São Paulo – A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) confirmou ontem a contratação do banco BTG Pactual para assessorá-la em alternativas sobre o futuro de sua joint venture de mineração em Minas Gerais, a Mineração Usiminas (Musa), informou o grupo siderúrgico em comunicado ao mercado.

A companhia, porém, afirmou que “não há, até o momento, nenhuma decisão tomada quanto a qualquer eventual operação envolvendo a sua participação societária na Musa”. A Usiminas detém 70% da Musa e o grupo japonês Sumitomo detém o restante.

Em comunicado divulgado em seu site, a Usiminas informou que “tendo em vista a matéria jornalística publicada hoje (ontem) pelo Valor Pro, intitulada “Usiminas coloca à venda participação na Musa, dizem fontes”, esclarecer que a sua administração, no exercício de suas atribuições, está avaliando alternativas para a sua participação societária na Mineração Usiminas S.A. (“Musa”), inclusive a eventual alienação total ou parcial de tal participação, tendo contratado o Banco BTG Pactual S.A. para assessorar a companhia neste sentido.

A companhia explica, ainda no comunicado, que, “neste sentido, a Usiminas ressalta que não há, até o momento, nenhuma decisão tomada quanto a qualquer eventual operação envolvendo a sua participação societária na Musa”.

A companhia informou, ainda, que “manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados em relação a qualquer eventual decisão que venha a ser tomada envolvendo a sua participação na Musa, e procederá com as divulgações de informações na forma estabelecida na Lei das S.A. e nas normas expedidas pela CVM”.

Em matéria divulgada ontem pela agência de notícias Reuters, a Usiminas teria contratado o BTG Pactual para vender sua participação de 70% na mineradora Musa, segundo uma fonte com conhecimento do assunto.

O jornal Valor Econômico informou, citando fontes, que a Mineração Usiminas pode ser avaliada em R$ 1 bilhão e que a japonesa Sumitomo, que já detém 30% do capital da Musa, poderia ampliar sua fatia da empresa. Mas a fonte da Reuters disse que é “muito cedo” para determinar o valor de mercado da empresa ou um potencial comprador.
Ainda segundo a Reuters, no final de julho, o presidente-executivo da Usiminas, Sergio Leite, afirmou que a unidade de produção de minério de ferro é menos estratégica para a empresa atualmente em função do atual nível de preço da commodity.

Decisões estratégicas – Em matéria publicada pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO em 24 de julho, o novo diretor-presidente da Mineração Usiminas (Musa), Carlos Hector Rezzonico, afirmou que, diante da proximidade do esgotamento do minério friável na região de Serra Azul, a subsidiária da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) precisaria de decisões imediatas e estratégicas como novos investimentos ou até mesmo a venda total ou parcial dos ativos.

Ainda segundo a reportagem, este cenário já era especulado tanto internamente quanto pelo mercado, principalmente após a Musa sofrer mudanças na administração com saída do então diretor, Wilfred Theodoor Bruijn, em junho, e ter seu caixa reduzido em R$ 1 bilhão no ano passado, em prol do aumento de capital da Usiminas para negociação com credores.

O Projeto Friáveis, que elevou a capacidade das usinas de beneficiamento da Musa em quatro milhões de toneladas, se esgota em 2025. Até lá, Rezzonico e sua equipe precisam tomar uma série de decisões em relação ao futuro da empresa. “Ou se tira o projeto Compactos do papel ou se inicia um processo de venda dos ativos”, alertou uma fonte de mercado que preferiu não se identificar. (Com informações da Usiminas, da Reuters e do Diário do Comércio)