CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo DC

As limitações e inadequações da infraestrutura de transporte de cargas e as deficiências de mobilidade fazem parte da longa lista de problemas nacionais na atualidade, representando um dos gargalos que contribuem para travar a economia. Faltaram investimentos, até em manutenção, faltou planejamento e a integração dos diversos modais, com atenção óbvia aos mais eficientes e estes são fatores que ajudam a explicar o que se passa presentemente. Da mesma forma que é preciso e urgente considerar os problemas de segurança, que resultam na morte de mais de 50 mil brasileiros todos os anos e um número de incapacitados ainda maior, tudo isso causando dor incomensurável e implicando em custos que também ajudam a comprometer os serviços públicos de saúde.

Comparativamente a situação – de segurança – melhorou um pouco nos últimos dois ou três anos, produzindo estatísticas ainda muito graves, mas de qualquer forma comprovando alguma evolução, apesar do aumento da frota e do número de condutores. Educação, fiscalização mais eficiente e punições mais severas são os principais fatores que ajudam a explicar esses resultados. E que podem, daqui para frente, serem prejudicados. O governo federal, por razões que parecem não escutar a lógica e alguns associam ao interesse em agradar caminhoneiros, tem tomado, ou prometido, providências que parecem não fazer o menor sentido, como reduzir as penalidades a que estão sujeitos os motoristas infratores ou ameaçando mesmo acabar com os radares que controlam velocidade dos veículos. Diz, com alguma dose de razão, que apenas pretende acabar com a “indústria da multa”, mas ignora que estudos comprovam que a velocidade está diretamente associada à letalidade dos acidentes. Pretende também aliviar os controles sobre condutores, como o fim dos exames toxicológicos, estender a validade das habilitações e, como se não bastasse, até acabar com a exigência das cadeiras especiais para transportar crianças. Nessa toada não será exagero imaginar que adiante serão suprimidos cintos de segurança e airbag.

Nada disso parece ou faz sentido em qualquer lugar, muito menos no país em que os índices de acidentes envolvendo veículos motorizados estão entre os mais elevados do mundo. E especialistas, estudiosos reconhecidos, daqui e de fora, já cuidaram de alertar que, nesse particular, as autoridades brasileiras estão claramente trafegando na contramão, fazendo justamente o contrário do necessário. Nessas condições, mantida a linha anunciada, é fatal que aumentará o número de acidentes, nas rodovias em especial, e a sua gravidade. Numa conclusão tão fria quanto objetiva, uma conta a mais para ser paga por um governo que já está quebrado.