Alisson J. Silva

MARA BIANCHETTI

A manutenção da taxa básica de juros (Selic) pela sexta vez consecutiva em 6,5% pelo Banco Central (BC) foi recebida com otimismo pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo comunicado da entidade, a decisão técnica permitirá a continuidade do estímulo à atividade econômica em todo o País.


“Esse impulso monetário permanece necessário, pois a economia brasileira ainda opera com elevada ociosidade, crescendo a um ritmo muito aquém do seu potencial”, disse a Federação por meio de nota.


Ainda conforme a Fiemg, os últimos indicadores econômicos reforçam a debilidade conjuntural da economia nacional. A exemplo do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que cresceu 0,8%, porém sobre uma base de comparação deprimida em decorrência da paralisação do setor de transportes, no trimestre anterior.


“Foram justamente os setores industrial e de serviços, os mais afetados pela greve de caminhoneiros, que puxaram para cima o resultado das contas nacionais”, enfatizou a entidade.


Todavia, a Federação ponderou que no quarto trimestre, nem mesmo a redução da incerteza relacionada ao ciclo eleitoral, refletida na melhora dos indicadores de confiança, tem sido suficiente para tirar a economia da inércia. A produção industrial, por exemplo, avançou apenas 0,2% em outubro e as estimativas para novembro e dezembro não evoluem bem.


Por fim, a entidade ressaltou a perspectiva de aceleração da atividade em 2019, tendo em vista que a retomada dos anúncios de investimentos em nível nacional e estadual. “Para que esses projetos saiam do papel, é fundamental que as condições monetárias permaneçam estimulativas, permitindo que os mercados de crédito e de capitais sejam capazes de financiar adequadamente as oportunidades de negócios”, concluiu a nota.

CDL – Em nota, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Bruno Falci, afirma que apesar de estar no menor nível desde que foi criada, em 1996, a taxa atual não é a ideal para os setores de comércio e serviços. Para o varejo, a continuidade da queda na taxa de juros é um fator primordial para fomentar o crédito e o consumo, bem como alavancar a atividade econômica, criando assim, um ambiente favorável para a expansão dos negócios. Ao reduzir a taxa, o crescimento econômico é incentivado, pois os investimentos são estimulados o que leva a geração de emprego e consequentemente estimula o consumo.


“Para a CDL/BH, a queda da taxa Selic tem que vir acompanhada de medidas que fomentem a atividade produtiva, e que a longo prazo, irão gerar emprego e renda. A expectativa é que a partir de 2019, com a posse dos novos governantes e a definição clara da política econômica a ser adotada, o ritmo de crescimento da economia aumente. Além disso, esperamos que sejam aprovadas as reformas estruturais, como da Previdência e Tributária, que são essenciais para a sustentabilidade do País”, conclui.