Com elevação nos preços de 0,93%, o vestuário foi o grupo que mais pesou no IPCA de BH - Crédito: Divulgação

Enquanto a inflação oficial do País cresceu 0,10% no mês passado, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou à alta de 0,17% sobre o mês imediatamente anterior, representando o quinto maior resultado mensal entre as 16 áreas pesquisadas. Ainda assim, o resultado dos preços na capital mineira e região foi o menor para o mês de outubro desde 2000 (0,12%).

Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e segundo o coordenador da pesquisa, Venâncio da Mata, foram puxados basicamente pelos grupos de vestuário (0,93%), transportes (0,68%), despesas pessoais (0,44%), saúde e cuidados pessoais (0,41%) e alimentação e bebidas (0,22%).

“A maior variação positiva no IPCA de outubro ficou com o grupo vestuário, com destaque para as altas observadas em joias e bijuterias (2,94%), roupa feminina (1,55%), roupa masculina (0,78%) e calçados e acessórios (0,73%)”, citou.

Já a variação positiva do grupo alimentação e bebidas foi impactada principalmente pelo aumento dos preços na alimentação fora de casa (0,78%). O lanche registrou alta de 1,17% e a refeição, de 0,27%. Já a alimentação no domicílio apresentou queda de 0,06%.

Energia elétrica – Por outro lado, houve deflação nos grupos habitação (-0,80%) e artigos de residência (-0,70%). Nesses casos, o especialista destacou que, no grupo de artigos de residência, o destaque ficou por conta das quedas nos preços dos eletrodomésticos e equipamentos (-1,08%) e dos mobiliários (-0,85%).

Já na habitação, houve recuo de 4,24% no preço da energia elétrica residencial, que passou da bandeira vermelha patamar 1 em setembro para bandeira amarela em outubro. “No entanto, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) já informou que a bandeira tarifária para o mês de novembro será a vermelha, no patamar 1, o que provavelmente, voltará impactar positivamente na inflação”, estimou.

De toda maneira, o levantamento do IBGE mostrou que a inflação na RMBH no acumulado dos dez primeiros meses de 2019 ficou em 2,66% e nos últimos 12 meses em 2,57%. Já em âmbito nacional, os números foram de 2,60% e 2,54%, respectivamente.

Construção – O Índice Nacional da Construção Civil (INCC/Sinapi), divulgado também pelo IBGE, apontou crescimento tanto em Minas Gerais quanto no Brasil. No Estado, o custo médio da construção apresentou variação de 0,05%, enquanto no País, a elevação foi de 0,19%.

De acordo com a pesquisa, o custo da construção por metro quadrado atingiu R$ 1.101,65 em Minas, sendo R$ 588,90 referentes aos materiais e R$ 512,75, à mão de obra. No Brasil, o custo da construção foi de R$ 1.155,01, sendo R$ 605,40 relativos aos materiais e R$ 549,61, à mão de obra.

País tem menor patamar em 21 anos

São Paulo – Os preços no Brasil voltaram a subir em outubro conforme esperado, mas ainda assim registraram o menor patamar para o mês em 21 anos, e a inflação oficial em 12 meses foi abaixo do piso da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,10% em outubro, depois de variação negativa de 0,04% em setembro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse foi o resultado mais baixo para um mês de outubro desde 1998 (+0,02%) e ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,09% no mês.

Em 12 meses, o IPCA passou a registrar avanço de 2,54%, abaixo de 2,89% até setembro. Com isso, a inflação vai abaixo do piso da meta oficial para 2019, de 4,25% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

É o menor resultado nessa base de comparação em dois anos, repetindo a taxa de 2,54% vista em setembro de 2017, e também ficou em linha com a expectativa na pesquisa de alta de 2,52%.

Política monetária – A inflação fraca permanece respaldando a decisão do BC de adotar afrouxamento da política monetária. A autoridade cortou a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual em outubro, a 5% ao ano, e indicou com clareza que deverá repetir a dose em sua próxima decisão.

Para além disso, entretanto, a postura é de cautela em relação aos fatores que podem pressionar a inflação para cima diante da falta de comparativos históricos sobre as reações observadas em um ambiente de Selic tão baixa.

Os dados do IBGE mostram que os principais pesos foram exercidos pelas altas de Vestuário (0,63%), Saúde e cuidados pessoais (0,40%) e Transportes (0,45%).

Já Alimentação e bebidas, com importante peso no bolso dos brasileiros, deixou para trás a queda de 0,43% em outubro e passou a subir 0,05%.

Por outro lado, três grupos registraram retração nos preços, com destaque para o recuo de 0,61% em Habitação, devido, principalmente, ao item energia elétrica (-3,22%). Também apresentaram deflação Artigos de Residência e Comunicação, respectivamente de 0,09% e 0,01%. (Reuters)

Atacado puxa crescimento do IGP-DI em outubro

São Paulo – Os preços no atacado avançaram e compensaram a queda no varejo, levando o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) a acelerar em outubro a alta a 0,55%, de 0,50% no mês anterior.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou ontem que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) – que responde por 60% do indicador todo – teve alta de 0,84% no período, após avançar 0,69% no mês anterior.

O grupo Bens Finais inverteu seu movimento e registrou alta de 0,40% em outubro após recuo de 0,17% no mês anterior. O principal responsável por este avanço foi o subgrupo alimentos processados, que abandonou um declínio de 0,16% para subir 1,37%.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que responde por 30% do IGP-DI, passou a cair 0,09%, após estabilidade em setembro. O destaque para esse resultado ficou com os grupos Habitação, com deflação de 0,40%, Educação, que recuou 0,03%, e Comunicação, com queda de 0,09%.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), por sua vez, desacelerou a alta a 0,18% em outubro, de 0,46% anteriormente.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral. (Reuters)