Crédito: Charles Silva Duarte

A recuperação de crédito na capital mineira apresentou alta de 4,15% em agosto no acumulado dos últimos 12 meses. Este é o quinto aumento consecutivo acompanhando a trajetória de queda do número de inadimplentes observada desde o mês de abril, neste tipo de comparação.

Os dados do Indicador de Recuperação de Crédito do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) foram divulgados ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

De acordo com o economista da entidade, Gilson Machado, a combinação de uma série de fatores tem proporcionado este movimento, que pode melhorar ainda mais nos próximos meses.

“Alguns indicadores macroeconômicos estão contribuindo para que o consumidor consiga quitar as dívidas. Entre eles está a própria inflação, que no período compreendido está menor e a taxa básica de juros (Selic) que também em trajetória descendente, tem ajudado na hora de as pessoas renegociarem seus débitos”, explicou.

A título de comparação, a queda da taxa básica de juros quando comparada ao mesmo período de um ano está 1 ponto percentual menor, tendo passado de 6,5% em agosto de 2018 para 6,5% em agosto deste ano; já a queda da inflação em 0,77 ponto percentual no mesmo período reflete a baixa de 4,19% para 3,42%, respectivamente.

De qualquer maneira, o especialista chamou a atenção para o fato de os consumidores ainda se manterem cautelosos, em virtude da recuperação ainda lenta da economia nacional. O Produto Interno Bruto (PIB) que inicialmente tinha uma previsão de crescimento de 2,5% foi revisado para 0,81% (Bacen). No entanto, ele destacou também que há um ambiente melhor quando comparado aos anos anteriores.

“Existem outros fatores que poderão continuar influenciando a recuperação de crédito e, consequentemente, o nível das vendas no comércio nos próximos meses. A começar pelos saques do FGTS, disponibilizados a partir de setembro e também o pagamento da primeira parcela do 13º salário. Ambos injetam recursos na economia e muitas pessoas acabam utilizando para quitar dívidas, recuperando seus créditos para voltar a consumir”, detalhou, citando também a recuperação do mercado de trabalho.

Dívidas quitadas – Neste sentido, o Indicador de Dívidas, que mostra o número de dívidas que foram quitadas, está seguindo a mesma tendência dos devedores, e apresentou um crescimento de 0,14% no acumulado dos últimos 12 meses. É que, da mesma maneira, à medida que as pessoas vão conseguindo se realocar no mercado de trabalho, elas quitam alguns débitos.

“São os dois lados: quem tem dívida busca quitá-las para voltar a consumir e quem não tem, usa para consumir ou investir. Em ambos os casos orientamos sempre pela importância do planejamento financeiro para não ficar inadimplente. É preciso consumir de forma consciente”, finalizou o economista.

Setor deve gerar 91 mil vagas no Natal

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a oferta de vagas temporárias para o Natal de 2019 será a maior em seis anos. Segundo projeção da entidade, serão contratados 91 mil trabalhadores temporários neste fim de ano para atender ao aumento sazonal das vendas. O número é 4% maior do que o registrado em 2018 (87,5 mil). O Natal é a principal data comemorativa do varejo e deve movimentar R$ 35,9 bilhões em 2019.

“Contribuem para a retomada parcial do nível de atividade do setor a inflação baixa, os juros básicos no piso histórico, os prazos mais amplos para a quitação de financiamentos e, principalmente, a liberação de recursos extraordinários para o consumo, como os saques no FGTS e no PIS/Pasep”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Regionalmente, São Paulo (22,6 mil), Minas Gerais (10 mil), Rio de Janeiro (9,4 mil) e Rio Grande do Sul (7,6 mil) concentrarão mais da metade (54%) da oferta de vagas.

De acordo com o estudo da CNC, os maiores volumes de contratações deverão ocorrer nos ramos de vestuário (62,5 mil vagas) e de hiper e supermercados (12,8 mil). “Entre os segmentos do varejo, as lojas de vestuário, acessórios e calçados são, historicamente, as mais afetadas positivamente pelas vendas natalinas”, lembra o economista da Confederação Fabio Bentes, que completa. “Enquanto o faturamento do varejo cresce em média 34% na passagem de novembro para dezembro, no segmento de vestuário esse percentual costuma subir 90%.”

 

Profissões – Neste ano, o levantamento realizado pela CNC traz também um recorte de profissões, que mostra que oito em cada dez vagas ofertadas deverão ser preenchidas por vendedores (57 mil), operadores de caixa (13 mil) e pessoal de almoxarifado (4,6 mil). Os maiores salários médios deverão ser pagos aos contratados para os cargos de gerente de marketing e vendas (R$ 2.724) e gerentes de operações comerciais (R$ 2.020).

A taxa de efetivação dos trabalhadores temporários deverá ser maior do que nos últimos cinco anos, com expectativa de absorção definitiva de 26,1%. De acordo com Bentes, entretanto, “a ainda lenta recuperação da economia e do consumo desde o fim da recessão deverá impedir que o varejo apresente taxas de efetivação superiores a 30%, como costumava ocorrer até 2014.” (Da Redação)