Consumidores têm optado por itens de primeira necessidade e estão reduzindo os gastos - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

As vendas do varejo em Minas Gerais recuaram 1,1% em agosto frente a julho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nessa quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A baixa observada no Estado está entre as mais intensas das unidades federativas. Na média nacional houve elevação de 0,1% na mesma base de comparação.

Com o desempenho do setor no oitavo mês de 2019, observou-se ainda retração de 0,6% sobre igual época do ano passado, de 0,5% no acumulado do ano até o oitavo mês e de 1,1% nos últimos 12 meses, sempre em Minas Gerais. Já no País, os resultados foram todos positivos em 1,2%, 1,3%, 1,4%, respectivamente.

De acordo com a gerente da PMC, Isabela Nunes, apesar das diferenças nos índices do Brasil e de Minas, ambos têm sofrido influências parecidas do mercado de trabalho nacional. Segundo ela, a diferença é que o Estado reflete com mais força os impactos, enquanto que na média nacional, os efeitos acabam diluídos.

“Tanto no Brasil quanto em Minas temos observado uma concentração das vendas nos itens de primeira necessidade em detrimento de outras áreas que dependem de uma situação orçamentária mais folgada para serem aquecidas. Diante deste movimento, o segmento de supermercados tem se beneficiado, enquanto outros que incluem os chamados bens duráveis nem tanto”, explicou.

A justificativa, conforme a especialista, está relacionada ao movimento que tem sido observado no mercado de trabalho brasileiro nos últimos meses, de aumento no número pessoas ocupadas em vagas informais. “Isso não deixa de ser positivo, pois o aumento do emprego movimenta a economia e beneficia diversos setores. No entanto, as vagas informais geram renda menor e as pessoas acabam limitando o consumo”, disse.

Com isso, apesar de ainda ser cedo para traçar uma expectativa quanto ao fechamento do exercício, Isabela Nunes acredita que o movimento será mantido e também aquecido pela sazonalidade tradicional dos próximos meses. “Em resumo, a insegurança e a falta de benefícios do trabalho informal têm deixado os consumidores mais cautelosos”, completou.

Em termos de setores, a pesquisa revelou que as atividades que se destacaram com variações positivas em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior foram: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 7%; equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com incremento de 5,1%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 3,1%.

Por outro lado, os setores de livros, jornais, revistas e papelaria e móveis e eletrodomésticos (-13,7%) apresentaram as maiores reduções quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Foram elas de -15,3% e 13,7%, respectivamente.

No acumulado do ano até agosto, quando o comércio mineiro recuou 0,5%, os destaques positivos também ficaram com os setores de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,4%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,1%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (3,7%). E as maiores baixas foram registradas igualmente em livros, jornais, revistas e papelaria e móveis e eletrodomésticos.

Varejo ampliado – No diagnóstico do comércio varejista ampliado, que conta com todos os setores pesquisados incluindo veículos, motocicletas, partes e peças, além de material de construção, tanto o Estado quanto o País apresentaram variações positivas em todas as bases de comparação. Em agosto deste ano frente ao mesmo mês do exercício passado os resultados para Minas foram de 0,7% sobre o mesmo período de 2018, 1% no acumulado do ano e 0,7% nos 12 meses.

Resultado é positivo na média nacional

São Paulo – As vendas no varejo do Brasil permaneceram em alta na metade do terceiro trimestre sustentadas por supermercados e alimentos, porém o resultado ficou aquém do esperado e mostrou perda de força.

O volume de vendas no varejo subiu 0,1% em agosto na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem.

Esse é o terceiro mês seguido de ganhos, mas o ritmo mostra perda de força das vendas. O setor iniciou o terceiro trimestre com aumento de 0,5% nas vendas em julho, em dado revisado pelo IBGE após divulgar antes alta de 1,0%.

Em relação a agosto do ano passado, as vendas tiveram aumento de 1,3%. Entretanto, os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de ganhos de 0,3% na comparação mensal e de 1,8% na base anual.

Entre as oito atividades pesquisadas, o IBGE informou que quatro apresentaram avanço. Os destaques ficaram para as altas de 0,6% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; e de 0,2% de Outros artigos de uso pessoal e doméstico. Juntas, as duas atividades respondem por mais de 60% do total do varejo.

“O aumento nos dois grupos indica um perfil de consumo mais básico, associado às classes de rendimento mais baixas da população”, disse a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, segundo o IBGE.

Por outro lado, as vendas de Combustíveis e lubrificantes e de Tecidos, vestuário e calçados recuaram, respectivamente, 3,3% e 2,5%.

“A variação negativa para esses tipos de produtos confirma que a população está dedicando mais seu orçamento às compras de primeira necessidade”, completou Nunes.

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, houve estabilidade. O setor de Veículos, motos, partes e peças registrou queda de 1,7%, enquanto Material de construção recuou 0,8% em agosto.

O cenário para o varejo no Brasil é de juros e inflação baixos, mas com um mercado de trabalho ainda fraco, o que restringe o poder de compra dos trabalhadores. (Reuters)