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As notícias sobre desmatamento na Amazônia ganharam, nas últimas semanas, proporções alarmantes, além de inéditas. Se verdadeiros e confiáveis os dados apresentados, somente no mês de julho, em comparação com igual período do ano anterior, houve crescimento de inacreditáveis 278%, situação que fontes governamentais, começando pelo presidente da República, negam veementemente. Para eles, e conforme já amplamente divulgado, os dados apresentados não são corretos ou teriam sido propositadamente distorcidos, visando manter as políticas para a região. É um tema deveras controverso, pelo menos para aqueles que entendem que preservar a floresta amazônica não é transformá-la numa espécie de santuário intocado.

Da parte do governo atual existem, sem lugar a dúvida, exageros quando se anuncia, por exemplo, que as atividades de exploração mineral, garimpos inclusive, deveriam ser liberados sem restrições. Chegar a este ponto seria rematada loucura, até porque é evidente, considerada a limitação de recursos e a extensão das áreas envolvidas, a impossibilidade de controle, minimamente eficiente, sobre tais atividades. Há que haver o meio-termo, a atividade inteligente e consciente, que leve ao conhecimento e ao aproveitamento racional das riquezas ali existentes, inclusive com o remanejamento da própria floresta que, segundo os especialistas não engajados, é condição de sua sobrevivência.

Não faz sentido entregar a Amazônia à própria sorte, numa ocupação desordenada que em muito lembraria a conquista do Oeste dos Estados Unidos. Também não faz sentido, até porque é falsa a ideia de que a floresta seria uma espécie de pulmão do mundo, deixá-la intocada e improdutiva, quem sabe apenas para aplacar a consciência, ou os medos, de países altamente industrializados, que já consumiram suas florestas e agora, até com algum atrevimento, pretendem tomar conta das nossas. Ainda que seja necessário ocupá-las, como já foi dito sem qualquer cerimônia e mais de uma vez.

Como brasileiros, conscientes tanto da importância quanto da riqueza da região amazônica, acreditamos e defendemos sua proteção, porém em bases racionais, tendo como premissa essencial a proteção das populações nativas, porém sem os exageros que foram cometidos como criar reservas cuja extensão não guarda qualquer relação com a população que ali seria abrigada. Da mesma forma que não faz sentido o imobilismo que alguns sonhadores defendem, o que significa também condenar a população local à perpetuação de sua pobreza e abandono.

É possível fazer melhor e fazer bem feito, com sentido de soberania e de independência, através de um processo de integração inteligente do qual o Brasil não pode abrir mão.