A duplicação da BR-040, no trecho entre Juiz de Fora e Brasília, passando por Belo Horizonte, está no rol daquelas novelas que parecem não ter fim e se arrasta há mais de 30 anos. Em 2014, tendo o governo federal reconhecido sua incapacidade de tocar a obra, já àquela altura essencialmente por falta de recursos, o trecho entrou em regime de concessão, com introdução de pedágio e compromisso de duplicação de 484 quilômetros.

Passados cinco anos, apenas 73 quilômetros, ou 13% do previsto, foram duplicados, embora o pedágio venha sendo cobrado, ininterruptamente, desde 2015.

No ano seguinte a concessionária entrou com pedido de revisão do contrato, alegando redução no volume de tráfego, que teria ficado aquém das metas estabelecidas. No ano seguinte levou ao Ministério do Transporte e ao Denit pedido de relicitação, renunciando à concessão e se propondo a manter os serviços básicos, de manutenção inclusive, até que sua posição pudesse ser revertida. Eis a situação que prevalece, com continuidade da cobrança do pedágio e total paralisação das obras previstas.

Anuncia-se agora a relicitação do trecho, cujo asfaltamento, vale lembrar, coincidiu com a construção de Brasília, tendo sido inaugurado também no distante 1960, adiante com a duplicação limitada ao trecho Rio de Janeiro a Juiz de Fora, com pouco mais de 200 quilômetros. Nada porém que torne previsível o fim da novela, sobre o que não existem previsões. O que já foi antecipado é que haverá relicitação, tarefa que demandará pelo menos mais dois anos de estudos, parecendo implícito que os prazos serão na realidade muito maiores, sendo mais realístico dizer que a duplicação da BR-040 está mais uma vez suspensa e, pior, sem que se possa afirmar quando a novela da antiga BR-3 concebida e construída por Juscelino Kubitschek, chegará ao fim.

Uma outra pergunta que continua sem resposta, face à frustração do que foi concebido, diz respeito, presentemente, à cobrança do pedágio, que prossegue em interrupção e que as melhorias introduzidas absolutamente não se justificam. Pagar já é um problema que não deveria existir e mais difícil ainda parece ser determinar o quanto foi arrecadado nesses anos todos e qual o balanço final dessa operação, enquanto os usuários, milhares deles todos os dias, continuam pagando por um serviço que simplesmente não existe.

Certo é que, se existe muita coisa a fazer e a decidir, se a administração pública aposta no regime de concessões para minorar os graves problemas de infraestrutura que o País enfrenta, certo é também que aos usuários e, mais amplamente, a contribuintes, são devidas explicações, desculpas e, sobretudo, decisões.