Crédito: Carolina Antunes/PR

Há alguns anos, um bem-sucedido empresário mineiro, já em condições de transferir aos filhos a condução de seus negócios, decidiu se dedicar à política. Era o período da redemocratização e da crença de que, finalmente, o País saberia encontrar melhores caminhos. O empresário aqui mencionado era um dos que assim pensavam e, de origem humilde, reconhecia que tinha recebido muito e era seu dever retribuir, com seu trabalho e sua experiência. Foi deputado estadual e federal de atuação destacada, mas ainda assim sua carreira não durou muito.

Preferiu, num determinado momento, não disputar mais uma reeleição, embora fossem muito boas as suas chances. Dizia-se decepcionado e, aos mais próximos, ainda que sempre discretamente, dizia que não gostou do que viu e que, se prosseguisse, teria que ser no mínimo omisso. Outras pessoas que chegaram à política movidas pelo mesmo ideal, em Minas e em outros Estados, seguiram o mesmo caminho. Desiludidos e, involuntariamente, abrindo espaços que, salvo exceções, algumas brilhantes, foram tão mal ocupados, desacreditando a política e, em geral, as instituições públicas.

Diante do vazio que vivemos estas questões nos vêm à lembrança, bem ilustrada pelas imagens do então ministro – e deputado – Geddel Vieira Lima, numa manifestação de rua na época do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, vestido de camisa amarela e pedindo aos berros o fim da corrupção. Logo ele, suposto dono do apartamento transformado em cofre-forte em Salvador, na Bahia.

Tudo isso nos ocorre, agora, a propósito das discussões sobre o destino das investigações conduzidas por procuradores da República e que, tudo faz crer, cometeram excessos, nem sempre atentos à letra fria da lei. Tinham ambições e não necessariamente virtudes.

Abusos que podem pôr a perder tudo que foi feito, numa regressão, que para dizer o mínimo, será muito triste. Como triste, muito triste, será a comprovação do viés político e a seletividade do trabalho realizado. Demos voltas, demos voltas, produzimos 13 milhões de desempregados, o País regrediu e empobreceu, parece sem saída. Até porque são fortes os sinais de que a velha política continua dando as cartas.

Não defendemos esta ou aquela corrente, que no essencial se parecem bastante. Nos assusta o vazio e a falta de alternativas, a exaltação do mérito que nos possibilite, afinal, construir um projeto para o Brasil, acima de governos, de políticos, de partidos. Um projeto que afinal nos aproxime do futuro sempre adiado.