Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Com as contas apertadas, o que não é novidade, para contrariar a expectativa dos que apostavam numa recuperação mais rápida, a cúpula do governo federal, em Brasília, começa a se dar conta de que é preciso mais, muito mais, que retórica. O Ministério da Economia, onde Paulo Guedes tem marcado sua posição, aparentemente sem medo de produzir contrariedade em áreas mais sensíveis, é que marca esse tom, ajudando a desmanchar a ideia de que todos os males desapareceriam, feita a reforma do sistema previdenciário.

Assim é que, ao lado das discussões sobre os melhores rumos para a reforma tributária, que seria a segunda ofensiva de fôlego patrocinada pela atual administração, ressurge a possibilidade de redução do número de ministérios. Os comentários, ainda sem qualquer manifestação oficial, dão conta de que estaria sendo “estudada”, por conta e risco do Ministério da Economia, fusão dos ministérios de Meio Ambiente e Turismo, Cidadania e Direitos Humanos, e Infraestrutura e Desenvolvimento Regional, com o consequente corte de três ministérios.

Caso estes estudos avancem não faltará quem diga que a administração federal está errando e, pior, cortando exatamente áreas sensíveis. No Brasil, desde a redemocratização, cultivou-se a ideia absolutamente equivocada de que para atender determinada carência era suficiente criar um ministério. Nada mais falso, conforme a prática tem demonstrado.

Ninguém saberia dizer para que serve e o que fez o Ministério da Pesca, mas é certo que ele alojou apadrinhados, ajudando a costurar frágeis alianças políticas. E custou dinheiro que agora está faltando.

Não será exagero afirmar que a multiplicação de ministérios é consequência direta do pluripartidarismo ensandecido, sem causas e com muitas ambições. Não será fora de propósito, por outro lado, afirmar que a administração pública pode perfeitamente eleger prioridades e concentrar recursos materiais ou políticos em áreas consideradas mais sensíveis, sem que para isso seja necessário criar mais um ministério. Mais relevante, sem dúvida alguma, é que haja sincera consciência da relevância do tema e clara disposição de produzir resultados. Sem ministérios, sem ministros, sem secretários, sem dúzias de assessores, sem gabinetes, sem carros e residências oficiais, sem jatinhos à disposição.

Mais simples, mais barato e, quase certamente, também mais eficaz, ajudando a pôr fim a ilusões que custam caro e, se não for excesso de otimismo, também a apadrinhamentos que podem ser pelo menos mais baratos.