Crédito: Marcelo Casal Jr

São Paulo – O dólar sofreu na sexta-feira (18) a maior queda percentual diária em mais de seis semanas, de mais de 1%, com investidores realizando lucros depois de na véspera catapultarem a cotação de novo para perto do patamar psicológico de R$ 4,20.

O real teve o melhor desempenho entre as principais divisas nesta sessão. A queda do dólar foi expressiva a ponto de aproximar a cotação de um importante suporte técnico, que se deixado para trás poderia acionar novas ordens de venda de dólar e puxar a cotação ainda mais para baixo.

Segundo operadores, o mercado embolsou lucros nesta sessão depois de forte pressão de alta que colocou a moeda em patamares mais atrativos para venda.

Ajudaram nesse movimento declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, esclarecendo comentários da quinta-feira sobre possibilidade de compra de dólares. Na véspera, o dólar superou R$ 4,18 após o presidente do BC comentar sobre chances de aquisições de moeda caso fluxos dos leilões do pré-sal gerem distorções no mercado.

Apesar de reconhecer que o real pode se apreciar com a entrada de recursos com a cessão onerosa e com programas de privatizações e de concessões, ele frisou que o câmbio é flutuante. “O que nós sempre dizemos é que o banco central faz intervenções em momento onde tem gap de liquidez, ou seja, tem ruptura de um processo contínuo”, afirmou.

Segundo Bruno Marques, gestor dos fundos multimercados da XP Asset, o câmbio parece “mais equilibrado” nos atuais níveis, mas de toda forma deve agora começar a antecipar o fluxo dos leilões da cessão onerosa, com potencial fluxo estrangeiro, o que pode jogar a favor de algum alívio adicional no dólar.

As áreas em oferta no leilão de 6 de novembro juntas somam um bônus de assinatura total fixo de cerca de R$ 106,5 bilhões.

Juros baixos – Com a baixa desta sessão, o dólar passou a acumular queda de 0,87% em outubro, mas em 2019 ainda sobe cerca de 6,2%. Como motivo para essa alta, analistas citam a escassez de fluxo em parte pela falta de estímulo a operações com o real devido à queda do diferencial de juros a mínimas históricas, na esteira do recuo da Selic também a pisos recordes.

A chance de mais quedas dos juros e a expectativa de que se mantenham em patamares mínimos são elementos que devem limitar qualquer apreciação mais consistente do real, segundo Marques, da XP Asset, pelo menos até uma recuperação mais visível da atividade econômica.

“A taxa de câmbio vai se ajustar as expectativas em relação ao conjunto de fundamentos domésticos e externos. E o BC (Banco Central) vai calibrar os juros levando em conta estes efeitos na inflação”, disse Marcos Mollica, gestor no Opportunity.

No mercado à vista do Brasil, o dólar fechou, na sexta-feira, em queda de 1,22%, a R$ 4,1193 na venda.

É a maior queda diária desde 4 de setembro (-1,79%). O patamar é o mais baixo desde a sexta-feira da semana passada (R$ 4,0954 na venda).

Na B3, onde os negócios com dólar futuro vão até as 18h, o contrato de dólar de maior liquidez cedia 1,15% às 17h29, a R$ 4,1195.

Na mínima do dia, o dólar spot bateu R$ 4,1112 na venda, em baixa de 1,41%. Com isso, ficou a menos de 1 centavo da média móvel linear de 50 dias (R$ 4,1051 na venda).

Em 4 de outubro, esse suporte técnico chegou a ser rompido, mas de maneira tímida, e na sessão seguinte o dólar retomou a alta. Na ocasião, o fracasso na tentativa de cair, de forma consistente, abaixo desse nível técnico acabou atraindo compras do mercado, o que impulsionou o dólar e aproximou a moeda novamente do patamar psicológico de R$ 4,20.

Mesmo com o alívio da sexta, o dólar à vista apenas conseguiu reduzir a alta da semana, que ficou em 0,58%, na segunda semana consecutiva de valorização. E a volatilidade implícita de três meses de opções de dólar/real – uma medida da incerteza sobre o rumo da taxa de câmbio – subiu a 12,625% nesta sessão, máxima em quase um mês, indicação de que o cenário para o câmbio segue instável.

