Saldo em Minas ficou positivo em 111.469 vagas entre janeiro e setembro, de acordo com dados do Caged - Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

O saldo de empregos em Minas Gerais teve uma redução de 26,13% em setembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2018. Os dados foram divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, e revelam que o último mês teve saldo de 3.841 vagas, contra 5.200 no mesmo intervalo de tempo do ano passado.

No total, 150.393 contratações e 146.552 demissões foram realizadas em setembro deste ano. Em 2018, os números registrados foram 140.141 e 134.941, respectivamente.

O saldo do acumulado do ano também apresenta decréscimo quando se compara setembro de 2019 com o mesmo período de 2018. Enquanto, no ano passado, os números mostram um total de 114.629 vagas, eles caem para 111.469 neste ano, uma redução de 2,7%.

O maior destaque de setembro deste ano no Estado ficou por conta do setor de serviços, que apresentou saldo de 7.315 vagas. O número é inferior, porém, ao registrado nesse segmento no mesmo período de 2018, quando o saldo foi de 9.897 vagas, uma retração de 26%.

Dentro do setor de serviços, o que mais se sobressaiu em setembro deste ano foi o subsetor que engloba comércio e administração de imóveis, valores mobiliários e serviços técnicos, com saldo de 3.062 vagas.

No acumulado do ano, 2019 apresenta crescimento no setor de serviços em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram registradas 54.858 vagas contra 52.831, um aumento de 3,8%.

Comércio – Um dos dados que chamam bastante a atenção no mês de setembro deste ano em relação ao mesmo intervalo de tempo de 2018 diz respeito ao comércio. No ano passado, o saldo no setor era de 2.659 vagas no período. Neste ano, de 347, uma retração de 86,9%, com saldo negativo do comércio atacadista, de 133 vagas.

Tanto no acumulado deste ano quanto no do ano passado, o saldo do comércio é negativo, de 7.632 vagas e 5.357 vagas, respectivamente.

Saldo negativo – O mês de setembro de 2019 teve saldo negativo no setor de agropecuária, de 8.502 vagas. No entanto, no mesmo período de 2018, o saldo negativo era ainda maior, de 13.432 vagas.

No acumulado do ano, de janeiro a setembro, porém, o saldo da agropecuária é positivo, de 11.204 vagas. No ano passado, esse número era ainda maior, de 19.095 vagas, representando um decréscimo de 41,3%.

Mineração – O setor de mineração, mesmo após o rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), apresenta incremento no acumulado do ano em comparação com o mesmo período de 2018. O saldo é de 2.888 contra 1.061, representando um crescimento de 172,1%.

No entanto, quando a análise é feita tendo como base setembro deste ano com igual mês de 2018, houve decréscimo no saldo do setor, que passou de 145 vagas para 109, uma redução de 24,8%.

Outros setores – No acumulado do ano, a construção civil teve alta de 3,9%. O saldo foi de 25.955 vagas em 2018 contra 26.972 neste ano.

No entanto, o crescimento não se verifica quando a comparação é entre setembro deste ano com igual período do ano passado. O saldo de 2018 era de 3.572 enquanto o deste ano é de 2.445 vagas, uma redução de 31,5%.

Houve redução também no saldo de vagas da indústria de transformação, que passou de 2.195 para 2.054, uma retração de 6,4%. No acumulado do ano, no entanto, houve incremento de 14,7%, passando de 19.071 vagas para 21.893.

A administração pública, por sua vez, foi o setor que gerou o menor saldo de vagas em setembro deste ano, de 8. Em 2018, eram 62, o que significa uma redução de 87%. No acumulado do ano, foram 675 vagas em 2019 contra 687 em 2018, uma diminuição de 1,7%.

Desempenho foi positivo na média nacional

Brasília – Beneficiada pelos serviços e pela indústria, a criação de empregos com carteira assinada atingiu, em setembro, o maior nível para o mês em seis anos e o sexto mês seguido de crescimento. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, 157.213 postos formais de trabalho foram criados no último mês. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

A última vez em que a criação de empregos tinha superado esse nível foi em setembro de 2013, quando as admissões superaram as dispensas em 211.068. A criação de empregos totaliza 761.776 de janeiro a setembro, 6% a mais que no mesmo período do ano passado.

Setores – Na divisão por ramos de atividade, sete dos oito setores pesquisados criaram empregos formais em setembro. O campeão foi o setor de serviços, com a abertura de 64.533 postos, seguido pela indústria de transformação (42.179 postos). Em terceiro lugar, vem o comércio (26.918 postos).

O nível de emprego aumentou na construção civil (18.331 postos); na agropecuária (4.463 postos), no extrativismo mineral (745 postos) e na administração pública (492 postos). O único setor que demitiu mais do que contratou foram os serviços industriais de utilidade pública, categoria que engloba energia e saneamento, com o fechamento de 448 postos.

Tradicionalmente, a geração de emprego é alta em setembro, por causa da produção da indústria para o natal e do aquecimento do comércio e dos serviços para as festas de fim de ano. Na agropecuária, o início da safra de cana-de-açúcar é a principal responsável pela geração de empregos, principalmente no Nordeste.

Regiões – Todas as regiões brasileiras criaram empregos com carteira assinada em setembro. O Nordeste liderou a abertura de vagas, com 57.035 postos, seguido pelo Sudeste (56.833 vagas) e pelo Sul (23.870 vagas). O Centro-Oeste criou 10.073 postos, e o Norte abriu 9.352 vagas formais no mês passado.

Na divisão por estados, todas as 27 unidades da Federação geraram empregos no mês passado. As maiores variações positivas no saldo de emprego ocorreram em São Paulo (abertura de 36.156 postos), em Pernambuco (17.630), em Alagoas (16.529) e no Rio de Janeiro (13.957).

Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro comentou que se trata do melhor resultado para o mês em seis anos. “Estamos mudando o Brasil para melhor”, afirmou.

Rais – O Ministério da Economia também divulgou os números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2018. O ano passado fechou com 46,63 milhões de vínculos, 349,52 mil a mais do que em 2017, o que corresponde a um aumento de 0,8% nos postos com carteira assinada no país.

No ano passado, foram abertos na iniciativa privada 371.392 postos de trabalho com carteira assinada, 1,02% a mais do que em 2017. Houve crescimento em quatro das cinco regiões do país, com liderança para o Nordeste, onde a oferta de vagas subiu 1,21%. A segunda maior alta foi registrada no Sul (1,1%), seguido pelo Norte (0,96%) e pelo Sudeste (0,67%). Apenas no Centro-Oeste, houve fechamento de postos de trabalho, com queda de 0,52%.

Das 27 unidades da federação, 19 fecharam com desempenho positivo no emprego formal – principalmente Maranhão, Mato Grosso, Amapá, Santa Catarina e Amazonas.

O aumento no emprego foi maior na faixa de trabalhadores de 40 a 49 anos, com a abertura de 258 mil vagas. Em segundo lugar, vieram os empregados de mais de 50 anos (153 mil vagas), seguido pela faixa de 30 a 39 anos (83 mil vagas). A diferença entre homens e mulheres diminuiu levemente, com o emprego feminino subindo de 40% em 2017 para 40,1% dos postos de trabalho em 2018.

Em relação à escolaridade, o maior crescimento foi registrado entre os trabalhadores com ensino superior completo (458 mil vagas), seguido pelos que têm o ensino médio (373 mil) e o superior incompleto (69 mil). Nos demais níveis de educação, houve fechamento de vagas. (ABr)