Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

Na perspectiva da alta administração federal, a semana termina com sentimento de alívio. Sua proposta de reforma do sistema previdenciário afinal passou pelo crivo da Câmara dos Deputados e sem mutilações, na visão de seus autores pelo menos, comprometedoras. Resta agora a palavra final do Senado e, nesse espaço, ao que tudo faz crer, o governo não só tem menos a temer como carrega a esperança de que afinal a reforma proposta alcance também estados e municípios, o que é crucial.

Cabe entender, inicialmente, que como está não pode ficar, uma vez que, claramente, a alternativa é um colapso que pode estar perigosamente próximo. Cabe também entender, o que passa a ser crucial, que o ajuste na Previdência, ao que se informa capaz de propiciar uma economia próxima a R$ 1 trilhão nos próximos 10 anos, definitivamente não é a resposta para todos os males, está bem longe de ser a cura para os problemas que o País carrega. Será mais próprio afirmar que ganhamos tempo e ao mesmo tempo manifestar a esperança de que esse tempo seja bem aproveitado.

Prosseguir significa, e conforme tem sido dito, dar continuidade às reformas, o mesmo que remover os gargalos que obstruem o crescimento da economia, com o mais adequado aproveitamento dos recursos e das potencialidades que o País oferece. Temas como inovação e competitividade necessariamente fazem parte desse cardápio, são as armas com que podemos contar para vencer o atraso que, na economia, tem significado para o Brasil uma clara involução, com prejuízo para os negócios e, claro, evidente empobrecimento da população.

O próximo passo, como já foi dito, deverá ser a reforma tributária, sem esperanças de que se possa reduzir a carga atual, estimada em 35% do Produto Interno Bruto, mas pelo menos com pedidas de menos burocracia e mais racionalidade, o que também significa economia. Tudo isso sem que se perca de vista que as contas públicas permanecem ainda distantes do equilíbrio e, pior, que a gastança prossegue e os sinais de que as boas práticas de gestão, o mérito, estejam de fato sendo colocados em primeiro plano.

Sim, demos um passo à frente, ainda que a carga que verdadeiramente onera, ou inviabiliza, o sistema previdenciário, não tenha sido aliviada, apagando distorções e injustiças ou de fato garantindo que o Estado brasileiro recupera sua capacidade de investir. O que devemos esperar, ou desejar, é que governo e sociedade tenham consciência plena da realidade, reconhecendo que estamos apenas no começo.