No exterior, o dólar recuava 0,34% contra uma cesta de moedas, atingindo os menores níveis desde 23 de agosto, puxado pela valorização do euro e da libra, beneficiadas pela expectativas de aprovação, pelo Parlamento britânico, de acordo para o Brexit já acertado entre o Reino Unido e a União Europeia (UE). (Reuters)

Ibovespa recua 0,27% com cenário externo

São Paulo – O principal índice da bolsa paulista caiu na sexta-feira (18), contaminado pela fraqueza de Wall Street e relativa cautela com a temporada brasileira de balanços que começa na próxima semana. Banco do Brasil foi destaque de alta após oferta secundária de ações.

O Ibovespa caiu 0,27%, a 104.728,89 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 16,2 bilhões. Apesar do declínio, o Ibovespa encerrou a semana com ganho de 0,86%.

A sessão começou com otimismo, puxado sobretudo pelo desempenho das ações da Petrobras após dados de produção considerados positivos por analistas, mas o fôlego arrefeceu conforme as bolsas em Nova York estenderam perdas. O S&P 500 fechou em baixa de 0,39%.

Nos Estados Unidos, notícias corporativas pesaram, com destaque para nomes como Johnson & Johnson e Boeing, em sessão de agenda econômica mista na China, onde o PIB desacelerou acima do esperado no terceiro trimestre, mas a produção industrial cresceu mais que o previsto em setembro.

“O Ibovespa acompanhou o exterior”, afirmou o gestor Ricardo Campos, sócio-fundador da Reach Capital, acrescentando que o noticiário político também não ajudou. “A briga do presidente Jair Bolsonaro com o seu partido põe em dúvida o ritmo da agenda de reformas, que deve voltar a ser tocada pelo Congresso.”

A crise no PSL teve início a partir de denúncias sobre irregularidades em campanhas do partido e foi agravada após disputas internas que resultaram em um racha na legenda e, nos mais recentes desdobramentos, na suspensão de cinco deputados sob alegação de que atacaram o partido e seu presidente.

Para o gestor Henrique Bredda, sócio da Alaska Asset Management, o efeito do conflito no PSL tende a ser limitado uma vez que o Congresso tem chamado para si a responsabilidade da pauta de reformas, como no caso da reforma da Previdência.

Ele avaliou que o comportamento comedido do Ibovespa pode decorrer da prudência de investidores para a temporada de balanços. “O mercado pode estar esperando para ver se os resultados refletem sinais de recuperação da economia já apontados em alguns indicadores”, disse.

Destaques – Banco do Brasil ON subiu 2,56%, a R$ 46,06, após sua oferta secundária de ações. Para profissionais de renda variável, a alta refletiu compras especialmente de estrangeiros, que tinham pressionado por preço mais baixo na oferta e ficaram de fora da operação, precificada a R$ 44,05 cada.

Itaú Unibanco PN caiu 1,18% e Bradesco PN recuou 0,47%. O Bradesco BBI publicou prévia de resultado do terceiro trimestre estimando comportamento estável na base trimestral para o lucro dos principais bancos privados (a análise não inclui Bradesco), argumentando que o melhor mix de crédito será insuficiente para sustentar margens mais altas.

Petrobras PN caiu 0,22% e Petrobras ON recuou 0,83%, com a piora dos preços do petróleo contaminando as ações da companhia, que divulgou na noite de quinta-feira (17) dados de produção no Brasil no terceiro trimestre. O analista Gabriel Fonseca, da XP Investimentos, considerou os números positivos, mas em linha com as estimativas.

Eletrobras PN e Eletrobras PNB subiram 5,03% e 3,37%, respectivamente, em meio a expectativas de envio do projeto de capitalização da estatal ao Congresso nas próximas semanas, o que deve tornar a União minoritária, bem como o sinal da chinesa State Grid de que não descarta participar da privatização da brasileira.

Vale ON caiu 1,46%. Usiminas PNA retrocedeu 0,66%, CSN ON se desvalorizou 1,81% e Gerdau PN cedeu 1,79%.

Cogna ON, ex-Kroton, recuou 0,28%, após divulgar números de captação de alunos para o segundo semestre. A Guide Investimentos considerou que os resultados vieram fracos, com queda nas rematrículas, redução da base de alunos, e aumento na evasão. “Por outro lado, o aumento na receita de captação mostra alguma reação da companhia”, afirmou. No setor, Yduqs ON fechou em alta de 0,08%.

Cyrela perdeu 1,29%, em sessão de ajustes, após seis altas seguidas, período em que acumulou valorização de 8,6%. Na outra ponta, MRV ON subiu 0,57%. (Reuters)