Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu, na abertura do 37º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), a costura de acordo entre os países para evitar dupla tributação (ADT).

O setor privado considera o acordo essencial para evitar a bitributação de lucros, dividendos, royalties, serviços e juros. Nos últimos 15 anos, a Alemanha condenou o modelo brasileiro de ADT pode ser diferente das regras da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, o presidente da CNI afirmou que o Brasil tem assinado novos acordos deste tipo e se aproximado cada vez mais do padrão OCDE.

“O ADT representa aumento da segurança jurídica, dos investimentos e das exportações, além de estimular a aquisição de tecnologia, com impacto direto na competitividade empresarial”, afirmou Andrade. “O acordo é essencial entre nações com fluxo intenso de comércios e investimentos”, reiterou.

O presidente da República em exercício, general Hamilton Mourão, destacou o compromisso do governo em reestabelecer a confiança do País e em proteger a Amazônia. Segundo ele, a agenda econômica para colocar o Brasil nos trilhos está em andamento, com as reformas da Previdência e tributária, além dos pacotes anticrime e anticorrupção. “A elevação da produtividade decorrerá de um conjunto de medidas, entre elas a privatização, abertura comercial e reformas”, garantiu o general Hamilton Mourão.

Participaram da abertura do EEBA a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra; o vice-ministro de Economia e Energia da Alemanha, Thomas Bareiss; o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales; o presidente da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Dieter Kempf; e o secretário de negociações bilaterais no Oriente Médio, Europa e África do Ministério de Relações Exteriores, Kenneth da Nóbrega.

Investimentos – A Alemanha é o nono maior investidor direto estrangeiro no Brasil, com estoque de US$ 16 bilhões aplicados em setores como metais, automotivo, químico e equipamentos industriais. As empresas brasileiras têm US$ 386 bilhões investidos na Alemanha, com destaque para as áreas de software e serviços e TI, componentes eletrônicos, serviços e negócios, químicos e componentes automotivos.

Segundo o presidente da CNI, o Brasil passa por um momento promissor, devido ao avanço das reformas estruturais. Segundo ele, além do encaminhamento da reforma da Previdência, a indústria aposta na reforma tributária para eliminar o excesso de obrigações burocráticas que prejudicam os empreendedores e o comércio internacional.

Setor privado – O presidente da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Dieter Kempf, declarou que as relações econômicas entre Alemanha e Brasil são estratégicas. “O Brasil é uma das economias mais atraentes da América Latina. Mas se quisermos enfrentar os desafios do século XXI, precisamos de uma indústria forte. Na Alemanha e no Brasil. Há muitas oportunidades no Brasil. Mas sabemos que oportunidades implicam riscos, por isso precisamos de fôlego forte”, disse Kempf.

Ele defendeu a rápida entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, como um passo importante em “tempos de isolacionismo”. Segundo ele, a redução de tarifas vai fortalecer o comércio com a Europa, principalmente diante da incerteza a respeito do Brexit. Kempf avalia que, se o Reino Unido sair da União Europeia sem acordo, o crescimento econômico da Alemanha será de zero. A previsão do PIB atual é de expansão de 1%.

Além disso, o setor privado alemão defendeu o início rápido das negociações de um acordo para evitar a dupla tributação como o Brasil. “Um ADT seria um motor para os investimentos, quanto o mais rápido se chegar a um acordo tanto melhor será para as nossas economias e para os nossos investidores. O acordo vai favorecer todos as empresas”, afirma Kempf.

Governo alemão – O vice-ministro de Economia da Alemanha, Thomas Bareiss, deu sinalizações positivas para o empresariado brasileiro. Admitiu que o governo alemão tem interesse e iniciar o mais rapidamente possível as negociações de um ADT e afirmou que o acordo Mercosul-União Europeia é uma prioridade.

“Não devemos colocar o acordo Mercosul-EU em jogo. Há muitas vantagens nesse acordo para centenas de milhões de pessoas, na América do Sul e na Europa. A Alemanha é sinônimo de economia forte e também de sustentabilidade, de produtos sustentáveis. Os sinais emitidos pelo Brasil estão sendo bem positivos nesse sentido e tenho certeza de que poderemos implementar os padrões em conjuntos”, avalia o político alemão. (Com informações da CNI)

Exportações para os EUA crescem 9,5%

Rio – As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 9,5% em agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2018. Já as importações de produtos daquele país aumentaram 27,9%. Ao mesmo tempo, o comércio com os outros parceiros importantes (China, Argentina e União Europeia) teve queda.

Os dados foram divulgados ONTEM pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mostram que as exportações brasileiras para a Argentina recuaram 38,9% no mês. As vendas para a China caíram 17,1%, enquanto o volume exportado para a União Europeia recuou 7%.

Considerando-se todos os países, a corrente de comércio do País, ou seja, a soma das exportações e importações caiu 15% entre agosto de 2018 e agosto de 2019. Os valores exportados pelo Brasil, considerando o volume de exportação mais o preço cobrado por esses produtos e serviços, recuaram 13%. O valor dos importados caiu 17%.

Segundo nota da pela FGV, isso pode ser explicado pela “desaceleração no comércio mundial e o baixo nível da atividade brasileira”.

Em termos de volume, as exportações e importações tiveram a mesma queda (-13%), mas os preços dos bens importados recuaram mais do que os preços dos exportados. Em agosto, todos os setores tiveram queda no volume exportado, com destaque para a indústria de transformação. (ABr)