O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) vai destinar mais de R$ 450 milhões para financiamento de projetos de geração de energia limpa e eficiência energética no Estado. Os recursos são provenientes de uma parceria inédita com o Banco Europeu de Investimento (BEI) e representa a maior linha de crédito internacional da história do banco para financiar a economia sustentável em Minas Gerais.

As informações são do presidente da instituição financeira, Sérgio Gusmão, que celebrou a parceria na sede do BEI, de 100 milhões de euros, em Luxemburgo, com a vice-presidente daquela instituição financeira, Emma Navarro, ontem.

“Trata-se do maior contrato da história do BDMG e uma parceria inédita com o Banco Europeu de Investimento. São cláusulas interessantes, com prazos alongados para operações e uma oportunidade ímpar para quem quer investir em energia renovável e eficiência energética em Minas Gerais”, comentou.

O objetivo, segundo ele, será financiar projetos de geração de energia limpa, incluindo energia solar fotovoltaica, PCHs, usinas de bioenergia, e eficiência energética. Poderão ser atendidos projetos em Minas Gerais de empresas de qualquer porte, com custo máximo 50 milhões de euros por projeto, incluindo iniciativas do poder público.

O prazo para pagamento pode chegar a 13 anos, dependendo da natureza da operação e do tipo de negócio, com até dois anos de carência. Os recursos do BEI serão liberados em fases e poderão ser até 20 repasses.

“Já possuímos uma carteira de projetos muito avançados neste segmento. Mas a nova linha de crédito vai permitir incrementar esse trabalho e diversificar ainda mais a matriz econômica mineira. Além disso, muitas iniciativas estão localizadas na parte Norte do Estado, como o Vale do Jequitinhonha, o que vai contribuir também para o desenvolvimento de regiões menos favorecidas do Estado”, destacou.

Conforme o presidente, já há cinco projetos em fase avançada aderentes ao perfil da linha, sendo dois em avaliação pelo próprio banco europeu. Assim, a expectativa é que o novo produto já ajude a incrementar, inclusive, os desembolsos neste exercício. Para se ter uma ideia, nos primeiros nove meses deste ano, o BDMG já desembolsou R$ 31 milhões para projetos de energia solar fotovoltaica. O valor é 142% maior do que o liberado no mesmo período do ano passado.

Gusmão lembrou que os recursos chegam no momento em que o mercado de energia limpa e renovável está em ascensão e reúne grande potencial em Minas. “Neste contexto, é compromisso do BDMG proporcionar recursos para apoiar o relançamento da economia mineira em bases sustentáveis e em sintonia com o perfil de crédito disponibilizado no mundo”, garantiu.

BEI – Criado em 1958 e sediado em Luxemburgo, o Banco Europeu de Investimento (European Investment Bank, EIB, em inglês) é uma das maiores instituições multilaterais no mundo. Nos últimos cinco anos, concedeu mais de 65 bilhões de euros em novos financiamentos para investimentos globais em energia renovável, eficiência energética e distribuição de energia.

Grupos estrangeiros avançam no mercado brasileiro

São Paulo – Empresas como a chinesa CGNEI, a norueguesa Statkraft, a francesa EDF e a Golar Power, associação entre a norueguesa Golar LNG e um fundo, avançaram em sua estratégia no Brasil ao conquistar na sexta-feira (18) contratos para venda de energia no leilão A-6, promovido pelo governo para atender à demanda futura de distribuidoras de eletricidade locais.

Além dessas, destacaram-se na licitação outros grupos, como a Rio Energy, do fundo norte-americano Denham Capital, a paranaense Copel, a Eneva e as desenvolvedoras de projetos Casa dos Ventos e SER, segundo comunicados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), das empresas e análise da consultoria ePowerBay.

O leilão na sexta-feira fechou a compra de energia junto a empreendimentos que somarão capacidade total de 2,9 gigawatts e deverão demandar investimentos de cerca de R$ 11 bilhões. Pelos contratos fechados na licitação, de 20 a 30 anos de duração, as usinas precisarão iniciar operação a partir de 2025.

