre EUA e China também pode contribuir para diminuir força da moeda americana - Crédito: Marcos Brindicci/Reuters

São Paulo – O dólar fechou em baixa frente ao real na quinta-feira (18), mas longe das mínimas do dia e contabilizando a maior alta semanal em um mês, fruto de dias de aumento de incertezas sobre a evolução da reforma da Previdência. O dólar à vista caiu 0,11% na sessão, para R$ 3,9298 na venda.
Na semana, a cotação subiu 1,04%, maior alta para o período desde a semana finda em 22 de março (+2,14%). Na B3, a referência do dólar futuro cedia a 0,22%.

Notícias sugerindo maior disposição do presidente Jair Bolsonaro para negociar com partidos do Centrão sobre a reforma chegaram a derrubar o dólar no meio do dia. A cotação, que oscilava em torno da estabilidade, rapidamente passou a cair 0,76% na mínima do dia, por pouco não caindo abaixo de R$ 3,90.

No fim do dia, porém, o mercado reduziu o ímpeto, conforme investidores ponderaram o teor das notícias e evitaram maior exposição ao risco antes de um feriado prolongado.

A semana foi marcada pela frustração com o adiamento da votação da admissibilidade do texto para a próxima terça-feira. Para o mercado, ficou novamente a sensação de problemas na articulação política, algo que à frente poderia afetar a potência fiscal da reforma.

O Citi considera que diluições no texto da reforma devem acontecer na Comissão Especial, mas alerta que “concessões já no início do processo apontam para redução na economia” a ser gerada com a reforma, que poderia cair do valor original de R$ 1,1 trilhão em uma década para R$ 500 bilhões.

Para os estrategistas do banco norte-americano, a evolução da reforma será bastante vulnerável a riscos e volatilidade associados ao fluxo de notícias, cenário que deve persistir pelos próximos meses quando o projeto for debatido na Comissão Especial.

“Até lá, o real continuará tendo desempenho inferior a seus pares”, concluem os profissionais em nota a clientes.
Em abril, o real se desvaloriza 0,37% ante o dólar. No mesmo período, o peso mexicano avança 3,3%, o rand sul-africano ganha 3,2%, o rublo russo aprecia 2,8% e o peso chileno sobe 2,7%.

B3 – O Ibovespa encerrou em alta na quinta-feira, fechando a semana mais curta por feriado também no azul, com Petrobras entre os maiores suportes, refletindo alívio em receios sobre a autonomia da petrolífera de controle estatal.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,39%, a 94.578,26 pontos. O volume financeiro somou R$ 15,18 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou avanço de 1,8%.

Para o gestor de portfólio Guilherme Foureaux, sócio na Paineiras Investimentos, a bolsa reagiu bem ao anúncio de reajuste de preço do diesel pela Petrobras, na quarta-feira.

“Depois de muita confusão, a empresa mostrou independência. Isso ajudou um pouco a afastar o risco de intervenção do presidente nas estatais. Petrobras e Banco do Brasil foram os grandes beneficiados”, destacou. (Reuters)