Guy Delforge está instalada em antigo forte militar da Citadela de Namur | Crédito: Gabriela Pedroso

Gabriela Pedroso
Da Valônia (Bélgica)*

Quando ouvimos falar da Bélgica, é impossível não associarmos – ainda que seja um clichê – o país aos seus famosos, e deliciosos, chocolates, às tradicionais cervejas belgas, referências em qualidade em todo o mundo, ou aos típicos waffles, que – de Bruxelas ou Liège, não importa – retratam a saborosa culinária local. Todos esses produtos também são parte importante da economia da Valônia, que aproveita para aliar sua história e tradição a oportunidades de negócios.

Um dos mais curiosos empreendimentos na região está localizado na cidade de Waterloo. A microcervejaria Waterloo John Martin resolveu utilizar a história do município, conhecido pela Batalha de Waterloo – em que os aliados liderados pelo exército inglês derrotaram Napoleão Bonaparte, no século XIX -, para perpetuá-la e ainda empreender.

A empresa não só se instalou, em 2014, na estrutura que abrigava o hospital dos aliados na Batalha de Waterloo, como ainda destinou outra parte do espaço a um pequeno museu dedicado a contar como foi a sangrenta batalha. De um total estimado de 188.000 soldados que estiveram em confronto, foram mais de 10 mil mortos e de 35.000 feridos em Waterloo.

Gerente de contas de exportação júnior da microcervejaria, Louis Jadot revela que a intenção do grupo é ampliar o negócio na região. “Em até três anos, a empresa espera concluir uma espécie de complexo turístico, somando à microcervejaria e ao museu a construção de um restaurante e um espaço para eventos no mesmo local, voltados à população e ao turismo”, explica. Questionada sobre a possibilidade de compartilhar o conhecimento de produção de cervejas, a empresa não descartou, no futuro, oferecer cursos na área.

Chocolates e waffles – Andando pelas ruas das cidades na Valônia, o que não faltam são opções de lojas de chocolates e dos apetitosos waffles. Não só pelo sabor, como também pela delicadeza com que são feitos os doces, é difícil resistir aos produtos. E bem próximo da região, na cidade de Bruxelas, o cenário se repete.

Para dividir com o mundo um pouco da tradição de um dos principais produtos locais, a capital da Bélgica conta com o Museu do Chocolate Choco-Story Brussels, inaugurado em fevereiro de 2014.

Em 2018, 90 mil pessoas passaram pelo museu, que, no entanto, este ano, mudou para uma nova sede, três vezes maior. Com isso, só em agosto último, 17 mil pessoas visitaram o local. “Estamos querendo alcançar 150 mil visitantes em 2019”, destaca a diretora do museu, Peggy Van Lierde.

“É um enorme lugar para Bruxelas. Acho que muitos visitantes que vêm a Bruxelas querem saber mais sobre chocolates e, nesse prédio, temos a oportunidade de mostrar mais e de um jeito mais moderno e interativo do que no museu antigo; temos também mais espaço para nossa coleção”, diz Peggy, ao ressaltar que há produção de chocolate existente no próprio espaço.

Guy Delforge está instalada em antigo forte militar da Citadela de Namur | Crédito: Gabriela Pedroso

Perfumaria utiliza exclusividade para consolidar marca

Um cenário medieval, rodeado por construções históricas em meio aos verdes campos da Valônia. Ali, no antigo forte militar da Citadela de Namur, capital da região, a música clássica ao fundo dita o ritmo da produção de uma das mais famosas perfumarias valãs. Desde 1990, a Guy Delforge, que leva o nome do seu perfumista, é referência por seus produtos e algumas fragrâncias exclusivas, cujo acesso se limita à venda direta aos consumidores.

“O lugar é muito especial. A temperatura é muito importante para preservar todos os perfumes, que têm de maturar de três a seis meses, como um vinho ou champagne. Temos todos os recipientes dispostos nas galerias subterrâneas para esse processo de maturação”, explica a gerente do local, Véronique Gilson.

As galerias possuem temperatura constante, que varia de 11 a 14 graus, independentemente da estação.

Paixão – Guy Delforge tornou a paixão pelos perfumes a sua missão de vida. O perfumista aprendeu na França a técnica de perfumaria e, depois de começar o negócio em casa, mudou a sede produtiva para o forte militar. Todo o processo, que vai desde a produção do perfume até a venda direta ao consumidor, é feito no local. Ao todo, são 40 fragrâncias diferentes de perfumes e colônias.

“E isso preserva nossa exclusividade. Nossos perfumes são de Namur, daqui, e o propósito é vender diretamente o produto às pessoas”, destaca Véronique Gilson.

Além da unidade produtiva, o espaço também é aberto para visitação de turistas. A perfumaria permite aos visitantes compreenderem as diferentes etapas necessárias para a fabricação do perfume, feita de modo tradicional e artesanal.

Mirante – Com a localização do forte militar, situado em uma espécie de mirante, os turistas e moradores que resolvem passear pela região valã, além dos perfumes, ainda podem desfrutar das belas paisagens da cidade de Namur vistas de cima. Com construções que propiciam uma verdadeira volta ao passado.

*Editora viajou a convite da Awex