A Golar Power foi a principal vencedora em termos de volume, ao viabilizar a usina Novo Tempo Barcarena, no Pará, com 604,5 megawatts em capacidade. O projeto, em sociedade com a Evolution Power Plants (EPP), utilizará gás natural e deverá demandar R$ 1,5 bilhão, segundo a CCEE.

Já a norueguesa Statkraft disse que vendeu no certame a produção futura de 375,6 megawatts das usinas eólicas Ventos de Santa Eugênia e Serra da Mangabeira, na Bahia. Os projetos deverão demandar aportes de cerca de R$ 1,5 bilhão, de acordo com a consultoria ePowerBay.

Também destacou-se com volume significativo na licitação a Atlantic, empresa de energia renovável recentemente adquirida pelo grupo chinês CGNEI. A Atlantic, já sob controle da CGNEI, fechou contratos para parques eólicos na Bahia e no Piauí com 218,5 megawatts.

Isso permitirá à companhia desenvolver 248 megawatts em projetos, escreveu em seu perfil no Linkedin o chefe de Operações da Atlantic, Gabriel Luaces.

A francesa EDF, que vinha se destacando em leilões no Brasil, também sagrou-se entre as vencedoras, com projeto para parque eólico de 42 megawatts na Bahia orçado em R$ 168 milhões, segundo o levantamento da ePowerBay.

Entre as estrangeiras, destacou-se também a francesa Voltalia, que vendeu a produção futura de uma pequena hidrelétrica em Minas Gerais com 16 megawatts, que deverá exigir R$ 151 milhões, e de parques eólicos com 80 megawatts, orçados em R$ 123 milhões.

A ePowerBay ainda apontou que a Rio Energy, do fundo Denham Capital, viabilizou um parque eólico de 27,5 megawatts na Bahia, estimado em R$ 96 milhões.

Empresas locais – Entre as elétricas brasileiras, um dos destaques foi a estatal paranaense Copel, que viabilizou o parque eólico Jandaíra, no Rio Grande do Norte, com 90 megawatts em capacidade.

A Copel disse em comunicado que o investimento estimado é de R$ 400 milhões e que a energia vendida no leilão representa 30% da garantia física do parque, “sendo que o restante da energia deverá ser comercializada através de contratos no ambiente livre”.

A Eneva venceu o certame com o projeto termelétrico Parnaíba VI, uma expansão da usina Nova Venécia 2 em 92,3 megawatts por meio de fechamento de ciclo da unidade. O investimento estimado é de R$ 470 milhões, disse a empresa em comunicado.

A desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos conquistou contratos para empreendimento no Rio Grande do Norte, o projeto Santa Léia, com 67,2 megawatts em capacidade. O investimento estimado é de R$ 269 milhões.

Já a SER comercializou a produção de 300 megawatts do projeto solar Graviola, no Piauí, orçado em R$ 1,16 bilhão, segundo a ePowerBay.

Analistas do BTG Pactual destacaram o desempenho de Eneva e Copel. Em relatório no domingo, apontaram que o resultado pode resultar na criação de valor entre R$ 0,4 e R$ 0,9 por ação para a Eneva e de R$ 0,1 por ação para a Copel.

Solar – O leilão de energia brasileiro também teve como destaque o desempenho dos projetos de energia solar, que tiveram os menores preços médios da licitação, abaixo das usinas eólicas, segundo análise do centro de estudos Acende Brasil.

A energia dos empreendimentos solares foi comercializada por R$ 84,39 por megawatt-hora, em média, contra R$ 98,89 por MWh das eólicas, apontou o instituto em relatório.

Com isso, as solares registram o segundo certame consecutivo como fonte mais barata entre as negociadas, repetindo desempenho visto no leilão A-4, em junho.

Os preços no leilão A-6 da sexta-feira, no entanto, não chegaram bater recorde visto no certame A-4, quando as solares comercializaram energia a até R$ 64,99 por MWh, um recorde negativo, enquanto as eólicas negociaram a até R$ 79,92 por MWh, também perto de mínimas da fonte. (Reuters)