CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

As perspectivas de estrangulamento das finanças públicas brasileiras, que em termos objetivos encontram-se numa situação de penúria, são reais e próximas. Pesquisas e bolsas de estudos estão sendo cortadas, assim como serviços e atividades essenciais.

Nas Forças Armadas, por exemplo, acaba de ser decidido que os quartéis não abrirão às segundas-feiras. Medidas de economia, mas longe de trazer as soluções reclamadas, no contexto do prometido ajuste fiscal transformado na grande bandeira do governo passado.

Um bom exemplo está na reforma previdenciária, ainda na ordem do dia e da qual, mesmo com eventual contradição, que será explicada adiante, avançou, embora lentamente, mais que o esperado. Porém, e este é sem dúvida o ponto crucial, sem esforços mais consistentes para fechar a maior das feridas – ou, talvez com mais propriedade, a maior torneira – por onde escorre não os magros proventos de quem trabalhou a vida inteira em troca de um salário mínimo na hora de descansar, mas sim as vantagens dos apadrinhados, aqueles que um dia foram chamados de marajás e que continuam presentes. Deles já foi dito que literalmente sequestraram o Estado brasileiro ou, pelo menos, a maior parte de sua renda.

Em alguns estados, Minas Gerais entre eles, salários de ativos e inativos levam perto de 80% da renda, pouco sobra para as demais despesas e, com certeza, nada para investimentos. Este é o quadro mais ou menos geral no País e sem que ele seja drasticamente modificado não há espaço para o futuro. Um entendimento elementar, verdadeiro, mas que ainda não parece ter sido adequadamente compreendido. E por trás dessa situação está um problema também óbvio. Os que se apropriaram do Estado foram criando ao longo do tempo, e muito tempo por sinal, aberrações de toda ordem, são hoje os mesmos que têm o poder de consertar o que está errado. Só não se sabe se tem vontade ou interesse de caminhar nessa direção, onde evidentemente não há espaço para vantagens, direitos adquiridos, estabilidade ou aposentadorias em que ativos e inativos ganham a mesma coisa.

É até bastante simples, falta encarar a realidade tal como ela se apresenta, entender que o problema não é a maioria de miseráveis, mas a minoria de marajás, de apadrinhados sem qualificação que não o sobrenome ou até de funcionários fantasmas, gente que as repartições vão acumulando, entra governo, sai governo. E essa gente se conta aos milhares, sem sinais de que possam ser efetivamente desalojadas.
O problema é que essa conta não fecha nunca e, pior, o dinheiro acabou. Ou acaba a festa ou o colapso, que não está muito distante, acontece.