Dirigida por um alemão durante pouco mais de três anos, a Fiat Automóveis, rebatizada FCA por conta de sua associação à Chrysler norte-americana, parecia ter perdido o rumo, com seus negócios – e liderança no mercado brasileiro – afetados de maneira dramática. Para que se tenha uma ideia melhor do peso dessa situação para a corporação, a unidade de Betim, berço da empresa no Brasil, chegou a ser a maior e a de melhor desempenho no mundo. O alemão, que enxergava Betim apenas como uma unidade de montagem de uma corporação cujo foco era a América Latina e, sendo assim, deveria ter sede em São Paulo, deu-se muito mal com sua arrogância e, felizmente, durou pouco. Dele não se sabe mais, enquanto seu sucessor, o italiano Antônio Filosa, trabalha para reverter o quase desastre, começando por reconhecer a importância do berço da Fiat no Brasil, realocando em Betim sua inteligência e comando.

Desnecessário dizer da importância dessa decisão para Minas Gerais. Também não será exagerado afirmar que a chegada dos italianos, nos anos setenta do século passado, marcou o início de um novo ciclo da economia regional e, para o País, a implantação do segundo polo automotivo no país.

Pena que a ousadia do então governador Rondon Pacheco não tenha sido melhor aproveitada e, adiante, consolidada a ideia do fortalecimento do segundo polo, que ganhara dimensão e importância com o programa de mineirização que fortaleceu a indústria regional de componentes. Minas perdeu muito com essa mudança, que ajudou a espalhar montadoras pelo País, em prejuízo evidente dos ganhos de escala.

Mas o importante a comentar e destacar é que a rota está sendo corrigida e a troca de comando começa, em pouco tempo, a produzir mudanças, primeiro de atitude, de resgate de uma história e de laços que não podem ser renegados, segundo de ação. Há poucos dias a FCA anunciou que está se preparando para construir uma nova fábrica de motores, um projeto global incorporando novas tecnologias, e que está sendo disputado também por uma unidade do grupo na Ásia. As chances de que Betim, ou outra cidade mineira, ganhe essa parada são de meio a meio, na avaliação de Filosa que aponta a nosso favor a existência, aqui, da melhor mão de obra do mundo.

Para quem ainda se lembra que nos anos setenta dizia-se que a fábrica de Betim não vingaria por falta de fornecedores e disponibilidade de pessoal qualificado, trata-se de um salto de grandes proporções.

Quem sabe para mudar o ânimo dos mineiros, reforçando a crença de que a saída para a economia do Estado é apostar para valer na agregação de valor e na inovação, elementos que estão solidamente presentes na FCA, muito bem-vinda no seu retorno ao Estado.