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As mudanças no sistema previdenciário representam um alívio, melhor ainda a chance de o País reencontrar uma rota de reequilíbrio e ponto de partida para a recuperação. Assim entendem, no geral, os agentes econômicos, que apontam como avanço as mudanças que vão sendo encaminhadas, acreditando também que houve uma vitória política, ainda que com componentes de um passado a esquecer, que pode facilitar o encaminhamento de ajustes mais finos, as tais reformas que vão se arrastando sem que até agora não tenham sequer se aproximado do que precisa ser feito.

Temos que comemorar, sobretudo, a possibilidade de volta do otimismo e da confiança, temos que atuar objetivamente para consolidar estes sentimentos e, sobretudo, dar-lhes concretude, barrando finalmente o ciclo de revisões, infelizmente sempre para menor, das previsões de crescimento econômico. Tendo em conta, também, que as decisões agora tomadas foram, em relação às necessidades reais, apenas parciais e, pior, sem que a rigor tenham sido corrigidas justamente as distorções críticas, aquelas que cristalizam injustiças e nos fazem ver, na prática, que nem todos os brasileiros são tão iguais quanto a Constituição diz que deveriam ser.

Em termos práticos, e consideradas as mudanças introduzidas por deputados depois da aprovação do texto-base, é preciso entender que a redução de gastos ficará abaixo do pretendido – e do necessário. Um alívio, um alento, algo a comemorar, porém com a consciência de que em mais alguns anos a discussão terá que ser retomada. De qualquer forma é desse ponto que a equipe do ministro Paulo Guedes terá que partir para dar sequência ao ciclo de reformas, no nosso entendimento partindo do conceito de que é possível e é necessário simplificar e desburocratizar, o que significa reduzir custos e gastos, produzir ganhos de eficiência e, com uma dose de ousadia, resultados que poderão ser percebidos mais rapidamente. A reforma tributária, sem lugar para dúvidas, está nesse contexto e é de e se acreditar que, do ponto de vista político, é tema menos sensível.

Para concluir, o que estamos tentando demonstrar é que, vencida a primeira batalha, aquela que o governo apontava como decisiva, é preciso ocupar o terreno conquistado e produzir resultados, o que significa também confirmar o que foi dito exaustivamente, ao longo dos últimos meses, pelo mais alto escalão do governo, começando do presidente da República. Todos esperamos que assim seja, muitos não torcem necessariamente para os atuais ocupantes do governo, mas é preciso entender que devemos torcer pelo País, por sua recuperação, por horizontes mais largos à frente. Com o entendimento, inclusive, que esta não é uma tarefa que se possa delegar e o reconhecimento de que é responsabilidade de todos os brasileiros.